<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975</id><updated>2012-02-16T01:41:58.819-08:00</updated><title type='text'>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</title><subtitle type='html'>...ou tudo aquilo que não virou canção...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2614190473500238239</id><published>2011-05-31T12:51:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T12:51:02.478-07:00</updated><title type='text'>De Novo Na Barca de Homero</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-sZl1_BVSuaE/TeVGVOxvAqI/AAAAAAAAAQ4/6ku0fNVtUeg/s1600/13_MHG_AMBUL%25C3%2582NCIA1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="203" src="http://2.bp.blogspot.com/-sZl1_BVSuaE/TeVGVOxvAqI/AAAAAAAAAQ4/6ku0fNVtUeg/s320/13_MHG_AMBUL%25C3%2582NCIA1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Estive internado desde 4a, e voltei no domingo de noite. Coisa grave, mas que agora abrandou em gravidade. Mas quando saímos da escuridão rígida da dor física e olhamos o mundo das luzes ao redor, sempre sentimos um choque de (i) realidade. As palavras do Coélet-Eclesiastes, q li num ensaio do Harold Bloom antes de ir para o hospital, são a suma humanológica do q vejo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"vaidade de vaidades, tudo é vaidade..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo tem o seu tempo, e há tempo para todo o própósito sob o céu:&lt;br /&gt;Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;&lt;br /&gt;Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de construir;&lt;br /&gt;Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de usar luto, e tempo de dançar;&lt;br /&gt;Tempo de espalhar pedras, e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de evitar o abraço;&lt;br /&gt;Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora; &lt;br /&gt;Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de calar, e tempo de falar;&lt;br /&gt;Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nem cristão nem católico, mas a sabedoria humana ultrapassa livros e circunscrições&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"sob o mesmo sol, ao pó voltaremos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vou cuidar de minhas vaidades, volto à elas para poder sobreviver em sociedade "civilizada". Minha pergunta: não há algo der errado desde o começo, não começamos com o "miúdo e mesquinho" para terminarmos mais "miúdos e mesquinhos" ainda?... A Vida, a Grande Vida, não seria bem mais q isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"vaidade de vaidades, tudo é vaidade..."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2614190473500238239?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2614190473500238239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/05/de-novo-na-barca-de-homero.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2614190473500238239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2614190473500238239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/05/de-novo-na-barca-de-homero.html' title='De Novo Na Barca de Homero'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-sZl1_BVSuaE/TeVGVOxvAqI/AAAAAAAAAQ4/6ku0fNVtUeg/s72-c/13_MHG_AMBUL%25C3%2582NCIA1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-1667871454369710768</id><published>2011-05-08T20:59:00.001-07:00</published><updated>2011-05-08T20:59:33.838-07:00</updated><title type='text'>Amizade e amor</title><content type='html'>Perdemos absolutamente o tempo para a delicadeza: a troca sem  compromisso, a gentileza - em última análise, a fina flor do q chamamos  "civilidade"... Se a culpa é das desterritorializações do  hipercapitalismo ou do impérido da Coisa, isso eu não sei: o q sei é q  não terei o q responder a um filho, se eu tiver um, quando ele me  perguntar como era a "amizade" no meu tempo... Meus exemplos soarão pra  ele como fracas fantasias de um pai sensível, de um pai artista,  devaneador... Pq as novas gerações são brilhantes em assimilar  informações, discernir e se mover neste mundo novo das telas azuis - mas  tem dificuldades em ligar ponto com ponto desde q isso não seja um copy  paste...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vejam, o q me assusta não é o fato de  tudo ter mudado assim - mas o fato de q quem viveu isso, da  "delicadeza", ter se transmutado tb, ao invés de ser uma ponte para o  vindouro... No caso, tudo o q veio depois dos anos 90...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder  a lentidão, a fé em fantasmas ideológicos, ser mais movente dentro de  um sistema de capital, enxergar com mais "nitidez de tela" o mundo ao  redor, isso tudo são ganhos desse pós-2000 q eu não posso de forma  nenhuma criticar - eram impensáveis anos atrás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas  hj quando vc diz "amor" e ele soa como uma espécie de ligação bioquímica  ou, pior, como algo q "ah, eu já sei disso, nem precisa falar" pra  alguém q tem metade de sua idade - isso é espantoso, pq eu o procuro há  38 anos anos e, além de não achá-lo, tenho sérias dúvidas sobre sua  existência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, perdemos - junto com os "2000" - a humildade, a paciência e o gosto real pela introversão - este é o lado ruim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo  ao meu redor pessoas de 50, 40, 30, querendo se afirmar como  adolescentes, pq de certa forma todos viraram um ou nunca saíram da  adolescência e seus defeitos e qualidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso  retomo o tema da amizade e do amor: como dar exemplos deles, q são  sempre frutos q se colhem com o tempo e não na pressa do 1o ato sexual  ou na amizade solúvel de uma balada, se é só isso q meu filho terá em  volta de si?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não importa - a experiência viva em língua morta vale mais do q um novo software!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-1667871454369710768?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/1667871454369710768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/05/amizade-e-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1667871454369710768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1667871454369710768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/05/amizade-e-amor.html' title='Amizade e amor'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2035052880501344827</id><published>2011-03-18T10:21:00.001-07:00</published><updated>2011-03-18T10:21:52.121-07:00</updated><title type='text'>Bethania e Sócrates</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-OI4rawHp25Y/TYOUma7Q5DI/AAAAAAAAAQ0/EsDSCyW8M4U/s1600/MARIA_Bethania.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="305" src="https://lh5.googleusercontent.com/-OI4rawHp25Y/TYOUma7Q5DI/AAAAAAAAAQ0/EsDSCyW8M4U/s320/MARIA_Bethania.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Vou dizer exatamente o q acho da história da Bethânia: pusemos o Lula lá e a Dilma tb - e este "pusemos" parte de um preceito da sociedade democrática de q a "MAIORIA DECIDE". Ora, se vc acha q a maioria deve decidir, PQ VC É UM DEMOCRATA, seja por qual meio for, então a discussão acabou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates morreu envenando em Atenas PQ NÃO QUERIA FERIR O DIREITO DEMOCRÁTICO, lembremos a título de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do q reclamamos exatamente? De política, de qualidade artística, de favoritismo, de conspiração, de atuação engajada, etc.? Mal sabemos do q reclamamos - tudo vem misturado num balaio que cospe balas para todos os lados e fica-se arrastando o reclamatório...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou anarquista mesmo, anarca, desses q querem enforcar o último empresário nas tripas do último pastor. Mas sei q isso é utopia, pq a essência do homem não é ser Jesus Cristo, mas ser Lobo: homem lobo do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, enquanto não se tomarem as Bastilhas todas, as da OMB, as políticas (seja de esquerda, direita, centro-esquerda, centro-avantes e etc.) eu não me importo nem um pouco do Sr. Tiririca estar lá. Torço para que outros Tiriricas entrem, inclusive, pq assim veremos bem claro o q significa o conceito de política para nós. Ah, sim, claro, esqueci das "Mídias", q são sempre responsáveis por tudo, do tsunami ao fora q levei ontem. As "Mídias q, excetuando-se os casos de um ou outro dono de empresas de hardware, não sabemos exatamente quem é q está por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e não nos esqueçamos de duas coisinhas bem elementares:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A Bastilha a ser tomada não é clara, pq não sabemos bem que É O INIMIGO REAL. Desde os anos 80, essa binariedade de bom e mal se dissolveu, então quando vc for na sanha justiceira jogar alguém numa masmorra da dita Bastilha, pode acabar jogando a si próprio, e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Sendo sincero, sinceríssimos, quem não FARIA A MESMA COISA NO LUGAR DELA LÁ ? Pelo q vejo de egos inflados, de gente comendo gente aqui no Face, de tapinhas asquerosos nas costas para conseguir o seu quinhãozinha de nada - será q somos esta maravilha da Moral encarnados para ficarmos tão indignados assim ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, se for para divulgar a literatura, q seja a Bethania, q sempre o fez por espontaneidade lendo o q gostava, como todos sabem, em seus shows. Se fosse o Y, pq o governo é X, seria a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, antes de me chamarem de "o cara de nem uma coisa nem outra", LEIAM COM CARINHO O Q ESCREVI ANTES.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2035052880501344827?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2035052880501344827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/bethania-e-socrates.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2035052880501344827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2035052880501344827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/bethania-e-socrates.html' title='Bethania e Sócrates'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-OI4rawHp25Y/TYOUma7Q5DI/AAAAAAAAAQ0/EsDSCyW8M4U/s72-c/MARIA_Bethania.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6796827172724782748</id><published>2011-03-16T16:18:00.000-07:00</published><updated>2011-03-16T16:18:41.928-07:00</updated><title type='text'>Herói, a palavra ainda não se desgastou...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-lrPzPYoXZnw/TYFFJuzg1LI/AAAAAAAAAQs/LSrxLaNQvEA/s1600/1300193880823-japao-radiacao.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="215" src="https://lh4.googleusercontent.com/-lrPzPYoXZnw/TYFFJuzg1LI/AAAAAAAAAQs/LSrxLaNQvEA/s320/1300193880823-japao-radiacao.jpeg" width="320" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os trabalhadores responsáveis pela refrigeração de quatro dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima já estão sendo tratados como heróis pela população japonesa. Os profissionais arriscam suas vidas para reduzir a temperatura dos reatores que foram bastante danificados pelo terremoto e tsunami da última sexta-feira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo heróico, sendo verdade, eis aí a razão pela qual levantamos todas as manhãs, a razão de irmos ao banco, ao supermercado, de cuspirmos no chão e de traçarmos felizes planos para o futuro, de nossas preces e teorias cósmicas !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a única razão, a ação consciente em meio ao Caos, ao inexplicável sopro da&amp;nbsp; Tragoedia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem age assim, para q o outro não sofra assim, é aquele q pensa em si como um elo atado ao patrimônio maior q se chama Humanidade. Uma tentativa de redução de temperatura por um desses homens vale todo o meu trabalho, minha obra e minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em escala menor e menos arriscada - e portanto, menos heróica - não é talvez isso o q façamos quando amamos realmente alguém, suportamos uma infâmia ou nos elevamos da lama silenciosamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero um dia valer um tendão da mão de um desses trabalhadores, q morrerão para q eu possa escrever tranquilamente essa retórica afetiva e hugoana aqui neste blog...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6796827172724782748?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6796827172724782748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/heroi-palavra-ainda-nao-se-desgastou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6796827172724782748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6796827172724782748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/heroi-palavra-ainda-nao-se-desgastou.html' title='Herói, a palavra ainda não se desgastou...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-lrPzPYoXZnw/TYFFJuzg1LI/AAAAAAAAAQs/LSrxLaNQvEA/s72-c/1300193880823-japao-radiacao.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8358239912477886037</id><published>2011-03-02T08:57:00.000-08:00</published><updated>2011-03-02T08:57:27.789-08:00</updated><title type='text'>nublai minha visão !</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-pJr-kooO8qg/TW52saTOFdI/AAAAAAAAAQo/6RyqKjJS8AI/s1600/farrapo01.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="https://lh6.googleusercontent.com/-pJr-kooO8qg/TW52saTOFdI/AAAAAAAAAQo/6RyqKjJS8AI/s320/farrapo01.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto a escrever aqui no blog, depois da ausência imensa. E volto falando do que vivo aqui, nesta cidade clarinada de São Sebastião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca havia entendido direito o Brasil, pq morei 37 anos em SP - e lá, é um Brasil de brasis, dissipado e sempre mutante. Vindo ao Rio, eu vi o Brasil em sua essência, o homem macunaímico, a sistemática política de favores e as famílias rodriguianas. Não que estas características não estejam presentes também em Sampa - mas lá, precisa-se construir um restaurante onde era antes um salão de cabeleireiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E para ontem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que significa dizer que se entrar a pseudo virgem no Nelson, o Macunaíma titubeante e só a ética do favor no meio, a construção não se fará - e é este "fazer" o que eu chamo de dissipação por afirmação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O paulista pode fazer absolutamente nada, organizar o vazio, distribuir papéis para o vento, mas "faz". Isso justifica o slogan ridículo cunhado lá, o do "rouba mas faz". E este produzir compulsivo é toda a tragédia paulista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Mas eu havia pensado e esboçado um CD todo em uma viagem de trem entre São Paulo e Santo André, em 2009. Chamava-se "Festa das Esquerda".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis que aqui o farei em parceria com o agora professor da Unirio Alexei Michailovsky, e que o que era lá um olhar arguto sobre as coisas, aqui será simples delação, vivências anotadas in loco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; A Arte nasce primeiro, e busca sua inteligibilidade concreta pelos fatos reais...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8358239912477886037?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8358239912477886037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/nublai-minha-visao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8358239912477886037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8358239912477886037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2011/03/nublai-minha-visao.html' title='nublai minha visão !'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-pJr-kooO8qg/TW52saTOFdI/AAAAAAAAAQo/6RyqKjJS8AI/s72-c/farrapo01.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-653372410431765116</id><published>2010-02-25T13:57:00.000-08:00</published><updated>2010-02-25T13:57:43.858-08:00</updated><title type='text'>...uma oração...