terça-feira, 31 de maio de 2011

De Novo Na Barca de Homero

Estive internado desde 4a, e voltei no domingo de noite. Coisa grave, mas que agora abrandou em gravidade. Mas quando saímos da escuridão rígida da dor física e olhamos o mundo das luzes ao redor, sempre sentimos um choque de (i) realidade. As palavras do Coélet-Eclesiastes, q li num ensaio do Harold Bloom antes de ir para o hospital, são a suma humanológica do q vejo:


"vaidade de vaidades, tudo é vaidade..."


"Tudo tem o seu tempo, e há tempo para todo o própósito sob o céu:
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de construir;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de usar luto, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de evitar o abraço;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de calar, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz."


Não sou nem cristão nem católico, mas a sabedoria humana ultrapassa livros e circunscrições

e

"sob o mesmo sol, ao pó voltaremos"...

Agora, vou cuidar de minhas vaidades, volto à elas para poder sobreviver em sociedade "civilizada". Minha pergunta: não há algo der errado desde o começo, não começamos com o "miúdo e mesquinho" para terminarmos mais "miúdos e mesquinhos" ainda?... A Vida, a Grande Vida, não seria bem mais q isso?

"vaidade de vaidades, tudo é vaidade..."

domingo, 8 de maio de 2011

Amizade e amor

Perdemos absolutamente o tempo para a delicadeza: a troca sem compromisso, a gentileza - em última análise, a fina flor do q chamamos "civilidade"... Se a culpa é das desterritorializações do hipercapitalismo ou do impérido da Coisa, isso eu não sei: o q sei é q não terei o q responder a um filho, se eu tiver um, quando ele me perguntar como era a "amizade" no meu tempo... Meus exemplos soarão pra ele como fracas fantasias de um pai sensível, de um pai artista, devaneador... Pq as novas gerações são brilhantes em assimilar informações, discernir e se mover neste mundo novo das telas azuis - mas tem dificuldades em ligar ponto com ponto desde q isso não seja um copy paste...

Mas vejam, o q me assusta não é o fato de tudo ter mudado assim - mas o fato de q quem viveu isso, da "delicadeza", ter se transmutado tb, ao invés de ser uma ponte para o vindouro... No caso, tudo o q veio depois dos anos 90...

Perder a lentidão, a fé em fantasmas ideológicos, ser mais movente dentro de um sistema de capital, enxergar com mais "nitidez de tela" o mundo ao redor, isso tudo são ganhos desse pós-2000 q eu não posso de forma nenhuma criticar - eram impensáveis anos atrás...

Mas hj quando vc diz "amor" e ele soa como uma espécie de ligação bioquímica ou, pior, como algo q "ah, eu já sei disso, nem precisa falar" pra alguém q tem metade de sua idade - isso é espantoso, pq eu o procuro há 38 anos anos e, além de não achá-lo, tenho sérias dúvidas sobre sua existência...

Então, perdemos - junto com os "2000" - a humildade, a paciência e o gosto real pela introversão - este é o lado ruim...

Vejo ao meu redor pessoas de 50, 40, 30, querendo se afirmar como adolescentes, pq de certa forma todos viraram um ou nunca saíram da adolescência e seus defeitos e qualidades...

Por isso retomo o tema da amizade e do amor: como dar exemplos deles, q são sempre frutos q se colhem com o tempo e não na pressa do 1o ato sexual ou na amizade solúvel de uma balada, se é só isso q meu filho terá em volta de si?...

Bem, não importa - a experiência viva em língua morta vale mais do q um novo software!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Bethania e Sócrates

Vou dizer exatamente o q acho da história da Bethânia: pusemos o Lula lá e a Dilma tb - e este "pusemos" parte de um preceito da sociedade democrática de q a "MAIORIA DECIDE". Ora, se vc acha q a maioria deve decidir, PQ VC É UM DEMOCRATA, seja por qual meio for, então a discussão acabou aqui.

Sócrates morreu envenando em Atenas PQ NÃO QUERIA FERIR O DIREITO DEMOCRÁTICO, lembremos a título de...

Do q reclamamos exatamente? De política, de qualidade artística, de favoritismo, de conspiração, de atuação engajada, etc.? Mal sabemos do q reclamamos - tudo vem misturado num balaio que cospe balas para todos os lados e fica-se arrastando o reclamatório...

Sou anarquista mesmo, anarca, desses q querem enforcar o último empresário nas tripas do último pastor. Mas sei q isso é utopia, pq a essência do homem não é ser Jesus Cristo, mas ser Lobo: homem lobo do homem.

Por isso, enquanto não se tomarem as Bastilhas todas, as da OMB, as políticas (seja de esquerda, direita, centro-esquerda, centro-avantes e etc.) eu não me importo nem um pouco do Sr. Tiririca estar lá. Torço para que outros Tiriricas entrem, inclusive, pq assim veremos bem claro o q significa o conceito de política para nós. Ah, sim, claro, esqueci das "Mídias", q são sempre responsáveis por tudo, do tsunami ao fora q levei ontem. As "Mídias q, excetuando-se os casos de um ou outro dono de empresas de hardware, não sabemos exatamente quem é q está por trás.

Ah, e não nos esqueçamos de duas coisinhas bem elementares:

1. A Bastilha a ser tomada não é clara, pq não sabemos bem que É O INIMIGO REAL. Desde os anos 80, essa binariedade de bom e mal se dissolveu, então quando vc for na sanha justiceira jogar alguém numa masmorra da dita Bastilha, pode acabar jogando a si próprio, e

2. Sendo sincero, sinceríssimos, quem não FARIA A MESMA COISA NO LUGAR DELA LÁ ? Pelo q vejo de egos inflados, de gente comendo gente aqui no Face, de tapinhas asquerosos nas costas para conseguir o seu quinhãozinha de nada - será q somos esta maravilha da Moral encarnados para ficarmos tão indignados assim ?

