domingo, 8 de maio de 2011

Amizade e amor

Perdemos absolutamente o tempo para a delicadeza: a troca sem compromisso, a gentileza - em última análise, a fina flor do q chamamos "civilidade"... Se a culpa é das desterritorializações do hipercapitalismo ou do impérido da Coisa, isso eu não sei: o q sei é q não terei o q responder a um filho, se eu tiver um, quando ele me perguntar como era a "amizade" no meu tempo... Meus exemplos soarão pra ele como fracas fantasias de um pai sensível, de um pai artista, devaneador... Pq as novas gerações são brilhantes em assimilar informações, discernir e se mover neste mundo novo das telas azuis - mas tem dificuldades em ligar ponto com ponto desde q isso não seja um copy paste...

Mas vejam, o q me assusta não é o fato de tudo ter mudado assim - mas o fato de q quem viveu isso, da "delicadeza", ter se transmutado tb, ao invés de ser uma ponte para o vindouro... No caso, tudo o q veio depois dos anos 90...

Perder a lentidão, a fé em fantasmas ideológicos, ser mais movente dentro de um sistema de capital, enxergar com mais "nitidez de tela" o mundo ao redor, isso tudo são ganhos desse pós-2000 q eu não posso de forma nenhuma criticar - eram impensáveis anos atrás...

Mas hj quando vc diz "amor" e ele soa como uma espécie de ligação bioquímica ou, pior, como algo q "ah, eu já sei disso, nem precisa falar" pra alguém q tem metade de sua idade - isso é espantoso, pq eu o procuro há 38 anos anos e, além de não achá-lo, tenho sérias dúvidas sobre sua existência...

Então, perdemos - junto com os "2000" - a humildade, a paciência e o gosto real pela introversão - este é o lado ruim...

Vejo ao meu redor pessoas de 50, 40, 30, querendo se afirmar como adolescentes, pq de certa forma todos viraram um ou nunca saíram da adolescência e seus defeitos e qualidades...

Por isso retomo o tema da amizade e do amor: como dar exemplos deles, q são sempre frutos q se colhem com o tempo e não na pressa do 1o ato sexual ou na amizade solúvel de uma balada, se é só isso q meu filho terá em volta de si?...

Bem, não importa - a experiência viva em língua morta vale mais do q um novo software!

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