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que sempre tenha feito orações, de uma forma ou de outra, mesmo um tanto incrédulo e, se crente, ilhas de Fé ladeadas por longos intervalos. Minhas canções oram quando eu fecho os olhos e saio da sala. São pedidos, súplicas, revelações de coisas. Pois bem, fiz uma oração para um grupo de estudos transdiciplinares ao qual pertencia, rascunho que encontrei por acaso numa pilha de poemas, fragmentos &amp;amp; coisas por aqui, nos calores desumanos desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Reproduzo-a na sequência:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;b&gt;Oração ao Pensamento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazei com que tudo dentro de mim&lt;br /&gt;Que seja intra, manancial, ponto X&lt;br /&gt;Se desenlace dos preconceitos sérios&lt;br /&gt;Das armadilhas do médio-pensar&lt;br /&gt;Da superfície asfixiante do agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu não tenha outro pensamento que não o conectado à outro:&lt;br /&gt;Outro, seja ele bêbado de um afeto lancinante&lt;br /&gt;Outro, se transfigure em carne que sonha seu após&lt;br /&gt;Outro, tudo aquilo que não me pertence e me invade em desconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Deus está morto,&lt;br /&gt;Resta-nos o homem em sua complexidade&lt;br /&gt;Em sua eterna queda e miséria irremovíveis&lt;br /&gt;Em sua agudeza lúcida de espelho fiel dos céus mais distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai a sutileza, o que é nobre, o sorriso sem eiras de Eros&lt;br /&gt;Para que possamos amorosamente criar caminhos&lt;br /&gt;Sobre o longo e convalescente vale do humano&lt;br /&gt;Sombrio e de hoje tantas línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazei, enfim, um edênico entendimento de almas&lt;br /&gt;Que se tocam com palavras para logo depois se dissiparem em ar&lt;br /&gt;No sopro que nos preenche&lt;br /&gt;(Agora plenos porque a luz tem azuis olhos abertos) &lt;br /&gt;com o odor imantado do Pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4byQQ3iN9I/AAAAAAAAAMU/3vAJNeL9CFE/s1600-h/Blaise_Pascal%5B1%5D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4byQQ3iN9I/AAAAAAAAAMU/3vAJNeL9CFE/s320/Blaise_Pascal%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;PS: a imago-blog é Pascal, o angustiado sereno de arco e flecha repousando ao lado da Idéia, após longa luta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-653372410431765116?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/653372410431765116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/02/uma-oracao.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/653372410431765116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/653372410431765116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/02/uma-oracao.html' title='...uma oração...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4byQQ3iN9I/AAAAAAAAAMU/3vAJNeL9CFE/s72-c/Blaise_Pascal%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-5296883546380343965</id><published>2010-02-08T09:22:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T09:22:58.962-08:00</updated><title type='text'>...ode à melancolia...</title><content type='html'>Lá no Blog irmão, de palavras e ventos fortes, publiquei e ando colando coisas e asas. Entre elas, esta versão em português de "Ode à Melancolia", do preci(o)so John Keats, que está em meu CD e é uma de minhas taras poéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S3BIM28FkHI/AAAAAAAAALo/eHgtQ4VEB6Q/s1600-h/keatshiltonnew.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S3BIM28FkHI/AAAAAAAAALo/eHgtQ4VEB6Q/s320/keatshiltonnew.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;(o próprio poeta - em si no si de si)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt; &lt;/div&gt;É só ler lá: http://e-chaleira.blogspot.com/2010/02/ode-melancolia_02.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baci per tutti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-5296883546380343965?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://e-chaleira.blogspot.com/2010/02/ode-melancolia_02.html' title='...ode à melancolia...'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/5296883546380343965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/02/ode-melancolia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5296883546380343965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5296883546380343965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/02/ode-melancolia.html' title='...ode à melancolia...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S3BIM28FkHI/AAAAAAAAALo/eHgtQ4VEB6Q/s72-c/keatshiltonnew.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8162211959936895822</id><published>2010-01-14T09:50:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T09:52:50.875-08:00</updated><title type='text'>...elegia shelleyca for Zilda...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S09Z2UZAytI/AAAAAAAAALg/mfo3Kg3sEnc/s1600-h/flor-10672.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 381px; height: 377px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S09Z2UZAytI/AAAAAAAAALg/mfo3Kg3sEnc/s400/flor-10672.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426654865726163666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Choremos, mãos dadas e em círculo,&lt;br /&gt;pois Zilda morreu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Haiti fez-se massa ocre e tumultuosa,&lt;br /&gt;como na Lisboa do séc. XVIII o terremoto matou fiéis em fervor e incensos&lt;br /&gt;enquanto cheios de júbilo entoavam o Kyrie Eleison das cadeiras&lt;br /&gt;e Voltaire se riu então de França, amargamente,&lt;br /&gt;como eu rio agora,&lt;br /&gt;e disse: "Deus esteve lá, na Igreja ?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choremos por opção,&lt;br /&gt;- mãos dadas -&lt;br /&gt;pois Zilda Morreu,&lt;br /&gt;e a Pastoral do Menor&lt;br /&gt;ficou agora maior agora&lt;br /&gt;bem maior&lt;br /&gt;"hipermaior" (Baudrillard dixit)&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;ficamos todos maiores assim&lt;br /&gt;as telas do mundo todo se enchendo de lágrimas&lt;br /&gt;as pessoas se congratulando e aproveitando o segundo ato para se dizerem "irmãs" para os pixels pulsantes&lt;br /&gt;evitando a incômoda posição de olhar o velho amigo de infância&lt;br /&gt;- hoje um bancário pai de família escroto que se vendeu e não segue mais o ideário e passa na rua fingindo que não me vê e cujo destino se descruzou do meu (que pena para ele) e etc. -&lt;br /&gt;e lançar um olhar que fure os olhos sem Tirésias do ego&lt;br /&gt;do umbigo do próprio ego&lt;br /&gt;e tocar esse amigo: "queria dizer que virei poeta, e pôr minha poesia - a que vc entenderá - junto de seu Coringão e de seu salário infame,&lt;br /&gt;e farei isso pq o amo - não deposite nada em minha conta nem ache que tirarei algo da sua, ok, amigo velho ?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro por você, Zilda,&lt;br /&gt;mas não de mãos dadas,&lt;br /&gt;pela tela em branco que você era&lt;br /&gt;seu título, seus predicados, sua unanimemente bondade universal,&lt;br /&gt;sua igreja lisboeta,&lt;br /&gt;e choro mais ainda porque agora outra Zilda nascerá&lt;br /&gt;com seu título, seus predicados, sua bondade universal,&lt;br /&gt;sua igreja também ultra universal,&lt;br /&gt;para que eu continue a odiar meu amigo que virou Godzilla&lt;br /&gt;e para que o menor&lt;br /&gt;que dorme beijado por ratazanas sobre os triunfais Arcos da Lapa&lt;br /&gt;- festiva, samba renascido &amp;amp; Eros &amp;amp; tais -&lt;br /&gt;eu possa passar por ele,&lt;br /&gt;um pretinho com feridas na boca,&lt;br /&gt;uma garrafa de água mineral enchida no posto de gasolina à frente e amassada ao lado&lt;br /&gt;a saliva fazendo bolhinhas no contato de sua boca com o asfalto ainda quente da noite carioca&lt;br /&gt;possa triunfante passar por ele e dizer para a Estrela da Manhã&lt;br /&gt;para o par amoroso de travestis pintando as unhas na Mem de Sá&lt;br /&gt;o quanto me ufano de mim&lt;br /&gt;posto que&lt;br /&gt;existe uma Pastoral&lt;br /&gt;existe uma e una minha outra piedade&lt;br /&gt;existem as duas coisas conectadas simbioticamente&lt;br /&gt;existirá uma outra Zilda que, se morrer bestamente tb,&lt;br /&gt;aumentará sua santidade e minha santidade pela sua santidade&lt;br /&gt;mas principalmente&lt;br /&gt;existo eu que passo pelos 9 anos do garoto com minha risonha sabedoria européia&lt;br /&gt;sabendo que existe uma Pastoral&lt;br /&gt;existe minha piedade&lt;br /&gt;&lt;span&gt; sabendo que "Estudo revela que porcentual de pessoas de 0 a 17 anos vivendo em extrema pobreza no País chega a 18,5%....etc...etc...etc..&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;wbr&gt;&lt;span class="word_break"&gt;&lt;/span&gt;."&lt;br /&gt;que é um Brasil que dizemos:&lt;br /&gt;não vejo&lt;br /&gt;não vi&lt;br /&gt;não tenho como&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;e por isso a imprensa me acalentará com notícias&lt;br /&gt;e as "notícias" virarão a "realidade"&lt;br /&gt;e eu vi o terrremoto de Lisboa&lt;br /&gt;e meu amigo que não me adula passar&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;não sei se devo dizer que vi, pois já me confundo,&lt;br /&gt;vi o garoto dos arcos na névoa da urina&lt;br /&gt;na noite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choremos de mãos dadas&lt;br /&gt;- golpes e sinais cristãos e espíritas com elas -&lt;br /&gt;por Zilda, a Santa e&lt;br /&gt;se lá do Céu onde repousa em placidez justíssima&lt;br /&gt;puder através da página peaceinworld.com.org emanar seus fluídos espirituais&lt;br /&gt;porque é o veículo sacro adequado para tal&lt;br /&gt;que o faça e então choraremos mais e mais mãos se juntarão às nossas&lt;br /&gt;e num dowload anti-tragoedia&lt;br /&gt;(inverte-se o canto do bode)&lt;br /&gt;dos escombros e braços mutilados a Igreja de Lisboa se reerguerá mais sublime e oiros e ouropéis outra catedral&lt;br /&gt;o Haiti será uma única música sincopada para dançar o Universo todo, restaurado,&lt;br /&gt;todos seremos irmãos e não mais lobos&lt;br /&gt;e a tela&lt;br /&gt;que é a Terra ela própria&lt;br /&gt;acolherá maternalmente a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando as lágrimas de exultate jubilate secarem nas gargantas contritas&lt;br /&gt;e o menino e sua ratazana de estimação vierem pedir um real para comer uma coxinha azeda&lt;br /&gt;o mundo será prosa de novo&lt;br /&gt;de novo "cada coisa tem seu tempo"&lt;br /&gt;e acenaremos que "não" para o menino&lt;br /&gt;pois "reza a lenda" que não se dá dinheiro para crianças na rua pq etc. etc. etc.&lt;br /&gt;lenda esta confirmada pelas estatísticas da Veja, da Microsoft e de Fukuyama e Chavez,&lt;br /&gt;da Deusa Agência de Notícias&lt;br /&gt;(Entidade nem lunar nem ínfera)&lt;br /&gt;e quem se alimentará então será a&lt;br /&gt;ascaris lumbricoides&lt;br /&gt;que o Dr. Dráuzio Varella chama assim mas que é a lombriga, a bicheira, o verme&lt;br /&gt;que roerá&lt;br /&gt;como verme que é&lt;br /&gt;o menino por dentro antes mesmo dele para o pó voltar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e olhe que voltará sem um terremoto-espetáculo&lt;br /&gt;quiçá uma hora depois de nosso "não" dado à ele&lt;br /&gt;e talvez quem chore vendo isso seja Zilda&lt;br /&gt;do céu ou do Inferno ou da Lapa onde esteja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8162211959936895822?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8162211959936895822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/01/elegia-shelleyca-for-zilda.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8162211959936895822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8162211959936895822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2010/01/elegia-shelleyca-for-zilda.html' title='...elegia shelleyca for Zilda...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S09Z2UZAytI/AAAAAAAAALg/mfo3Kg3sEnc/s72-c/flor-10672.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8147002631316684834</id><published>2009-11-10T08:33:00.000-08:00</published><updated>2010-10-28T06:45:59.584-07:00</updated><title type='text'>...oh sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SvmoqoNbagI/AAAAAAAAALY/YEpV0ikZEiY/s1600-h/santa-teresa.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402534678309333506" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SvmoqoNbagI/AAAAAAAAALY/YEpV0ikZEiY/s400/santa-teresa.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 400px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;Sim, creio que venha descendo a serra, cheio de euforia para desfilar. E de melancolia também. Afinal, minha vinda ao Rio, anuncida pelo Martim Pescador que vi nas pedras da Urca como o psicopombo de Logun-Edé, na praia onde joguei sua guia há tantos anos atrás pedindo que a cidade me recebesse, demorou oito anos para se concretizar. Tive que me preprarar, com cotas basilares de sofrimento, solidão, errância mas, substancialmente mais, com o mingau azul de Mozart e Rilke, e também criar uma taoísta paciência interpessoal - o carioca é de fato complicado de se lidar, pois se põe subjetivo em tudo, até para vender-lhe um aparelho de barbear.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vim para as terras de cá num vôo simbólico e fugitivo, como já anuncia a canção que deu o nome à este blog e até a imagem do avião antigo sobrevoando a Baía de Guanabara no início dele - uma coincidência bem conveniente, pois não terei que mudar o Eidos deste blog, deixando-o no tom do amarelo característico que lacera de suor os corpos nos famosos 40 graus daqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas frutificam e às vezes flutuam um pouco demais entre a Lapa e o Leblon, mas em todo caso estão vivas: o que significa que minha etapa infinita de jogar pás de cal em símbolos, amores, vinhos passados, parece ao menos estar se atenuando. Meu primeiro livro de poeta, "Salutz a Uma Dama Moura", as aulas que dou no Conservatório Nacional de Música e quiçá meu sempre adiado e agora em feitura mestrado, e mais uma miríade de possibilidades que fazem minha bile negra se entreter como criança, saciada. O que eu semeava em Sampa, e os vermes roíam felizes enquanto semente ainda, aqui tende a frutificar, pelo natural entusiamo carioca - volátil, repito, mas que se bem "alenhado", muito produtivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto não há de ser nada, nessas dores e cores, caríssimo Leonardo Locoselli, meu nonno fundador desta terrinha de expulsos citada: o ABC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desviemos o leme da jangadinha metalúrgica para as terras de Camila Pitanga e Ernesto Nazareth. Quero agradecer, então, à todos os meus amigos, quase todos artistas e loucos (lembremos de que época houve em que a "loucura" era sagrada) também: Thiago Amud, Cíntia Graton, Mariana Abreu, Ivo, Rodrigo Zaidan, Marcelo Moutinho, Márcio Motokane e Ênio, Lucio Magno, Sacha, Lucynha Lima e tantos outros que me trouxeram como cegonhas dentro de uma bacia de prata para cá, facilitado a vida deste suburbano naïf e histriônico e que ainda não aprendeu que café com leite aqui se chama "média". Não sem ódios e incompatibilidades recíprocas, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, já desci a serra cheio de euforia e, de fato, agora minha melancolia brinca como criança na areia da praia de Copacabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8147002631316684834?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8147002631316684834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/11/oh-sim-eu-estou-tao-cansado-mas-nao-pra.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8147002631316684834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8147002631316684834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/11/oh-sim-eu-estou-tao-cansado-mas-nao-pra.html' title='...oh sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SvmoqoNbagI/AAAAAAAAALY/YEpV0ikZEiY/s72-c/santa-teresa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-3864358810109695971</id><published>2009-10-11T17:54:00.000-07:00</published><updated>2010-02-25T14:13:42.071-08:00</updated><title type='text'>...Meu Pai...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Alberto Pestana Garcez foi homem de escolhidas e cultivadas “simplicidades” - de espírito aberto, jovial e sempre objetivo. Sua história, como toda história está fadada a ser, é a história de seu sangue, o encadeamento delicado de sua genética em sua gente, de frente para um passado sem som audível hoje. Tudo se explica, assim,  quando o rastro deixado resta e reluz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;...............&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4b1tTYXHfI/AAAAAAAAAMc/XV15eiNUGuk/s1600-h/2049210993_39a0558399.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4b1tTYXHfI/AAAAAAAAAMc/XV15eiNUGuk/s320/2049210993_39a0558399.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Manoel Pestana Garcez, muito jovem ainda, carregava areia em Tabua, uma vila dentro de um “Concelho” chamado Ribeira Brava, cidade próxima a Funchal, Ilha da Madeira, Portugal. Na Tabua - sua cidade natal aliás - aprendeu a ler e a escrever um pouco, como pagamento pelo serviço da areia carregada. Após, serviu vinho em Funchal numa adega para turistas ingleses, aprendendo a falar e conversar bem a língua estrangeira. A Ilha da Madeira era ponto turístico e de veraneio da Inglaterra, devido à sua privilegiada posição geográfica, bem à frente da Península Ibérica. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Manoel, “O Velho” - alcunha dada ao pai de Alberto por sua tez extremadamente clara, seus cabelos muito loiros e seus olhos de um translúcido azul meridional, compondo um biotipo estranho às características dos homens da Ilha – veio já moço para o Brasil, na década de trinta, para trabalhar primeiro em Santos e, logo após, na CMTC, em São Paulo, como motorneiro de bonde. Acontece que bem em frente ao seu trabalho, na Vila Mariana, existia uma pensão cuja proprietária - Isolina Rosa Vieira, casada duas vezes, uma em Portugal e outra no Brasil - abrigava os trabalhadores da empresa de bondes. Maria Rosa era uma das filhas de seu primeiro casamento, nascida em Trás-Os-Montes e Alto Douro, vindo ao Brasil diretamente para a cidade de Jaú -SP, com sua mãe já viúva. Chegando depois à cidade de São Paulo, Isolina e suas duas filhas Maria Rosa e Ana logo se habituaram ao clima e à agitação da ainda crescente metrópole. Para Maria Rosa, a trasmontana de negros cabelos e Manoel, “O Velho”, se cruzarem algum dia na pensão de Isolina, não precisou de muita ajuda do Fatuum. O casamento dos dois se deu e os filhos nascido d´ele foram Odete, Elza, Álvaro e Alberto, o caçula, nascido em 27 de agosto de 1946.