Creio que sempre tenha feito orações, de uma forma ou de outra, mesmo um tanto incrédulo e, se crente, ilhas de Fé ladeadas por longos intervalos. Minhas canções oram quando eu fecho os olhos e saio da sala. São pedidos, súplicas, revelações de coisas. Pois bem, fiz uma oração para um grupo de estudos transdiciplinares ao qual pertencia, rascunho que encontrei por acaso numa pilha de poemas, fragmentos & coisas por aqui, nos calores desumanos desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Reproduzo-a na sequência:
Oração ao Pensamento
Fazei com que tudo dentro de mim
Que seja intra, manancial, ponto X
Se desenlace dos preconceitos sérios
Das armadilhas do médio-pensar
Da superfície asfixiante do agora.
Que eu não tenha outro pensamento que não o conectado à outro:
Outro, seja ele bêbado de um afeto lancinante
Outro, se transfigure em carne que sonha seu após
Outro, tudo aquilo que não me pertence e me invade em desconhecimento.
Se Deus está morto,
Resta-nos o homem em sua complexidade
Em sua eterna queda e miséria irremovíveis
Em sua agudeza lúcida de espelho fiel dos céus mais distantes.
Dai a sutileza, o que é nobre, o sorriso sem eiras de Eros
Para que possamos amorosamente criar caminhos
Sobre o longo e convalescente vale do humano
Sombrio e de hoje tantas línguas.
Trazei, enfim, um edênico entendimento de almas
Que se tocam com palavras para logo depois se dissiparem em ar
No sopro que nos preenche
(Agora plenos porque a luz tem azuis olhos abertos)
com o odor imantado do Pensamento.
Assim seja.
PS: a imago-blog é Pascal, o angustiado sereno de arco e flecha repousando ao lado da Idéia, após longa luta.
Fazei com que tudo dentro de mim
Que seja intra, manancial, ponto X
Se desenlace dos preconceitos sérios
Das armadilhas do médio-pensar
Da superfície asfixiante do agora.
Que eu não tenha outro pensamento que não o conectado à outro:
Outro, seja ele bêbado de um afeto lancinante
Outro, se transfigure em carne que sonha seu após
Outro, tudo aquilo que não me pertence e me invade em desconhecimento.
Se Deus está morto,
Resta-nos o homem em sua complexidade
Em sua eterna queda e miséria irremovíveis
Em sua agudeza lúcida de espelho fiel dos céus mais distantes.
Dai a sutileza, o que é nobre, o sorriso sem eiras de Eros
Para que possamos amorosamente criar caminhos
Sobre o longo e convalescente vale do humano
Sombrio e de hoje tantas línguas.
Trazei, enfim, um edênico entendimento de almas
Que se tocam com palavras para logo depois se dissiparem em ar
No sopro que nos preenche
(Agora plenos porque a luz tem azuis olhos abertos)
com o odor imantado do Pensamento.
Assim seja.
PS: a imago-blog é Pascal, o angustiado sereno de arco e flecha repousando ao lado da Idéia, após longa luta.


LEMBRO COM SAUDADES DESSES ENCONTROS NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO, DO MORIN E ETC. É PENA QUE VC ESTEJA NO RIO, PORQUE SAMPA PRECISA DE ARES ASSIM MAIS EDGAR MORIN. SÓ QUE VOCÊ NUNCA LEU ESTA ORAÇÃO PRA NÓS LÁ NOS ENCONTROS, LEMBRO QUE COMEÇAVAMOS SEMPRE COM ALGUM POEMA OU NIETZSCHE.
ResponderExcluirVc continua afiado, querido, apesar do sumiço aqui pelo blog. Cuida dl com carinho, tá ok ? Muitas pessoas precisam das suas palavras - e não por carência e caretice, mas por arejamento, como o Jr. falou. Bjs.
ResponderExcluirUm padre laico, um apóstolo da beleza sem Deus. Belo belo belo. Bjos.
ResponderExcluirSobre o longo e convalescente vale do humano
ResponderExcluirSombrio e de hoje tantas línguas.
Gostaria q isso não fosse tão verdadadeiro.
Sempre poetizando, sempre, sempre... ;)
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