Sim, se for para divulgar a literatura, q seja a Bethania, q sempre o fez por espontaneidade lendo o q gostava, como todos sabem, em seus shows. Se fosse o Y, pq o governo é X, seria a mesma coisa.

E, antes de me chamarem de "o cara de nem uma coisa nem outra", LEIAM COM CARINHO O Q ESCREVI ANTES.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Herói, a palavra ainda não se desgastou...


"Os trabalhadores responsáveis pela refrigeração de quatro dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima já estão sendo tratados como heróis pela população japonesa. Os profissionais arriscam suas vidas para reduzir a temperatura dos reatores que foram bastante danificados pelo terremoto e tsunami da última sexta-feira".

Sendo heróico, sendo verdade, eis aí a razão pela qual levantamos todas as manhãs, a razão de irmos ao banco, ao supermercado, de cuspirmos no chão e de traçarmos felizes planos para o futuro, de nossas preces e teorias cósmicas !

É a única razão, a ação consciente em meio ao Caos, ao inexplicável sopro da  Tragoedia...

Quem age assim, para q o outro não sofra assim, é aquele q pensa em si como um elo atado ao patrimônio maior q se chama Humanidade. Uma tentativa de redução de temperatura por um desses homens vale todo o meu trabalho, minha obra e minha vida.

Em escala menor e menos arriscada - e portanto, menos heróica - não é talvez isso o q façamos quando amamos realmente alguém, suportamos uma infâmia ou nos elevamos da lama silenciosamente?

Espero um dia valer um tendão da mão de um desses trabalhadores, q morrerão para q eu possa escrever tranquilamente essa retórica afetiva e hugoana aqui neste blog...

quarta-feira, 2 de março de 2011

nublai minha visão !

Volto a escrever aqui no blog, depois da ausência imensa. E volto falando do que vivo aqui, nesta cidade clarinada de São Sebastião.

Eu nunca havia entendido direito o Brasil, pq morei 37 anos em SP - e lá, é um Brasil de brasis, dissipado e sempre mutante. Vindo ao Rio, eu vi o Brasil em sua essência, o homem macunaímico, a sistemática política de favores e as famílias rodriguianas. Não que estas características não estejam presentes também em Sampa - mas lá, precisa-se construir um restaurante onde era antes um salão de cabeleireiros.

E para ontem.

O que significa dizer que se entrar a pseudo virgem no Nelson, o Macunaíma titubeante e só a ética do favor no meio, a construção não se fará - e é este "fazer" o que eu chamo de dissipação por afirmação.

O paulista pode fazer absolutamente nada, organizar o vazio, distribuir papéis para o vento, mas "faz". Isso justifica o slogan ridículo cunhado lá, o do "rouba mas faz". E este produzir compulsivo é toda a tragédia paulista.

Mas eu havia pensado e esboçado um CD todo em uma viagem de trem entre São Paulo e Santo André, em 2009. Chamava-se "Festa das Esquerda".

E eis que aqui o farei em parceria com o agora professor da Unirio Alexei Michailovsky, e que o que era lá um olhar arguto sobre as coisas, aqui será simples delação, vivências anotadas in loco.

A Arte nasce primeiro, e busca sua inteligibilidade concreta pelos fatos reais...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

...uma oração...

Creio que sempre tenha feito orações, de uma forma ou de outra, mesmo um tanto incrédulo e, se crente, ilhas de Fé ladeadas por longos intervalos. Minhas canções oram quando eu fecho os olhos e saio da sala. São pedidos, súplicas, revelações de coisas. Pois bem, fiz uma oração para um grupo de estudos transdiciplinares ao qual pertencia, rascunho que encontrei por acaso numa pilha de poemas, fragmentos & coisas por aqui, nos calores desumanos desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Reproduzo-a na sequência:


Oração ao Pensamento


Fazei com que tudo dentro de mim
Que seja intra, manancial, ponto X
Se desenlace dos preconceitos sérios
Das armadilhas do médio-pensar
Da superfície asfixiante do agora.

Que eu não tenha outro pensamento que não o conectado à outro:
Outro, seja ele bêbado de um afeto lancinante
Outro, se transfigure em carne que sonha seu após
Outro, tudo aquilo que não me pertence e me invade em desconhecimento.

Se Deus está morto,
Resta-nos o homem em sua complexidade
Em sua eterna queda e miséria irremovíveis
Em sua agudeza lúcida de espelho fiel dos céus mais distantes.

Dai a sutileza, o que é nobre, o sorriso sem eiras de Eros
Para que possamos amorosamente criar caminhos
Sobre o longo e convalescente vale do humano
Sombrio e de hoje tantas línguas.

Trazei, enfim, um edênico entendimento de almas
Que se tocam com palavras para logo depois se dissiparem em ar
No sopro que nos preenche
(Agora plenos porque a luz tem azuis olhos abertos)
com o odor imantado do Pensamento.

Assim seja.

PS: a imago-blog é Pascal, o angustiado sereno de arco e flecha repousando ao lado da Idéia, após longa luta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

...ode à melancolia...

Lá no Blog irmão, de palavras e ventos fortes, publiquei e ando colando coisas e asas. Entre elas, esta versão em português de "Ode à Melancolia", do preci(o)so John Keats, que está em meu CD e é uma de minhas taras poéticas.

 
(o próprio poeta - em si no si de si)
É só ler lá: http://e-chaleira.blogspot.com/2010/02/ode-melancolia_02.html

Baci per tutti.