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Citado pela irmã mais velha como “um menino esperto, inteligente e ativo”, aos doze anos o magro e alto Alberto começou a trabalhar na loja de lustres Bobadilha, morando na casa da Vila Mariana que seu pai construíra para a família. Estudara no grupo “Marechal Floriano” e trabalhou posteriormente, ainda jovem e também como balconista, na venda que sua irmã Odete montara. Mas sua vida profissional madura inicia-se em 64, na “Indústria de Arames Cleide – SP”, aos dezoito anos, onde é promovido a supervisor de vendas após, em 1970. Nesse intermédio, conhece, em uma batida de carro fortuita em uma noite de final de semana, aquela que seria sua futura esposa, a sãobernardense Márcia Locoselli, filha das tradicionais famílias Pequini e Locoselli – Luiz Pequini, o avô materno, hoje dá nome a uma das principais avenidas da cidade e Leonardo Locoselli, o outro avô, à outra rua próxima ao Paço Municipal de São Bernardo. Alberto Casou-se com Márcia em 19 de dezembro de 71, passando a residir em São Bernardo. De seu casamento nasceram quatro filhos: Luciano Locoselli Garcez (8/12/72), compositor, poeta e regente, Leonardo Locoselli Garcez (8/11/1975), geólogo, e os gêmeos Daniel Locoselli Garcez (8/1/1978), biólogo, e Adriano, técnico em computação. Sua experiência profissional, entretanto, continuaria, e em 77 desliga-se da antiga empresa em que trabalhava, para ser Gerente de Vendas da “Siderúrgica Fiel – Arames Especiais”. Para poder dar continuidade à sua formação profissional, decide-se por uma faculdade e, em 1984, estará se formando “Bacharel em Administração de Empresas e Comércio Exterior” pela “Universidade Metodista de Ensino Superior”. À convite, torna-se Gerente de Vendas da “Gold Indústria Metalúrgica”, de 1989 a 1996. Mas não pára de se especializar na área que sempre fora a sua especialidade, desde os tempos de balcão na antiga loja de lustres: faz os cursos de “Técnico em Marketing e Vendas” da Fundação Getúlio Vargas e “Desenvolvimento em Técnicas de Vendas pela ADVB”. Mas a economia nacional seria especialmente ingrata para o "menino esperto" da Vila Mariana, e seus planos pessoais. De 97 a 2005, monta com Márcia, sua esposa, uma microempresa, “Clarté – Artigos Finos para Banheiro”, que, passando por percalços e confusão administrativa, acaba por falir. Seus últimos anos de vida não foram exatamente os de uma história que o próprio merecesse: sofreu vários infartos, tendo sido transplantado  o seu coração em 23/09/2004, ficando tetraplégico por 60 dias. Voltou à vida por mais quatro meses, e dela se despediu, em 9 de março de 2005, numa quinta feira - cobalto como os olhos de Manoel, “O Velho”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De Manoel, a lembrança familiar mais forte de Alberto, viera o gosto pela matemática e uma inteligência aguda. “O Velho” tinha paixão por leituras, e delas especialmente Alberto sempre se lembrava da obra de Fernando Pessoa – não à toa os dois filhos de Manoel se chamariam Álvaro e Alberto, famosos heterônimos do poeta. Pois que Alberto parece ter herdado a diretriz estóica, quase proverbial, de lidar com o mundo, de seu homônimo literário Alberto Caeiro. É seu filho Luciano quem o presenteou, certa feita, com um livro de poemas de Pessoa onde Alberto - os dois ? – dizia: &lt;i&gt;“Quem está ao sol e fecha os olhos,/ Começa a não saber o que é o sol/ E a pensar muitas coisas cheias de calor./ Mas abre os olhos e vê o sol,/  E já não pode pensar em nada,/ Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos/ De todos os filósofos e de todos os  poetas./ A luz do sol não sabe o que faz/ E por isso não erra e é comum e boa.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E em aldeia da Tabua os Albertos, gajos mui espertos, estão a guardar seus rebanhos, pois que diante dos olhos dum além mar d´O Velho. E para sempre, pois que o Tejo nunca será mais belo que o rio da Aldeia desses homens azuis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'lucida grande';"&gt;&lt;i&gt;PS: na foto, um dos corações da "Madeira", a praia d´ela - parece um Caspar Friedrich senza Malinconia...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-3864358810109695971?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/3864358810109695971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/10/meu-pai.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3864358810109695971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3864358810109695971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/10/meu-pai.html' title='...Meu Pai...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/S4b1tTYXHfI/AAAAAAAAAMc/XV15eiNUGuk/s72-c/2049210993_39a0558399.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7191759726509118769</id><published>2009-06-26T08:07:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T08:32:00.705-07:00</updated><title type='text'>...chico mello (2)...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SkTouwubMmI/AAAAAAAAALI/LHeGeR91lAM/s1600-h/Mello.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351658147274240610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SkTouwubMmI/AAAAAAAAALI/LHeGeR91lAM/s400/Mello.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Voltando agora, em meio ao atarefamento geral de minha vida bonitinha mas ordinária, posto a conclusão de minha apresentação sobre o lírico Chico Mello - com as palavras do mesmo. Ao fechar dez entrevistas com diversos compositores e as análises musicais de suas obras, farei delas o conteúdo vivo de meu livro sobre a Canção Popular Brasileira Hoje. Segue a conversa:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;1. Luciano Garcez:&lt;em&gt; - Há no seu processo transcriador uma sutil/abrupta sobreposição de linguagens - ambas muito bem definidas: a da dita MPB clássica e seus bons bastiões (Noel, Pixinguinha, Jobim...) e o das sonoridades e resoluções estéticas da música erudita contemporânea. Diferente do compositor Armando Lôbo (ele está em post anterior no meu blog), que borra as linhas fronteiriças entre as dicções, você antes as mantêm - o que parece ser uma das forças motrizes de sua música. E o mais interessante é que o resultado não soa tensivo (discordante), mal se percebe os deslocamentos - há uma pureza de construção em seu trabalho que aponta para uma espécie de classicismo de fundo. Por que a não redutibiliblidade dos dois elementos envolvidos e por que o gosto pelo cristal sonoro e a transparência medular ?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Chico Mello: - Comecei a justapor essas duas linguagens quando resolvi não mais fazer "arranjos" mas sim des-arranjos e re-composições, para aproximar mais minha percepção de compositor experimental à de intérprete de canções. A partir daí passei a me interessar em des-"cobrir" os aspectos fundamentais de cada canção, começando por me perguntar o que mais me atraía em cada uma delas. Aí minha longa experiência de compositor de música contemporânea me permitiu fazer buracos no pacote "canção", para me envolver com os "sucos" contidos nesses compartimentos. Acho q essa engenharia composicional me ajuda a me entregar à experiências emocionais mais intensas, principalmente através de um aprofundamento da vivência do tempo. Quem sabe a sensação de simultaneidade não discordante de linguagens e não de fusão advenha desse aspecto ? : o tempo dilatado envolve tudo de maneira muito hospitaleira, dissolvendo eventuais conflitos de poder entre as linguagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Luciano Garcez: - &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Sua formação musical originária é de violonista, o que naturalmente o levaria - em seus primórdios como músico - a comungar com a historicidade de fixidez da MPB de hoje, repetindo-a. Em qual momento de sua vida estética você resolveu transgredir as linguagens-farpadas e ser Ligetiano e Cartola?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Chico Mello: - Um pouco já respondi acima. Mas me lembro de alguns momentos importantes. Participei de uma montagem do "Song-Book" de John Cage por volta de 1988. Trata-se de uma volumosa partitura gráfica e convencional, que fornece muito material sonoro e cênico para ser montado seguindo certos critérios. Em algumas peças os intérpretes escolhem seu próprio material cênico fazendo uma lista que pode ser reduzida ou bem extensa. Em vez de material cênico, resolvi deslocar o conceito, colocando em minha lista canções que eu cantava aqui em Berlim para meu ganha-pão em bares e restaurantes. Essa "lista" era alterada segundo uma partitura de números (um dos "solos" do Song-Book). O resultado é uma espécie de meddley de fragmentos de canções intercaladas por silêncios: ilhas sonoras q se repetem sempre com alguma variação. Trabalhando com a violonista Silvia Ocougne fizemos outra versão desse conceito sob o título de "John Cage na praia": cada um de nós excecutava sua lista simultaneamente. Nesse duo desenvolvemos também vários conceitos de improvisação não jazzística com o cancioneiro da MPB e com o repertório violonístico brasilleiro. Me lembro também de outro momento importante: de visita em Curitiba por volta de 1991, resolvi fazer alguns "arranjos" para tocar com amigos de minha época de músico "instrumental" em um show patrocinado pela IBM. Meu amor pela canção "Eu te amo" de Tom Jobim e Chico Buarque me levou a dilatá-la no tempo, "compondo" com o material já pronto; ou seja, e vez de compor com acordes, melodias e ritmos eu compunha com trechos, com amostras prontas, com "ready mades" de canção. Percebi assim dissolverem-se as fronteiras entre composição e arranjo. Me senti tão "em casa" que passei a adotar quase sempre esse critério, também em minhas composições para grupos de câmera e orquestra: sempre algum material "pronto", familiar, meu ou de outrem, para não me sentir sozinho em minha vida de nômade, de migrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Luciano Garcez: - &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Sua voz de tenor miúda, gilbertiana, e sua ductilidade de fraseado - que faz com que você nunca frature "simbolicamente" a melodia - poderia aquiilatá-lo como um "lírico", o que se confirma também pela escolha do "repertório" (Carolina, Rosa, etc...). Sente-se bem dentro desta amplíssima generalização, quando o reputo um "Lírico" ?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. Estudei por alguns anos canto indiano (dhrupad) e percebi que há uma curiosa ligação entre a forma relaxada de cantar de João Gilberto (e também de Chet Baker) e da técnica indiana. A base é sempre o relaxamento, que acaba sendo lírico. Acho que a dilatação do tempo e o o foco no detalhe dos fraseados vem muito dessa minha experiência. E também me interessa a distensão da experiência emocional que a canção propicia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Luciano Garcez: - &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;O que significa para você - e dentro do que faz - a sigla MPB hoje ? Acha, como seu xará Buarque, que a canção brasileira bateu as botas, que é um fenômeno "circuncristo" ao século XX ?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acho que MPB virou mesmo Música Pop Brasileira. Não existe mais o substrato social que gerou a MPB. Mas existe o vasto cancioneiro. No entanto é preciso lembrar q o "Pop" é muito mais criativo do que muitas vezes parece. Infelizmente o main stream é mais limitado/limitante por estratégia mercadológica, enquanto o campo da música pop é muitas vezes paradoxalmente mais aberto do que o da música chamada de experimental!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;5. Luciano Garcez: - &lt;em&gt;Se o Presidente da República, por meios oficiais e para o jubilar carnavalesco da Nação, encomendasse ao Francisco Mello de Lisle um novo Hino da Independência, sabendo-se que o "já podeis" de Dom Pedro é uma chatura sub-marselhesa, o que o Chico Faria ? O que diria ele, na letra, sobre a moderna "Liberdade" mundial e brasleira ? Que melodias épicas, que fórmulas de canto da horda, enfim, qual seria o hino de Chico (!?)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Me sentiria honrado com a encomenda, mas acho que não me interessaria fazer um hino desses – não sei falar por muita gente...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Luciano Garcez: - &lt;em&gt;Um "lírico" só poderia responder isso, minha pergunta foi épico-desconstrutiva, da estiva de Santos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;PS: Para saber e ouvir Chico Mello, de novo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&amp;amp;Nu_Disco=8133"&gt;http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&amp;amp;Nu_Disco=8133&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.latinoamerica-musica.net/bio/mello-po.html"&gt;http://www.latinoamerica-musica.net/bio/mello-po.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;e principalmente:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/chicomello"&gt;http://www.myspace.com/chicomello&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7191759726509118769?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7191759726509118769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/06/chico-mello-2.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7191759726509118769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7191759726509118769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/06/chico-mello-2.html' title='...chico mello (2)...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SkTouwubMmI/AAAAAAAAALI/LHeGeR91lAM/s72-c/Mello.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4442447563558485994</id><published>2009-05-11T16:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T16:56:34.588-07:00</updated><title type='text'>...chico mello (1)...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sgi50nVLrdI/AAAAAAAAALA/6AtLrP3y-JU/s1600-h/Cover_TG-1008.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334718072182517202" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 151px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sgi50nVLrdI/AAAAAAAAALA/6AtLrP3y-JU/s400/Cover_TG-1008.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Chico Mello – “Do Lado da Voz”, 2000.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dando continuidade à construção de um Paideuma de autores significativos da atualidade - e, por causa disso, afastados da grande mídia, como forma de punição antierótica - posto uma crítica sobre um CD de um outro Garcez sem eiras...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trabalho inteiro na confluência de duas linguagens, a da música erudita contemporânea e os seus achados se misturando à povera canção brasileira. Trabalho que força os limites divisores entre os vocabulários às vezes estanques destas duas línguas... Assim se faz todo o cristalino CD do compositor Chico Mello, &lt;strong&gt;“Do Lado da Voz”,&lt;/strong&gt; lançado pelo selo que fora dirigido por Arrigo Barnabé e Carlos Careqa, gente que tem o saudável hábito de olhar por sobre as cercas e as varandas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O disco abre respingando fortes azuis, bonito como a capa, com a música &lt;strong&gt;“Achado&lt;/strong&gt;”. Com letra coloquial-taoísta de Carlos Careqa, de resultados como &lt;em&gt;“tem tanto medo na minha coragem&lt;/em&gt;” ou &lt;em&gt;“Ah! Machado quem te ensinou a escrever ?&lt;/em&gt;”, a canção está toda composta sobre uma base em ostinato feita pelo violão, piano, percussão, violinos e contrabaixo. O timbre claro de Chico, de registro agudo, enuncia longamente os “achados” aforísticos que vão se sucedendo, com saltos melódicos precisos. A duração- cerca de oito minutos – é ampla, fato inusitado para a pouca minutagem na qual se convencionou cercear a canção: canções longas são uma marca deste CD, onde se respira um ar mais generoso e a música, quando se repete, é porque tem muito boas razões e vem sempre levemente diferente... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Cara de Barriga&lt;/strong&gt;” possui poética sutil, feita através de aproximações visuais entre a gravidez humana (a “forma” da barriga) e “coisas que contém”: mala, ovo (outra forma de ser e estar antes do nascer), a casa... O processo em processo, no canto que diz “&lt;em&gt;o rosto é a vida da minha cara se chamará Clara, João ou Antonia...”&lt;/em&gt;. O canto sussurrado, cheio de ar e pontuado de silêncios, mostra a visível influência, apreendida e muito bem solucionada, de Walter Franco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, dentro de um disco que é pura beleza e procura de linguagem, Chico parte para encarar a tradição e nos dá seis belas releituras: três “da antiga”, com Herivelto, Pixinguinha e Noel Rosa, e duas pós bossa-nova, com Chico Buarque e Tom Jobim. Em &lt;strong&gt;“Pensando em ti”,&lt;/strong&gt; canção de Herivelto Martins e David Nasser, em duo com Nelson Gonçalves, há um diálogo literal com o tempo da tradição: a voz sampleada de Nelson desponta em vários momentos, sendo sobreposta ao canto de Chico ou aparecendo apenas para dar continuidade ao mesmo canto. Ouçam como do meio para o final a canção é “remontada”, explorando o significado resultante dos fragmentos que se encontram, criando uma polifonia de significados – reparem o que se faz com a palavra “Deus”. Como foi feita, “&lt;strong&gt;Pensando em ti&lt;/strong&gt;” é um exemplo empolgante de como as releituras podem ser criações legítimas, desde que não relegadas à pura repetição bem vestida de arranjos “sofisticated” mas insossos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A interpretação de &lt;strong&gt;“Mentir&lt;/strong&gt;”, de Noel Rosa, em um registro mais delicado e irônico, é feita por violão e um improvável trompete bucal de Bukhard Schlothauer. Com "&lt;strong&gt;Já Cansei de Pedir&lt;/strong&gt;", também de Noel, há um hábil deslocamento rítmico, agora com o sax real de Helinho Brandão fraseando junto com a voz, caminhando o deslocamento do violão e dos samplers de "&lt;strong&gt;Amarelinha"&lt;/strong&gt; (uma obra sinfônica do próprio Chico) para um final abrupto e certo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A gravação de “&lt;strong&gt;Carolina”,&lt;/strong&gt; de Chico - o Buarque - quem vem em seguida das de Noel, continua na linha do samba intimista e reflexivo deste último. Só que aqui o que Chico (Mello) faz é a releitura da releitura contida na gravação de &lt;strong&gt;“Carolina&lt;/strong&gt;” feita por Caetano Veloso para o seu disco de 69, pré exílio. Faz-se um canto pausado, cheio de silêncio entre as inflexões melódicas da canção. O silêncio é, justamente, a mão ordenadora desta versão, estendendo ao vazio e à condição de eterno monólogo a sensação de isolamento que a canção de Chico Buarque potencialmente contém. Nos textos que acompanham cada música do CD, que são da autoria do próprio Chico Mello, e onde o autor funde impressões biográficas de modo poético e filosófico, vai um mapa do que se ouve em sua interpretação: &lt;em&gt;“Solidão – os músculos prendem a saída do ar. Despedir-se e ver que continuo funcionando: cada um come quando precisa. Facilitar o que é possível para o outro e vê-lo a ir só no seu caminho. Perceber a máquina desejante se acoplando a outras diferentes da máquina que mais se deseja. Não é repulsão. (Antonina, 08.92)”.&lt;/em&gt; Pois é, como diriam os Chicos, eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há também uma versão de &lt;strong&gt;“Eu Te Amo&lt;/strong&gt;”, que ressalta o lânguido cromatismo e o quase atonalismo potencial da canção de Chico Buarque e Tom Jobim. O acompanhamento, pontual, esparso, de clarinetes, piano, baixo e percussão, envolve a voz que alternadamente flui e é interrompida, titubeia, pára e pensa no peso da palavra que ela mesma diz. “&lt;em&gt;Ah, se já perdemos a noção da ho.........................ra”&lt;/em&gt;. É uma voz que “sente” no truncamento, na aflição, como na gagueira afetiva de “&lt;em&gt;meu sangue e...e....e...errou de veia e se perdeu&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra parceria com Carlos Careqa, a canção &lt;strong&gt;“Chorando em 2001&lt;/strong&gt;”, que já foi gravada no CD “&lt;strong&gt;Música para Final de Milênio”,&lt;/strong&gt; de Carlos. Mais Lao- Tsé em frases como &lt;em&gt;“sabendo eu nada sei no fim do mundo sei que sempre tem o Tao”&lt;/em&gt;, a melodia é a de um choro-canção – esperançoso e meio brejeiro - emoldurado em um arranjo bem costurado e sem excessos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De novo o silêncio surge ordenador, pleno de significados, em “&lt;strong&gt;Valsa Dourada&lt;/strong&gt;”, da autoria de Chico Mello. Uma melodia dolente, típica das antigas valsas brasileiras e de acento edulobiano, se vê subitamente continuada no meio da canção por solos de bandoneon – reparem mais uma vez na sofisticada fusão de timbres – e violino. Já “&lt;strong&gt;Rosa&lt;/strong&gt;”, o clássico de Pixinguinha, já não é mais uma valsa, ao menos no andamento. De novo, há a fusão de delicadas sonoridades: o darbuka (percussão do oriente médio) com os violões, soando juntos em uma base rítmica repetitiva, enquanto a voz desenovela placidamente a letra parnasiana e artificiosa da canção. Em contraposição à &lt;strong&gt;“Valsa Dourada”&lt;/strong&gt;, canção que a precede na ordem do CD, em &lt;strong&gt;“Rosa”&lt;/strong&gt; não há pausas ou brechas de silêncio, tudo se compondo em um fio contínuo, sem respiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O CD está concluído com &lt;strong&gt;“Paramá&lt;/strong&gt;”, um jogo hábil com o sentido e a sonoridade da palavra “para”: como preposição, em suas infinitas combinações, e como verbo (pára). O refrão, que funciona como unificador da mensagem espalhada pela canção diz, exato: &lt;em&gt;“paramá, paramá, para não parar...&lt;/em&gt;”, indicando claramente o viés, ou melhor, a seta para onde aponta a canção. A letra de Walney Costa dá o ensejo para o desenvolvimento da mais longa canção do CD – por sinal, a última, e onde há como que um resumo das idéias e caminhos buscados pelo autor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com esta crítica pretendo dar reinício ao meu livro de há muito guardado, "&lt;strong&gt;A Canção Brasileira Agora"&lt;/strong&gt;, onde faço um apanhado - seletivo e exigentíssimo - de autores para que se entenda de uma vez por todas que a Canção Tupinambá não está morta: teve uma síncope sim, mas ressuscitou no terceiro dia e ainda não está sentada à direita nem de Deus nem do Nome do Pai (chame-se este Pai de Chico, Caetano ou Clubinhos da Esquina diluídos...). Farei a seguinte ordenação metodológica: análise compreensível e sem vícios do ofício poetante (para qualquer cantora mediana - pleonasmo ? - ler e sorrir aurorazinhas...) e, em seguida, uma entrevista muitíssimo viva: isto é, com a peixeira estalando na rinha estética. Comecei com o aríete Armando Lôbo, e continuo com as especiarias alemãs de Mello. Vejamos o próximo....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para saber e ouvir Chico Mello:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&amp;amp;Nu_Disco=8133"&gt;http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&amp;amp;Nu_Disco=8133&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.latinoamerica-musica.net/bio/mello-po.html"&gt;http://www.latinoamerica-musica.net/bio/mello-po.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e principalmente:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/chicomello"&gt;http://www.myspace.com/chicomello&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4442447563558485994?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4442447563558485994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/05/chico-mello-1.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4442447563558485994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4442447563558485994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/05/chico-mello-1.html' title='...chico mello (1)...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sgi50nVLrdI/AAAAAAAAALA/6AtLrP3y-JU/s72-c/Cover_TG-1008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2125543654427608608</id><published>2009-04-28T05:31:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T06:09:46.057-07:00</updated><title type='text'>...manifesto da povera arte canção popular...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sfb_uK3ILjI/AAAAAAAAAK4/ZvW-pVMiM9E/s1600-h/camelo-da-rua-larga-poster01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329728377694203442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sfb_uK3ILjI/AAAAAAAAAK4/ZvW-pVMiM9E/s320/camelo-da-rua-larga-poster01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sfb_OCrYKXI/AAAAAAAAAKw/shuocKEfvnY/s1600-h/camelo-da-rua-larga-poster01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329727825741621618" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sfb_OCrYKXI/AAAAAAAAAKw/shuocKEfvnY/s200/camelo-da-rua-larga-poster01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A Razão disto aqui ? É trois simples, simplérrimo: temos uma excelente produção artística que não corre pelas veias da sociedade por não possuir um "invólucro" adequado. O artista realmente significativo em canção produz mais do que o mercado comporta em seu balaio, fala mais alto do que o glacê de delays frufrus, e está sempre esperando ter grana ou que algum mecenas iluminado banque o seu delírio salutar. Pois bem, há 8 anos atrás me fiz esta pergunta: por que precisamos esperar que o disco soe perfeito tecnicamente e aguardarmos por isso anos para sermos ouvidos por muitos, ao invés de gravarmos mais com um mínimo recurso e assim distribuir e comunicar muito e amplo o que fazemos ? Esta minha intuição veio se confirmando cada vez mais, ano por ano: não é a PERFEIÇÃO DE OURIVES QUE CONTA, MAS A TEMIDA FOURCE FLAUBERTIANA. Vejamos qual é a direção/PRODUÇÃO artística que está nos vídeos de zilhões de acessos do Youtube... Nenhuma ou quase. Enquanto isso, discos "puros" sonoramente e de emasculadas lingeries adormecem languidamente nas prateleiras do Tempo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis o que escrevi, e ressalto, não se TRATA DE UM MANIFESTO ESTÉTICO - isso seria de uma puerilidade de visitante de Marte, porque nossa Época já se encarregou de coisificar o Estético. O que exponho aqui é uma MANIFESTO TÉCNICO-OPERACIONAL, termo que agrada mais aos nossos ouvidos e tem uma aplicação prática efetiva. Tenham a paciência de ler, meus queridos, pois muita coisa que se gasta em infrutíferas discussões está aqui exposta e (talvez) parcialmente resolvida:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;M A N I F E S TO&lt;br /&gt;D A P O V E R A A R T E C A N Ç Ã O&lt;br /&gt;B R A S I L E I R A P O P U L A R&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Q U E R E N D O P O P U L A R - S E&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estamos buscando a (m)Mídia como suporte mas não as dores (M)mídia inatingível infinitude de dólares proibitiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;portanto qualquer mídia que audível e satisfatória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque estejamos sendo representados pelo suporte que escolhemos além do tempo que nos estagna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fim de sonhos de elaboração cristalina por estúdios de infinitos canais e mixagens em New Yorks mondiali&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem estarmos contra a elaboração cristalina apenas que não condição proibitiva de surgimentos e raros insurgimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acesso da criação pura à sua reverberação por todos os cantos - portanto proliferação caótica da poética que quis alçar seu vôo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pela desmitificação do artista enquanto voz laureada via país eixos culturais revistas amortecidas etc. visto que não são mais respostas medidas confiáveis pelo visto e ouvido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;criação de público via direta contato mas também mídia convencional se for o caso mas o caso não é único e não esperaremos o galo cantar na soleira da porta do sol fixo-rascante do Mercado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que de melhor surgido dez anos para cá todos calados e muito vivos já vinte trinta quarenta anos antes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apresentações em todos os lugares formações possíveis ações diretas e calculadamente indiretas por isso não ao cult célula sem fome underground de chaveiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;não &amp;amp; nãos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: ilusões perdidas perfeições técnicas solos firmes hiperacabamentos números recordes de samplers imbecilidades anacrônicas celebração fisiológica e bandagens afins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;sins:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; o que se pode e deseja e faz-se então como sinal e movimentos para que o fruto amadureça para que assim não emudeçamos as fontes antes do jorro de espontâneas fontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim criando humanamente selos rádios links vivas revistas gostos demos lembranças distribuição viável intercâmbios esferas e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;cinzas &amp;amp; carnaval &amp;amp; inanidade &amp;amp; vitrolas vítreas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ataulfo (o Alves) confessou-me ter diminutos conhecimentos musicais” (1)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Lamartine (o Babo) costumava “reformar” músicas de outros compositores, as quais, por um motivo qualquer, não haviam obtido sucesso. Alterava-lhes a melodia, tentava outras palavras, fazia modificações que julgava oportunas e submetia a peça ao próprio autor.” (1)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Acredito que todo compositor que como eu, não sabe música, compõe imaginando a linha melódica, confrontando semelhanças com outras canções, pesando a força lírica, procurando as palavras. Em geral, faço minhas músicas andando na rua, nos lugares em que posso falar sozinho (Dorival, o Caymmi)” (3)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Edu (o Lobo) admite o impacto da “batida” do violão de João de João Gilberto sobre sua música, mas vê seu próprio trabalho como uma ramificação da bossa nova, já que, como outros músicos de sua geração, tende muito mais a misturar peças diferentes do repertório musical do que a lidar com um estilo claramente definido. É nesse sentido que Edu reconhece que sua formação musical foi fortemente marcada por Villa-Lobos, cuja flexibilidade lhe serviria de parâmetro para misturar a informação que tinha sobre música nordestina – já que, por questões familiares, passava a férias em Recife até os 18 anos ouvindo de tudo, “coisas populares, frevos e o que vinha da rua” - com toda a escola harmônica que tinha aprendido com a bossa nova.” (4)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“ Paul Hindemith: a música, qualquer que seja o som e a estrutura que adote, continuará sendo um ruído sem significado se não sensibilizar um espírito receptor.”&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Em 1995, o manguebeat não apenas era tido como um dos mais originais movimentos musicais surgidos nas últimas décadas, como foi responsável por uma revolução em sua terra de origem. Pela primeira vez desde a década de 60, os pernambucanos mostraram uma auto-estima comparável à dos baianos. O Recife entrou em estado de ebulição cultural.” (5)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“O povo, esta entidade que, na República, de há muito já morreu, vive no carnaval os seus dias maiores de alegria e prazer. Canta, porque assim espanta os seus males, e canta somente músicas leves, fáceis, de pronta assimilação (esse termo é do Sinhô) , aquelas que, na primeira audição, ficam gravadas no ouvido e no coração. Quais as grandes sucessos do carnaval carioca ? porventura, meu caro Terra, você já viu pegar no carnaval alguma melodia que não fosse banal e e mesmo enjoada ? Fazer para o povo músicas difíceis e complicadas é perder tempo. Só isso. – Ary (o Barroso) respondendo para Pixinguinha (o Alfredo Rocha) uma sua crítica mordaz.” (6)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“se tu foges tempo&lt;br /&gt;só me traz ansiedade&lt;br /&gt;respirar o amor&lt;br /&gt;aspirando liberdade’ (7)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Mais. A própria hierarquia tradicional entre compositores, executantes e espectadores está sendo destruída. Três razões. 1a : as atividades dos compositores de música “indeterminada”, em que que os executantes não fazem apenas o que lhes foi mandado fazer, mas tem o ensejo de optar e decidir , cooperando como compositor. 2a : a tecnologia – assim como hoje qualquer um se sente capaz de tirar uma fotografia , no futuro próximo, usando recursos de gravação e/ou sistemas eletrônicos, o espectador se sentirá encorajado às atividades de compositor e executante. 3a: já não há diferença essencial entre música séria e música popular, ou, pelo menos, uma ponte existe entre elas - o uso comum dos mesmos sistemas de som, dos mesmos microfones, amplificadores e alto-falantes.&lt;br /&gt;Cage acentua que, no caso de grande parte da música popular e de algumas músicas orientais, as distinções entre compositores e executantes nunca foram claras. A partitura não se interpõe entre o músico e a música, as pessoas simplesmente se reúnem e fazem som. Improvisação. Que pode ocorrer dentro das limitações da raga e do tala indianos ou livremente, num espaço de tempo, como os sons do contexto, no campo ou na cidade. E assim como o ritmo aperiódico pode incluir o ritmo periódico, as improvisações livres podem incluir as estritas, e podem até mesmo incluir composições. A Jam Session. O Musicirco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7&lt;br /&gt;com a aJuda de Kuang-Tsé&lt;br /&gt;“uma mulher bOnita&lt;br /&gt;que agrada aos Homens&lt;br /&gt;quaNdo&lt;br /&gt;Cai&lt;br /&gt;nA&lt;br /&gt;áGua&lt;br /&gt;assusta os pEixes”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9&lt;br /&gt;viaJando&lt;br /&gt;para o futurO&lt;br /&gt;em meio à velHice do&lt;br /&gt;preseNte&lt;br /&gt;Com&lt;br /&gt;o passAdo&lt;br /&gt;na baGagem&lt;br /&gt;dE mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;deseJando&lt;br /&gt;a tOdos&lt;br /&gt;HAPPY&lt;br /&gt;NEW EARS&lt;br /&gt;Curiosidade&lt;br /&gt;mudAnça&lt;br /&gt;e desape Go&lt;br /&gt;ao sucEsso&lt;br /&gt;(Mesósticages) (8)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Nós somos animais hominóides.&lt;br /&gt;Animais assassinos e animas loucos, neurotizados sempre, em direção ao hediondo e ao sublime. A neurose é o grande niilismo que tem mil nomes. Só o fim do niilismo seria o início de uma nova era. O novo sistema nervoso feito de sutis teias de aranha e energia laser dentro do corpo, como o Ken chinês (energia do Tao, Tai – Chi), ou o grande orgasmo azul (pansexualizado).&lt;br /&gt;Nós somos uma contínua combustão termonuclear.&lt;br /&gt;Como o sol, as estrelas.&lt;br /&gt;Dos gregos pré-socráticos até Nietzsche e Heidegger e agora nas Américas negras com o swing e profundidade trágica. O homem do futuro e do presente: uma salada de frutas, a mistura total, que vivencia mil espaços culturais por segundo. E o espaço cultural da tecnologia é ambivalente, ambíguo, fluídico, e sua densidade se alimenta no núcleo do Eros e do swing que a grande cultura negra nos trouxe como presente das selvas africanas para as selvas da tecnologia das cidades urbanas.” (9)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“O mercado pós-moderno é baseado em ciclos rápidos de posição e reposição da história dos gêneros, a liquidação dos estoques da loja ocidental, a queima dos estilos. Lyotard disse que a moda é o classicismo de uma época sem permanencia, sem verdade. Se as linguagens perderam a tônica, a moda dá o tom.&lt;br /&gt;Esse contexto cria um tipo de ouvinte específico: o consumidor que atribui uma cotação fetichista à última raridade. Para esse a única verdade é que o futuro já chegou, como graça, para os que podem comprá-lo. Ao mesmo tempo, como o futuro não pára de chegar, é preciso se autovalorizar através de um consumismo ativo, supostamente seletivo e acelerado. A dependência subdesenvolvida só acirra a ansiedade (em relação à novidade estrangeira). A crítica musical que se encaixa neste modelo valoriza o artista enquanto este for privilégio do crítico, e o desvaloriza assim que o público geral tiver acesso a ele.&lt;br /&gt;No conjunto da repetição serializada toda a história sonora torna-se lixo, e sucata para uso publicitário. Não há espaçamento: as novidades e as antiguidades se misturam sem tempo, sem o intervalo do silêncio. A série repetitiva remete todo som ao ruído. O tempo integral da mídia não faz, não conhece e não admite o silêncio.&lt;br /&gt;O filtro do silêncio é imprescindível à escuta. O silêncio augural, vertical, é o crivo que torna possível uma arte contemporânea. Da canção à obra de arte total as obras que ressoam são aquelas que tomaram o banho lustral no zero do código.” (10)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Mas a música continua em jogo ? Nossa civilização acaso não engendrou uma nova arte, cujos conceitos estéticos faltam definir e o vocabulário estético a forjar ? É provável, e as perspectivas não carecem de interesse.” (11)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Nossa linguagem “é”, seja –mecânica – atomística – ou dinâmica. A linguagem genuinamente poética deve porém ser organicamente viva. Quão frequentemente sentimos a pobreza de palavras – para atingir várias palavras de um só golpe.”(12)&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;“Nós, brasileiros, nesse quadro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feito e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na “ninguendade”. Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros. Um povo, até hoje, em ser, na dura busca de seu destino. Olhando-os, ouvindo-os, é fácil perceber que são, de fato, uma nova romanidade tardia mas melhor, porque lavada em sangue índio e sangue negro.” (13) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;@&lt;br /&gt;“Demócrito de Abdera: É preciso forjar muitos pensamentos, não muitos conhecimentos” (14)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;FONTES:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1. “A canção Popular Brasileira”, Vasco Mariz.&lt;br /&gt;2. Vasco Mariz, entrevista dada à Revista de Música Popular (No 4, janeiro 1955)&lt;br /&gt;3. “Da Bossa Nova à Tropicália”, de Santuza Cambraia Naves.&lt;br /&gt;4. “ Do Frevo ao Manguebeat”, de José Teles.&lt;br /&gt;5. “No Tempo de Ary Barroso”, Sérgio Cabral.&lt;br /&gt;6. Sucesso comercial da axé music da década de 90, na voz de Daniela Mercury.&lt;br /&gt;7. “Música de Invenção”, Augusto de Campos.&lt;br /&gt;8. “Fundamentos do Kaos”, Jorge Mautner.&lt;br /&gt;9. “O Som e o Sentido – uma outra história das músicas” – José Miguel Wisnik.&lt;br /&gt;1o. “História Universal da Música”, Roland de Candé.&lt;br /&gt;11. “Pólen”, Novalis (trad. Rubens Rodrigues Torres Filho).&lt;br /&gt;12. “O Povo Brasileiro – a formação e o sentido do Brasil” – Darcy Ribeiro.&lt;br /&gt;13. “Os Pré-Socráticos – Os Pensadores” – vários tradutores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2125543654427608608?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2125543654427608608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/manifesto-da-povera-arte-cancao-popular.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2125543654427608608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2125543654427608608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/manifesto-da-povera-arte-cancao-popular.html' title='...manifesto da povera arte canção popular...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sfb_uK3ILjI/AAAAAAAAAK4/ZvW-pVMiM9E/s72-c/camelo-da-rua-larga-poster01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4533186326437642393</id><published>2009-04-18T13:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T14:23:09.489-07:00</updated><title type='text'>...thelonious monk - ou sexo, prozac ... rock and roll...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SepD1R4u2XI/AAAAAAAAAKo/q2vI085oE5w/s1600-h/Thelonious+Monk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326144091932514674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SepD1R4u2XI/AAAAAAAAAKo/q2vI085oE5w/s320/Thelonious+Monk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e no começo éramos célula e nós apenas e jardins suspensos sobre o desesperado cosmos e big-bangs bíblicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e selvas savanas sílfides seráficos gritos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e perpetuamos o temor todo trêmulo e fundamentos de cidades e a luxúria contida da ciência&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;então subscrevemos os sonhos em livros de esmeralda e porões russos ocres de fuligem e guilhotinas escusadamente plácidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e os últimos capítulos da rota programação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e não quisemos como éramos no princípio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;cientifizanomos para tal os jardins e câncercarcomeu-se a célula e o cosmo cansado caiu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;então o código se fez carne e ai de nós que não sejamos um emparelhado numérico dançante e ai de nós sem as clareiras algébrico-esqueléticas da palavra estatística e ai de nós que trouxemos de volta Eros de seu AVC &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;o mesmo coração explodido estilhaçado esganado e enganado de Maikóvski - Cobain -Werther - Raul Pompéia - Hemingway&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e no mundo abarrotado de bandas militares e telas de líquidos cristais sonolentos somos o indivisível que se empresa que se faz farás que se faz profile que se faz logout que se faz microchip que se faz microsoft que se faz satélite que se faz ondas que se faz faz faz faz O&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;f a z &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;sobre um límpido sobre &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;seguindo subterrâneo o que&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;no começo &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;éramos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;PS: poema feito para ser ouvido - e de fato o foi... - ao som de Thelonious, um dos únicos jazzistas que suporto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4533186326437642393?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4533186326437642393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/thelonious-monk-ou-sexo-prozac-en-rock.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4533186326437642393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4533186326437642393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/thelonious-monk-ou-sexo-prozac-en-rock.html' title='...thelonious monk - ou sexo, prozac ... rock and roll...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SepD1R4u2XI/AAAAAAAAAKo/q2vI085oE5w/s72-c/Thelonious+Monk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4173802108498326855</id><published>2009-04-10T15:43:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T16:27:13.494-07:00</updated><title type='text'>...sal&amp;saliva&amp;saravá&amp;salomão...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sd_UhpIzDJI/AAAAAAAAAKg/xjN1U-GqDFw/s1600-h/pan-cinema-permanente-a-critica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323206959018740882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sd_UhpIzDJI/AAAAAAAAAKg/xjN1U-GqDFw/s320/pan-cinema-permanente-a-critica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Falta-me tempo. Para coisas e causos descontados. A Performance que preparo, junto ao CD e ao meu novo show-mitopoético “País de Dores Anônimas” tragam minhas energias. Ainda bem que, como bom bipolar que sou, minha fase agora – hipohiper – me ajuda aquecendo as turbinas até para além da conta humana. E uma nova Diotima reencontrada me consola das quedas óbvias, ela de olhos castanhos e de uma pureza jovem, entre as árvores velhas que nos olham, protetoras.&lt;br /&gt;Revirando-revigorando antigas conversas-emails aqui, descobri um que troquei com Zé Miguel Wisnik, nos idos de 2003. Costumávamos traçar, como ele dizia, “pontos luminosos em comum”. Pois bem, quando da morte do grande filho de Eros Waly Salomão, fiz um sentido poema – quase uma incelença -, e o troquei com Zé Miguel. Reproduzo, na seqüência, nossos supra-referidos pontos luminosos – que o poema, apesar de circunstancial, não é ruim de todo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caríssimo Luciano,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;o teu poema me fez muito bem, &lt;/div&gt;e harmoniza as esferas em "alaúde, cuíca epau-de-chuva" -&lt;br /&gt;para lembrar um verso do Waly.&lt;br /&gt;Forte abraço do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Zé Miguel"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;sobre Waly Salomão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;caro amigo....&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;uma perda irreparável no mundo das culturas Brasis,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;uma vozúltima...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;um poeta e letrista e diretor e contraculto mais jovem que a&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;maioria da alma jovem que compõe o cast das nossas novas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;safras de poetas, letristas etc...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;alguma coisa para ele, então, vai seguindo adiante...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;a voz de salomão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;num tempo de chatice ideológica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;de gente se olhando através de olhos mágicos de portas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Sélficas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;teu riso bárbaro era o buraco mais embaixo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;a caixa de Exu-Pandora aberta na encruzilhada das raças&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;escuras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;podias compor zadjal, uma sextilha num samba&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;ou algo doce e melhor e vital como o mel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;li entrelinhas de teu falecimento muitas paixões pela vida...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;eras então vísceras-vital - ah, tão !!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;oriundo da época do amor, do Amor cobrindo todas as coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e fecundando-as&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;com a alva saliva salgada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;das ondas da tua palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;não Creio, valha-me Deus !&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;tão poucamente sou agnóstico: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;entrerisos&lt;br /&gt;proclamo-me:&lt;br /&gt;"diagnóstico"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;não pedindo benção ou que o diabo vá pra longe,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;sei que estarás na condição de cântico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;- ah poetas da Lusáfrica convulsa, invejai como eu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;a estrela da tarde que pontilha um cristal de lâmina gelada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;na galeria de céus da cidade...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;supremo sopro este&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;estás mais romântico que nunca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;à leste da última Jequié&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;cântico dos cânticos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;6/5/2003&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;PS: a foto do post é, obviamente, Saillllllyouormooooooooooon.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4173802108498326855?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4173802108498326855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/falta-me-tempo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4173802108498326855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4173802108498326855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/04/falta-me-tempo.html' title='...sal&amp;saliva&amp;saravá&amp;salomão...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/Sd_UhpIzDJI/AAAAAAAAAKg/xjN1U-GqDFw/s72-c/pan-cinema-permanente-a-critica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8613074750477250168</id><published>2009-03-21T16:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T07:05:52.639-07:00</updated><title type='text'>...confessionais e facilidades...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/ScV_2DkkyxI/AAAAAAAAAJA/VhghfIgZXGk/s1600-h/AGorky1D.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315795501829114642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/ScV_2DkkyxI/AAAAAAAAAJA/VhghfIgZXGk/s400/AGorky1D.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca acreditei na realidade de um "Ah," começado uma frase. Palavras untadas de sangue e fezes pareceram-me sempre um render-se ao fácil, ao pavor instantâneo que o destrutivo provoca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas hoje faço do meu blog o que tantos blogs são: confessionários despudorados, baratos e auto-lacrimejantes. Faço mas sei que assim faço, e minhas palavras tem a dupla força de quem as rejeita ao desfiá-las, mas é finalmente vencido pela dor que está por trás de suas mãos, guiando-as como um cego por ruas onde sopra o vento esvaziado de som.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a esfinge me cegou - e hoje sei - o que ela me disse foi: a solidão será seu maior bem, cuide dela como se fosse sua filha - ingrata sim, ela, mas nunca, jamais ausente de sua íntima casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora, no dia em que tudo me dói, relembro todas as perdas, tudo o que ficou para trás, e que o tempo não come, não desmaterializa. A massa pulsante da saudade, que transformei em relíquia cristalizada, com a fala rouca, sem movimento algum, dentro de mim - neste momento ela, a Cafetina Saudade, canta seu hino de desespero da boca de meu estômago e eu sinto que ele se nem reage.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem foi embora. Quem nunca mais. Quem adeus. Quem estrangulada visão se perde na parede, um retrato viscoso, cheio de mim e nós de mim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Keats queria ser só sensação e estou meu sentido que grita como um animal feroz, que logo depois da caçada frustrada, em que nem um gamo jovem foi pego, volta para o covil, cheio de fome e perdido o horizonte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sair para a festa e ela não existir - os convidados se foram, por ordem arbitrária, e festejam agora num salão ao lado de onde se ouve somente vagos risos e uma música alta. Mas uma parede de chumbo separa meu coração de todo contato real - será a festa ao lado e abaixo e acima e em volta imaginária ? Será que ouço mesmo gente falando ou é o eco de minha voz que grita, e de tão enlouquecido não escuto nem mesmo seu-meu cortante som ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem me deixou e por que ? Tantos nomes, dias e os por quês ...Quem eu deixei e a razão, qual foi ? Talvez meu sangue, este que trago na boca para pigmentar a saliva, este meu hálito asfixiante de abismo, talvez meus passos de remanso coroado tenham afastado o mundo de mim - e eu danço a dança do Semi-Deus ensinada por uma velha senhora que jaz num sepulcro de granito e rosas de seda puída.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perderei-me &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e perderei&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;aos poucos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;ao todo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;todos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e restarei&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;restarão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;após&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;próximos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;de tudo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;o que se desata&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;profundo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;de mim&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;nem uma palavra&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;para o ido&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;doído &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;me constranjo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e sei que pra meu &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;cruel modo de anjo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;dessensibilizado&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;nem uma palavra&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;arranjo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: a imagem é de Arshile Gorky (1905/1948), pintor armênio que desenvolveu sua obra nos EUA, no começo do século XX. A palavra "Gorky", adotada como pseudônimo pelo artista, significa "amargo" em russo. Sua linguagem mistura com fineza o Surrealismo, o abstracionismo e prefigura o que viria a ser, por sua intensidade, o Expressionismo Abstrato. A obra chama-se "Study for Nighttime, Enigma and Nostalgia".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8613074750477250168?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8613074750477250168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/confessionais-e-facilidades.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8613074750477250168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8613074750477250168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/confessionais-e-facilidades.html' title='...confessionais e facilidades...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/ScV_2DkkyxI/AAAAAAAAAJA/VhghfIgZXGk/s72-c/AGorky1D.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4537800133719501549</id><published>2009-03-12T02:30:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T16:23:25.106-07:00</updated><title type='text'>...cavalcanti...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SbmYwYkVhoI/AAAAAAAAAIw/13tjqVIIj8k/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312445192456210050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 245px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SbmYwYkVhoI/AAAAAAAAAIw/13tjqVIIj8k/s320/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Algumas coisas viraram canção sim, ao contrário do que apregoa o subtítulo deste blog. Como minha arte é absolutamente fusional - para não dizê-la "confusional" - a reminescência, a citação, a outra voz e as personas me são caríssimas, verdadeiros andaimes de minha canções de tantas direções.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estudei Guido Cavalcanti depois de ler sua "Dona" por "palavras postas em liberdade" por Pound e sua crítica sobre a ductilidade deste poema, e depois de Calvino, em suas "Seis Propostas para o Próximo Milênio", ter louvado sua leveza - em contraposição ao "peso" imagético de Dante, seu contemporêneo. Numa passagem do Decameron citada por Calvino, Guido passeava entre as lápides de um cemitério, quando foi acossado por uma brigada de jovens nobres de Florença. Ao verem Guido ali, em meio aos túmulos, disseram: "Vamos provocá-lo"; e, esporeando os cavalos, como se partissem para um assalto fictício, avançaram para cima dele. Guido, vendo-se cercado, respondeu: "Senhores, podeis dizer-me em vossa casa o que bem vos aprouver"; e, apoiando-se sobre um daqueles túmulos altos, levíssimo, deu um salto, pulando para o outro lado. Ou seja, aqui Boccaccio delineia com humor a leveza e a astúcia do poeta, e identifica seus opositores com o peso dos túmulos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em busca daquilo que sem peso comunga com o espaço, tateando-o, bebi Cavalcanti até ficar quase um florentino do ABC. Nascido em Florença, Guido Cavalcanti (c. 1255-1300) foi amigo de Dante, que o tinha em alta estima - aparece no célebre nono soneto das Rimas &lt;em&gt;"Guido, i’ vorrei che tu e Lapo ed io fossimo presi per incantamento, e messi in un vasel ch’ad ogni vento per mare andasse al voler vostro e mio..."&lt;/em&gt; com o nome de Lapo Gianni. Está presente, também, na "Divina Comédia" e em "De Vulgari Eloquentia".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Traduzi algumas coisas do tão sutil italiano para suavizar a mão, fazê-la cantar ao som do ritmo desta Florença antiga tão clara ainda de Cortesia e Tomismo, não obstante as lufadas libertárias de um Renascimento no nascedouro que já se fazem pressentir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Incluí esta tradução no meio de uma antiga canção de minha autoria chamada "A Morena", uma moda de viola com tintas medievais ao meio e uma catira no fim - além de uma Villanella do séc. XIV, que ouvi Murolo cantar lindamente. A canção se abria com o poema sendo recitado, ao estilo dos prêambulos das modas e causos do Rolando Boldrin, com um violão fazendo uma versão guínguica no acompanhamento da poesia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis o poema (minha fonte foram as "Rime", fáceis de encontrar pela Net):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Soneto&lt;br /&gt;“Avete’n voi li fiori e la verdura”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Guido Cavalcanti (cerca de 1251/1260 -1300)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;Transcriação de Luciano Garcez&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Contigo vão as flores e o verde campo&lt;br /&gt;luzindo assim o belo em ti a todo olhar;&lt;br /&gt;do sol brilhando em teu semblante o canto&lt;br /&gt;que – não ouvido ou visto – nada vai cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivente ser não há em nosso mundo&lt;br /&gt;de um belo assim tão pleno e de prazer:&lt;br /&gt;e quem no amor amarga, quer no fundo&lt;br /&gt;teu belo rosto a todo custo em tudo ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mulheres que vi em tua companhia&lt;br /&gt;gosto-as mais ainda pelo teu amor,&lt;br /&gt;e rogo à elas com arte e cortesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que delas a bela leve a ti louvor,&lt;br /&gt;e querida seja a tua soberania,&lt;br /&gt;porque de todas elas és a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;PS: A ilustração é um suposto retrato de Guido.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4537800133719501549?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4537800133719501549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/cavalcanti.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4537800133719501549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4537800133719501549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/cavalcanti.html' title='...cavalcanti...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SbmYwYkVhoI/AAAAAAAAAIw/13tjqVIIj8k/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6914885745727216614</id><published>2009-03-01T10:22:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T10:41:40.430-08:00</updated><title type='text'>...paz...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SarWHENoVzI/AAAAAAAAAIo/3nd1vfIE1xI/s1600-h/paz1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308290527687890738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SarWHENoVzI/AAAAAAAAAIo/3nd1vfIE1xI/s320/paz1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Octavio Paz fez da poesia um ofício perpétuo na busca da essência do humano. Ou melhor, do Humano (sempre em maiúsculo) daquela frase latina em que se diz que “nada que me é humano me é alheio” – não me recordo bem de quem seja este aforismo. Este Humano, que vai do mais particular ao desconcertantemente profundo, Paz exploro –o com método e inquietude: foi só plumas e jardins para a Índia, revalidou Breton e o o surrealismo, escreveu poemas sobre Cage e Rauschenberg, dialogou abertamente com seu Tempo e provou, com sua vida objetiva, que a Poesia, aqui completamente em maísuculo tanto quanto o “Humano”, é de fato a religião primitiva do homem. Não há escapatória em Octavio Paz, não se foge de seu ritmo e de sua idéia dançados ao correr do Tempo “desencadenado”: provou-se de “seu ofício amante”, pronto se está seduzido. Ele jamais deixou uma brecha sequer em sua poesia para que o humano recue ou se transfigure em algo alheio de si. Pelo contrário, olhou a “hora” de frente e dela fez longo e solene poema. Como sincero amante espiritual deste grande homem do século XX, traduzo aqui – tateio, dizendo melhor – um pouco de sua vida de “palabras”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P/ Denise Chiara, mui clara alma-irmã reecontrada... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;de &lt;strong&gt;"Um Sol Mais Vivo"&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;desde el Ocaso un Sol más vivo..&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Luis de Sandoval Y Zapata&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONVERSAR&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Em um poema leio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;conversar é divino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Porém, os deuses não falam:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;fazem e desfazem mundos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Enquanto os homens falam&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;os deuses, sem palvras,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Jogam jogos terríveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito desce&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;e desata as línguas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;porém não diz palavras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;diz luz. A linguagem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;pelo deus acesa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;é uma profecia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;de chamas e um colapso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;de sílabas queimadas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;cinza sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;br /&gt;A palavra do homem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;é filha da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Falamos porque somos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;mortais: as palavras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;não são signos, são anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Ao dizer o que dizemos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;nomes que dizemos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;dizem tempo: nos dizem,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;somos nomes do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Conversar é humano.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6914885745727216614?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6914885745727216614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/paz.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6914885745727216614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6914885745727216614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/03/paz.html' title='...paz...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SarWHENoVzI/AAAAAAAAAIo/3nd1vfIE1xI/s72-c/paz1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-1393326542978776071</id><published>2009-02-20T03:57:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T04:17:28.665-08:00</updated><title type='text'>...música e indivíduo: eu, você, nós dois...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZ6fPn2RQhI/AAAAAAAAAIg/Hme94Nndeqs/s1600-h/cd_phonograph.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304852501832483346" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 229px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZ6fPn2RQhI/AAAAAAAAAIg/Hme94Nndeqs/s320/cd_phonograph.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O texto que segue fora publicado no portal online "Musica a Pino", idealizado pelo escritor e jornalista Guy Corrêa. Revendo-o numa limpeza de arquivos que fiz em meu computador recentemente, me espantei de sua intacta "utilidade" para a compreensão do hoje no País. Escrevi-o de forma simples e infomal para o que era a realidade de tempos atrás, mas como basicamente ela em nada se alterou, reproduzo o texto literalmente, sem mudar vírgula ou coisa alguma: &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;"E as águas deste rio, aonde vão ? A capacidade de desorganização da sociedade brasileira é em demasia pública para que não se faça notória. Por isso tem-se por certa, de a muito, a idéia de que no país tudo é feito de qualquer jeito, amadoristicamente, que a única lei útil por aqui é a lei do “salve-se quem puder”. Uma rápida e superficial passada de olhos em torno confirma a regra: vê-se o serviço público em colapso, entre a burocracia arcaica e a gaia corrupção, possíveis efeitos do descaso; vêem-se as organizações de, diríamos assim, “moral duvidosa”, se alastrarem e crescerem, como o tráfico organizado, o CCP e outras ligas afins; vê-se a incapacidade hereditária nos manejos para a formação de um partido ideologicamente coerente, seja lá do que for. Mas, sobretudo, vê-se a total inabilidade para o entendimento do que seja ser cidadão, membro, devoto, violinista, zagueiro, policial, ou seja lá o que for.&lt;br /&gt;Ou seja lá o que seja, o brasileiro típico não sabe como se inserir, nem onde. Metade, porém, das nossas bênçãos culturais vem da liberdade de trânsito que este suposto "defeito" propicia: do cruzamento, ou melhor, da encruzilhada de onde se manifestam as mais diversas culturas, antigas e contemporâneas, surge este comportamento meio arlequinesco, irrequieto e criativo, de ilusionista de feira. Um povo que pode criar a partir de tudo o que lhe foi dado e, pelo vício da habilidade fácil, concebe mas também desperdiça e se esquece, neste processo, do peso que as coisas possuem.&lt;br /&gt;Romain Rolland dizia, em um texto que vale a pena ser relembrado pela fineza da observação, que os músicos do séc. XVIII italianos se diferiam dos alemães e do franceses pelo gosto pelo esbanjamento, pela exuberância e sedução, ao passo que os franco-germânicos, talvez mais preocupados com a conservação e manutenção do patrimônio estético que possuíam, eram donos de uma capacidade de síntese e coerência ímpares.&lt;br /&gt;O que não dizer então dos trópicos, onde haja lá o que haja, a água brota abundante de todos os lados e as frutas dão-se em demasia para terem tempo de se cristalizar ? Nada de conservas ou museus: eis o defeito e a qualidade de se dizer brasileiro.&lt;br /&gt;E quanto à música popular, esse biscoito fino servido em dias de folias-de-reis e em choros sinfônicos, a abundância também imobiliza. Aqui, o músico se perde muito além daquilo que, assim ele ingenuamente imagina, não seja seu ofício. Dotada de uma impressionante capacidade de renovação e diversidade, a chamada MPB vive um momento de brilho surdo: produz-se muito, discute-se e canta-se com igual tamanho, mas ninguém ouve falar nela. A cisão, talvez muito maior do que se imagina, que ocorreu nas últimas décadas entre o produtor de arte e o seu público hoje alcança uma dimensão caótica. O músico se sente meio pária, meio diletante, numa época de tirania visual, muito pouco afeita aos prazeres da escuta. Tem a sensação de não saber para o que veio e para quem se destina aquilo que ele produz. O público, este, então, vive perguntando com que roupa deve ir ao samba para o qual nem foi convidado....&lt;br /&gt;E então, num país tão “desorganizado”, resta-nos ao menos o consolo de saber que, tudo pesado, nada do que por aqui se construa foi feito para durar e de que as estruturas sociais e de distribuição de cultura sempre foram e serão precárias. A Ordem dos Músicos do Brasil, por exemplo. Tão sem sentido, tão rejeitada e criticada, e, no entanto, eis que ela passa impávida e altaneira esta virada de século, sem que as reivindicações da classe sequer manchassem a sua reputação. Sorte de principiante, na certa, pois, a não ser que esta história de “país do carnaval” seja conversa para boi dormir, tem sempre alguém ganhando - de forma bastante organizada, por sinal - por trás da desorganização. Sorte de quem não for principiante, aliás...."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-1393326542978776071?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/1393326542978776071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/musica-e-individuo-eu-voce-nos-dois.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1393326542978776071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1393326542978776071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/musica-e-individuo-eu-voce-nos-dois.html' title='...música e indivíduo: eu, você, nós dois...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZ6fPn2RQhI/AAAAAAAAAIg/Hme94Nndeqs/s72-c/cd_phonograph.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6361117465885175338</id><published>2009-02-16T05:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T06:25:52.427-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZl2MQpQgiI/AAAAAAAAAIQ/FrkWn1aHNWo/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303399989203993122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZl2MQpQgiI/AAAAAAAAAIQ/FrkWn1aHNWo/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;"21. Mas se manténs tua alma aprisionada no corpo, se a abaixas e dizes: Eu não concebo nada, eu não posso, tenho medo do mar, não posso subir ao céu; não sei o que sou, não sei o que serei - então, o que queres com Deus ?"&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(Hermes Trismegistus, Corpus Hermeticum)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com certa frequência sou perguntado das instâncias primeiras da Criação Poética, seja ela musical ou literária. Explico. Perdido em seu narcisismo projetivo ou em seu disfarçado vazio domesticado, o Homem contemporâneo tem pouco tempo para dizer algo de "seu" que não seja coca-cola ou uma enorme nota de rodapé de algum brilhante sociólogo francês em voga. Se não for para dizer de original e forte, melhor não fazer arte, eu digo então energicamente para este Homem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas se quiser descobrir o encanto irresisistível de sua própria e não tributável singularidade, por que Faéton caiu depois que olhou nos olhos dos Deuses, se quiser saber por que Paula Toller canta tão delicadmente "Sou canário do reino...", se quiser saber onde Höelderlin buscou tamanha pureza na qual se perder em estusiamos e entusiamos - claro, com todo o muitíssimo prazer, eu posso explicá-lo, dentro das minhas limitações de fabro minore mas dedicado aos pincéis do espírito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então para meus alunos - não gosto desta palavra, que quer dizer "a" "luno", ou seja, "sem" "luz"; mas como "discípulo" pressuporia um "mestre", o que me causa mais repúdio ainda, fico com a diminuidora palavra "aluno" - para eles, sejam nas matéria teóricas, seja na execução de repertórios barrocos - nossos Albinonis, Bach, Merula... - seja nas parcerias em que acabo por me intrometer em tudo na canção, para todos eles elaborei, com paciência e gosto, uma suma de procedimentos para que possam se expressar com fluência e sem escrotas fórmulas tirânicas. Não rabisquei um longo tratado, nem escrevi a salvação da pátria aplicável ao mundo todo - minha pretenseão foi menor, sabendo-se sempre limitada. Fiz uma guiazinho para uso diário e que, em sua aparente despretensão, condensa muita teoria e prática estética canônicas, e revela com sinceridade, no final, como eu mesmo consigo - às vezes - sair-me bem no que faço. Então, para vocês o manual de instruções de como fazer suas almas falarem belamente (façam bom uso, pois me deu trabalho): &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;MÍNINA POÉTICA &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1. O ponto de partida dever ser o Si-Mesmo, o Eu Absoluto e impuro, sem descascar sua rudeza ou lhe aplicar sermões. Nu em sua completa expressão - sempre, como condição "sem a qual não".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. O desenrolar desse ponto de partida deve ser a cultura adquirida VIVENCIALMENTE, que tenha feito de fato parte da formação do artista e que já subjaza como pré-linguagem. Trata-se na verdade do RECIPIENTE onde o EU será despejado, e aqui teremos a primitiva configuração de seu CONTORNO.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. Contra essa Pré-Linguagem &amp;amp; Contorno, outras se sobreporão, vindas do Mundo Alheio em vertiginosa abundância, criando um jogo dialógico, antitético e violento, do qual resultará a Opus que, até sua configuração, DEVERÁ SER ABSOLUTAMENTE DESCONHECIDA.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4. NUNCA MACULAR O MISTÉRIO FINAL DA OBRA, SUA CONCLUSÃO - vale dizer, nunca prever o seu fim, planificá-lo e etc. A única certeza que o artista deve possuir é a de COMEÇAR A FAZER - se o Ser criado terá tônus vital suficiente, se será mera repetição de Outro Ser, isso tudo não dever intimidar os artistas no seu processo criador - esperemos pacientemente a aurora para entender o que no brilho das estrelas da noite que deixamos para trás nos liga ao ÍTEM 1 deste texto ---------------------------&gt; "&lt;strong&gt;O ponto de partida deve ser o si-mesmo. O Eu Absoluto.........etc.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; Arte é, portanto, a saída de si para o mais longínquo e lá, onde nada diz "eu" ou "coisa minha", lá é onde acharemos a porta que, subitamente, nos ligará, com um clarão repentino, ao "Si" e este "Si", de volta à "Casa de Si", já não será mais o "Si" partícula perdida no Tempo, mas o "Si" manchado e sábio de "Todas as Coisas" - o RESUMO ESTÉTICO E PESSOAL (ou seja, único)DELAS.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6361117465885175338?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6361117465885175338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/21.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6361117465885175338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6361117465885175338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/21.html' title=''/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SZl2MQpQgiI/AAAAAAAAAIQ/FrkWn1aHNWo/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4828774049242428435</id><published>2009-02-06T03:05:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T07:15:50.489-08:00</updated><title type='text'>...do belo musical...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYxR6Jl6pDI/AAAAAAAAAII/R83yrYgQIcE/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299700920957445170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYxR6Jl6pDI/AAAAAAAAAII/R83yrYgQIcE/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;P/ Daniela Ribas, socióloga e pesquisadora da MPB, que sabe porque os artistas são desse jeito...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;"&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso além daquelas que concordam conosco." (La Rochefoucauld - na mosca, como sempre...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A voz dela é absurdamente macia, e cai na alma da gente como uma chuva sem complicações. A afetação é mínima, diferente das divas adolescentes da MPB em geral. Sua dicção é impecável - pronuncia quase piafianamente as palavras, sem evidentemete a genial teatralidade da francesa - e seu timbre soa um clarinete no registro médio, e tem os mesmos &lt;em&gt;PP &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;MF&lt;/em&gt; que só esse instrumento expressa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não penso em outra cantora para interpretar minhas músicas - "pandorex", "futurismo", "quem tem medo das majors ?", "pra quem me vê" - ela seria perfeita e radicalmente justa. Não encobre a canção - a voz do compositor - com maneirismos repulsivos de quem come BigMac e diz ler Dante. Dissera antes: Edit Piaf pode fazê-lo, é um gênio, Elizeth Cardoso pode se derramar sobre as platéias como nuvens de desespero. Elis podia, mesmo que destruísse às vezes, com sua pessoalidade mastodôntica, canções como João Valentão, auxiliada pelo "bom gosto" cesarcamargomariano, o seu superego musical. Hoje, vejo Bethania podendo, e cada vez mais: gravou discos fenomenais - "Pirata", "Cânticos, Preces e Súplicas à Rainha dos Céus", "Maricotinha" - e está melhor do que nunca. Sua voz se purificou nos sambas-de-roda, nas fossas e no Chico Buarque que ela tanto ama. Por isso não hesito em dizer, ao me perguntarem qual é o maior compositor brasileiro da MPB atual: falo, muito sério e fixando sem trégua o interlocutor no fundinho dos seus olhos: Maria Bethânia. Por que ? Bem, compositor, a princípio, é aquele que "compõe". Hoje, compor virou sinônimo de emular, ou seja, ter um ídolo e se travestir com suas roupas e armas e sair por aí lutando eficazmente com moinhos de sombras pós-modernas. Se compor é, precisamente, "juntar em uma ordem estética agradável e forte" - aqui junto o termo agradável (Mozart, Wilde, Tom Jobim, Ravel, Vivaldi, Barroco Francês, Maneirismo, a Provença) com a "fource" (Flaubert em primeiro lugar e que foi quem cunhou o termo "força" para validar a obra de arte, mais o animalesco Shakesperare, a tragédia grega e clássica, o expressionismo, dada, Baudelaire, Nelson Rodrigues, Gonçalves e Cavaquinho) - Bethânia não faz outra coisa em seus discos: seu repertório é primoroso, muito mais novo do que o de noventa por cento das ditas novas cantoras de cueiros à mostra por aí. Porque Bethânia não trai nunca aquilo que o artista possui de mais sagrado: sua dicção - em outras épocas se arredondaria melifluamente o têrmo para "a sua musa"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas ela, a cantora a que me refiro no começo do post, lembra, com sua inflexão levemente deslizante e sua acentuação pontual, uma intérprete de Monteverdi e Caccini, do primeiro barroco. Sabe, como poucas, o peso morto que as palvars tem quando sodomizadas pelo poder ditadorial da melodia, e se sai bem equilibrando as coisas, pendularmente. Ouvimos a melodia brilhando, ora a palavra mais elocutória, sempre num vai-e-vem esteticamente saboroso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas quem lerá isso que escrevi à sério ? Trata-se de uma cantora do chamado "pop-rock" nacional, música digestiva, para tocar no rádio e adolescente. Como se a Bossa-Nova fosse a 5a sinfonia de Mahler ou um Michelângelo sonoro... Sabe, meu caro Stendhal, que me inspira o estilo/espírito/exílio, essa manutenção dos pequenos poderes, dos feudos-botequins, toda a canalha que brada em nome da Arte em maiúsculo - ah, meu caro Beyle, como isso tudo me cansa o "petit espirit"... Porque para esses capitães-do-mato de Apolo, gente de botas de alpinismo pisando as valsas de Custódio Mesquita, versejadores que acreditam na vida-além morte de Madame Bovary e etc., enfim, esse carnaval involuntário todo, com símios assobiadores de escalas, clows chorando suas colombinas de fio-dental verde, passistas tetraplégicos e outras proezas brasileiras, isso é, na verdade, o reflexo de uma grande tentativa de ser "europeu", pôr ordem na casa, ter prataleiras (em vez de "preteleiras), ir para o dicionário grorificado... E dessa forma, ninguém vive - simula uma vida, partituriza um sentimento antes de tê-lo em si, poetiza o poético, como falava cheio de dores de cabeça o João Cabral. A fórmula acabada que o povo da música busca é simples, binária e acéfala, e eu a reproduzo a seguir, não sem certa tendinite formal:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;pop é pop&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;MPB é MPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;picareta é picareta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;música com 2345 acordes é música com 2345 acordes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;3 acordes não presta é 3 acordes não presta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;técnica é salvação no juízo final e técnica é salvação no juízo final&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;se o racional diz sim ele diz som é se o racional diz sim ele diz som&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;compassos 5/4 são revolução e compassos 5/4 são revolução&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;tom jobim é gênio e não ponha a mão e tom jobim é gênio e não ponha a mão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;etc...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E no entanto, quando Paula Toller canta &lt;em&gt;"vinho à beça na cabeça, eu que sei"&lt;/em&gt; é poesia sem pedir licença nem fazer mesuras. Não, senhores, ela não está cantando aqui o Advento da Transcendência nem a fantástica Mata Atlântica que ninguém conhece - o objeto estético aqui é mais modesto. Temos aqui um retrato perfeito dos pequenos amores urbanos, do que sente - e sentimos nós mesmos- o homem ilhado de prazeres e solidão na metróple. Não é um mapa do universal, e nem de longe se pretende um, mas sim uma foto poética de um instante que quem "viveu", mais do que "soube", "sente" o que é. A canção continua no seu perfeito discorrer &lt;em&gt;"quando ela insiste em beijar seu travesseiro/ eu me viro do avesso/ eu vou dizer aquelas coisas/ mas na hora esqueço..."&lt;/em&gt; e arremata, numa pergunta banal mas a única cabível aqui: &lt;em&gt;"por que não eu, ah, por que não eu ?".&lt;/em&gt; A progressão aparentemente batida de VI, V, IV, em acordes sem acréscimos de 7as e adjacências aqui desnecessárias, é de uma sofisticação despretensiosa. Sim, porque quem disse que montar um acorde de 18 notas seguido de outro de 25 e concluir tudo numa cadência de engano com 347 denota sofisticação ? Isso só quer dizer que o senhor compositor em questão é hábil no empilhamneto de sons, bom malabarista ele é, mas é só. Tudo isso pode soar - como na maioria das vezes soa - tedioso, pedante e, supremo mal da modernidade, sem paixão. Ao passo que a progressão VI, V, IV, por não ser resolutiva, por caminhar em tons inteios nas suas notas fundamentais e criar com isso uma atmosfera melancolicamente (quase) modal, pinta a palavra &lt;em&gt;"Eu com a cara mais lavada/ digo: por que não?"&lt;/em&gt; com precisão, em sua dúvida tenuemente aflita. A melodia, em sua primeira parte, termina na 5a do terceiro acorde - nada mais estrategicamente suspensivo... - e repete essa mesma nota na conclusão da frase, num salto de oitava onde Paula diz &lt;em&gt;"Eu que sei&lt;/em&gt;" pra dentro, como uma parênteses muito pessoal...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensaram eles nisso tudo quando compuseram a canção ? Óbvio que não, porque o fizeram intuitivamente, com as armas que possuíam. Em outras palavras, A SENSIBILIDADE BUSCOU SEU ALFABETO E O UTILIZOU SENDO FIEL À SI, e não o contrário - as escolinhas cavocando o peito raso do compositor em busca de expressão de artifício...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acham, a esta altura, que estou atacando de graça, Beyle querido, mas provo o contrário. Fiquemos só no âmbito da letra, já que sou reputado apenas exímio letrista e músico de segunda ordem. Então, o letrista iluminado terá em mãos as elocuções seguintes para transformar em ouro:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Quando ela insiste em beijar seu travesseiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Eu me viro do avesso &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Eu vou dizer aquelas coisas &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Mas na hora esqueço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como representante da ala do inspirados e eleitos, eu, Luciano Garcez, me acho com plenos poderes para piedosamente melhorar - ah, Beyle, há tanta gente com pena de mim nesse momento... - a letra acanhada de Herbert Vianna (músico de rockinhos), Paula Toller (blonde-patricinha) e Leoni (nulidade absoluta). Mãos à obra, Orfeu de São Bernardo, descerás ao inferno para trazeres de volta a Eurídice da Letra Tupiniquim:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Quando ela insiste&lt;/span&gt; - muito vulgar isso: ela... não não, musas não são "ela"... ocultarei-a, pudicamente, em roupas de baixo - afinal, ninguém mais trepa na canção de hoje...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Insistindo insana&lt;/span&gt; - ótimo, aliteralção em "ins" e insano é bonito, tem um pé no livro...continuemos..&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;em beijar seu travesseiro&lt;/span&gt; - carência afetiva demais, isso não pode - tem cheiro de suor e xota. Assim fica mais sublime:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;em abraçar (é mais casto) sua alma de algodão&lt;/span&gt; - uau, que metáfora delicada ! Sou um Ronsard paulista, o Chico que se cuide...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;eu vou dizer aquelas coisas&lt;/span&gt; - nada disso, prosaísmo não !!! não, e não e não !!!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;direi coisas que conhece esquecidas&lt;/span&gt; - sei vagamente o que quer dizer isso, mas não importa, o difícil tem o mérito de se passar por profundo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Mas na hora esqueço&lt;/span&gt; - de novo, o esquecimento. Hora quem dá é relógio, e eu quero espírito, não ponteiros... Abracadabra:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Minha alma perdida e atemporal&lt;/span&gt; - ótimo, rilkeano, desconsolado, profundo... Parece Fernando Brant - sem as montanhas, é claro...Realizei a Obra, me sinto limpo e purificado, e com as folhas de louro em torno da testa vou deitar um pouco em minha alcova - ou cabaré - e partilhar de minhas glórias com Calípoe e Erato de lingerie de oncinha. Da cama, coberta por veludos e rendas francesas, diviso o esplendor de minha criação cancionista, linda Naiade que passa/ caminho do mar:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;insistindo insana&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;em abraçar sua alma de algodão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;direi coisas que conhece esquecidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;minha alma perdida e atemporal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, amigo que amava Rossini, agora entendo porque escreveste um tratado sublime sobre o Amor. O que falta, ainda hoje e percebo que cada vez mais, é coeur. Tu sabias, grande poeta e maior psicólogo de França (isso foi o Nietzsche quem disse...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;...............&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;"Escrevi uma carta para a Tiazinha dizendo o quanto a amava e pedi perdão por eu ter ficado com tanta raiva dela."&lt;/em&gt; Obs.: Susana Alves - atriz, que se arrependeu de renegar sua personagem mais famosa.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4828774049242428435?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4828774049242428435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/do-belo-musical.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4828774049242428435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4828774049242428435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/02/do-belo-musical.html' title='...do belo musical...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYxR6Jl6pDI/AAAAAAAAAII/R83yrYgQIcE/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-1103708968399355614</id><published>2009-01-30T07:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T08:02:00.420-08:00</updated><title type='text'>...dar uma canja...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYXGrG42ZyI/AAAAAAAAAH4/n25Fwu_gHv0/s1600-h/lu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297858980556990242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 186px; CURSOR: hand; HEIGHT: 316px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYXGrG42ZyI/AAAAAAAAAH4/n25Fwu_gHv0/s320/lu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ainda fazia faculdade, no Instituto de Artes da Unesp, brincava certo dia num dos muitos velhos pianos de armário de lá, absorto por completo. Lembro-me que tinha em mãos o afamado Real Book, a bíblia dos jazzistas-improvisadores, e por algumas semanas me fingi um deles, para "sentir" - mais precioso do que "saber" - como era o delírio musical que a improvisação possuía. Tinha algumas escalinhas à mão que o hoje produtor Alê Siqueira me passara - as óbvias "don-dim", ST (Coltrane dixit), Bebop (5a aumentada or 6a major), as menores, as modais e etc... - e noções da montagem dos acordes - o que se chama de "fôrma da mão". Fiz a brincadeira, com curiosidade atenta, por algum tempo. Mas meu espírito rapidamente se cansou daquelas gaiolas infinitas por onde a música passa, pelas mãos habilidosas do tocador, de grade à grade - uma mais imponente e com nome mais "performático" que a outra. Verdadeira estátua estática da punhetação que não goza - um coitus interruptus. Por minha alma erótica e mefistofélica ser incorrigível, passei ao andar de baixo da casa, e ao sotão, e ao banheiro, e ao quintal - deixando a família toda da boa música sentada vendo na televisão o pastor improvisar infinitamente sobre a palavra "virtude".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Punha coisas diversas nas teclas que tocava: escalas com inusitados meios tons polarizadores, saltos melódicos (di)invertidos, cachos de notas. Como a forma comum das frases do jazz no geral é simples, estando no universal A-B-A ou forma-canção, enxertei livremente linguagens mais extensas: desenvolvia o tema schubertianamente, em desaforos de melodia, punha o mesmo tema decomposto na antiquada forma da forma-sonata, dividia-o em microtemas, alternando-o nos registros agudo e grave do piano, criando dessa forma acompanhementos orquestrais e francamente colorísticos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu professor de composição era na época Edmundo Villani Côrtes, um dos grandes mestres nesta linguagem híbrida entre o popular e o erudito que se realizou de forma original no Brasil. Villani era ele mesmo um grande improvisador, pianista do programa do Jô em seus começos, e aluno de Koellreutter e Guarnieri. Em outras palavras, conhecia as linguagens antípodas da música erudita da terrinha, que tanto pano pra manga deu no primeira metade do século XX e que, até hoje, causa querelas estéreis. Villani entrou na sala e, silenciosamente, fazendo questão que eu não o visse, porque dentro de minha incompetência instrumental sempre me recusara a tocar piano para ele, se colocou próximo à porta para me ouvir. Quando me virei e percebi que ele estava ali, atento, com um sorriso paternal no rosto, me assustei e imediatamente interrompi a sonata-jazz-derwanderer que tateara. Ele me disse então, com a afabilidade que sempre lhe caracterizara:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas por que não continua, estava tão bonito...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ora, mestre - assim o chamávamos nós os alunos, com direta sinceridade - o senhor sabe que essa não é minha praia... Sou medíocre como instrumentista e, como dizia Haydn, não quero ser virtuoso em algo além da composição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele riu compreensivamente de minha pudícia jovem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas a forma como você toca, Luciano, é completamente original. Não é a primeira vez que o vejo fazendo isso, e posso dizer isso para você: não há nada de esteriotipado no que você faz, é musical e inventivo ao mesmo tempo. Toca o coração, antes de tudo, apesar de conhecer bem você e saber que acha que o que importa é a perfeição formal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fato, na época o culto da forma me obsedava - o que, no final das contas, seviu para a minha formação musical como um serviço militar obrigatório, tirando para sempre de mim o vício do confessional sem pudores e a frouxa veneração pelos Falsos Ídolos do Estilo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mestre, agradeço sua compreensão, mas não quero ser instrumentista. Eu me viciaria facilmente nos virtuosismos fáceis e me tornaria isso: alguém que lê o mundo através e tão só de seus virtuosismos fáceis. Iria criar um pensamento estético próprio absolutamente canhestro, como ouço os que são ditos por tantos instrumentistas por aí. Detesto os argumentos rasos do tipo "quem sabe, senta e toca". Prefiro assim: "quem toca, senta e sabe" ou ainda mais uma variante "quem senta, toca e sabe", não excluindo as conotações sexuais da atitude em questão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Villani riu desbragadamente, com a sua maneira muito mineira de rir - ou seja, auto-analítica e discreta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas vou confessar uma coisa para você, Luciano. Como professor de composição, vi passarem por aqui muitos alunos, mais ou menos brilhantes, durante todos esses anos. E você tem razão quando diz isso, porque vi tantos - aliás, a maioria - excelentes instrumentistas que são péssimos alunos de composição... Ao passo que outros, não tão bons no seu instrumento, são inventivos e tem um talento inato para a compreensão e assimilação das formas musicais. Como você me explica isso, meu caro ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obviamente eu não tinha resposta formada - como de resto, nunca tenho nada intelectualmente pré-formatado para expôr. Como eterno improvisador (opa !) na dialética de Hermes, esbocei uma teoria ridícula mas ao menos útil:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É que, mestre, não possuindo dedos que nos socorram, sopros que nos aliviem, as conhecidas técnicas musculares, contamos apenas com nossa alma. Ela cria em si a forma que deseja e depois a transpõe para o mundo capturada em som. Honegger dizia que o compositor (medíocre) de hoje cria passando os dedos aleatoriamente sobre o teclado - ou seja, mais uma vez, o vício do improviso. Se a meta desta Universidade é a transmissão da noção de "estrutura', então tomemos Beethoven - já universalmente aceito assim - como o modelo de Criador: ora, nada mais anti-improvisador do que o modo como Beethoven compunha. É certo que ele improvisava nos salões, irão redarguir furiosos os improvisadores, mas é apenas no salão que ele o fazia - ou seja, para o que hoje chamamos "entretenimento". Os últimos quartetos, as sinfonias, o concerto para violino - tudo foi composto no silêncio torturado de sua oficina irritada. E como Beethoven, outros sabiam do vazio que o excesso de técnica exibicionista transmite: veja-se as peças "improvisativas" de Lizst, suas "fantasias sobre um tema da ópera da moda", que umedeciam as mocinhas de coque e decote e, no pólo oposto, as suas obras que sobreviveram, seus "Anos de Peregrinação", sua "Sonata Dante" e etc. Compare a futilidade melosa e retórica - só maneirismos - das primeiras com a concentração estética destas últimas. Veja que estou falando do "improvisador mor" do romantismo europeu...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhando-me de frente, Villani quedou-se pensativo. E novamente me confessou suas agruras enquanto aquele que ensina a arte de compor:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Veja você, meu caro Luciano, que justamente estes jovens que me aparcem cheios de Berkeleys e vícios jazzísticos são os mais difíceis de fazer aprender a compor. Eles não conseguem elaborar uma simples invenção no estilo bachiano ! Eu toco Bach todos os dias quando chego em casa - para mim, é uma oração. Eles deveriam fazer o mesmo... Cansei de mostrar que lá estão as tão famosas tétrades - leia o prelúdio 1 do cravo bem temperado, verticalmente, montando os acordes, e você se surpreenderá ! Mas, mais do que isso, são incapazes de fazer uma melodiazinha original de quatro compassos para servir de tema para uma alemanda ! Eu não entendo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Percebi como isso tudo o deixava profundamente frustrado - ele, Villani, perito em descontruir uma obra e mostrá-la da forma mais simples possível. Não sabia o que lhe dizer, e voltei ao meu improviso-ludo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mestre, mas esqueça as minhas capacidades instrumentais. Sou um trovador, e, como tal faziam os mesmos, pagarei os jograis para tocarem o que crio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais risada de Villani.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você, meu jovem, e seu humor. Mas eu insisto com você: estude um pouquinho de improvisação. Poderá ganhar dinheiro com isso, dar aulas sobre essa forma própria de tocar, aproveite isso que você tem !&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei de soslaio para ele, meio vencido pela sua insistência&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vou pensar, mestre. Posso pegar muitas demoiselles com isto, como Lizst fazia, não ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rimos juntos alguns minutos e o assunto se desviou para a aula que iria começar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;......&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De outra feita, estava curiosamente na mesma sala e tocando o mesmo piano, quando outro professor, Hilton Valente, que era chamado de "Gogô", apareceu. Gogô é pianista afamado da MPB, tendo tocado com artistas como Maysa e Dicky Farney e sendo, portanto, uma espécie musical deslocada do contexto de uma Faculdade sisudamente erudita. Ele era, lá dentro, radicalnete "popular", apesar de prezar seus gostos eruditos. Carioca com horror ao Rio, falava do grande "Debussa", de seu fascínio pela música de câmara de Brahms e, sobretudo, elaborava de sua autoria pérolas de sarcasmo rodriguiano. Lembro-me de memória de algumas, hilárias e desbocadas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Carioca aplaude até minuto de silêncio"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Duas coisas que não mudam: introdução de choro e a vanguarda"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eu não sou nenhum dodecafonista assumido"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eu sei somente duas palavras em alemão: hasta luego e god morning" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bons tempos estes, em que a caretice da política-tapinha-nas-costas era "relatrivializada" até o ponto de cair no ridículo. O homens deste tempo - Vinícius, Pound, Mário Reis e a lista aqui é infinita e mundial - riam de si mesmo, ou seja, não se levavam tão a sério assim. Para eles, a morte era uma perspectiva divisória, um sinal de sua humanidade falível, e isso os punha em guarda contra todo tipo de esteriotipia existencial. Foi um tempo bonito, em que se conversava e brigava bonito, e tudo se fazia tendo o Outro em vista - o monólogo era quase inexistente, não havia espaço vazio que se sustentasse por muito tempo entre duas pessoas. Belos homens e bela época - mas passou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando à salinha abafada onde estávamos, Gogô me disse brincando:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Estudando assim, tu vai acabar regendo a Filarmônica de Berlim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me lembro o que era que fazia eu no piano quando ele me disse isso. Sei apenas que era mais uma de minhas "brincadeiras improvisórias", nada que eu conseguisse levar à sério. Mas meus professores encaravam com respeito o que ouviam - achavam música digna o que eu considerava pura puerilidade e desinteressado playground.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;........&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passou, fui trabalhar como regente no Departamento de Cultura de São Bernardo, isso no início de 2000. Justo eu, que odiava as aulas de regência e fugia das mesmas para discutir estética na suja padaria da avenida Nazareth, e que tinha abandonado para sempre a idéia de "reger" alguma música... Entanto, aprendera os rudimentos da batuta e como precisasse urgentemente de dinheiro, aceitei um pouco relutantemente o cargo que me fora oferecido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, o maestro Paulo Rydlewiski - que tinha sido aluno de Eleazar de Carvalho e Bernstein e com quem de fato aprendi a reger, ao acompanhá-lo como regente adjunto em inúmeros ensaios da Orquestra Filarmônica de São Bernardo, olhando cada gesto seu, percebendo a reação psicológica dos músicos, entendendo a lógica muitas vezes obscura de um grande agrupamento musical - me passou uma orquestração que lhe haviam encomendado, mas de que não dispunha de qualquer tempo para fazer. Era uma peça para piano de Erineu Maranesi chamada "Marcha Fúnebre do Índio Brasileiro". Erineu, compositor popular, queria a todo custo ver sua obra transfigurada nos matizes sonoros de uma orquestra, e insistira com Paulo para que orquestrasse a mesma. Paulo me passou a peça, que era longa e tinha uma concepção eminentemente pianística - isto é, possuía a estrutura e os efeitos musicais próprios do instrumento para a qual fora composta. Paulo foi taxativo comigo:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cobre um preço justo, porque você terá um trabalho enorme.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fato cobrei. Estava começando a morar só, e com parte do dinheiro que ganhei com a orquestração comprei minha geladeira. Tendo como referência máxima em minha cabeça Berlioz - o pai supremo e sempre imitado da orquestração moderna - transpus linguagens na orquestração que surpreenderam o próprio Paulo. Quatro trompas bouchée, em divisi, faziam a abertura da obra - dobradas nos contrabaixos e violoncelos em suas vozes graves. Paulo comentou, feliz por seu pupilo ter se saído bem: - mais orquestralmente sombrio que isso, Luciano, impossível. Eu mesmo jamais imaginaria uma solução orquestral dessa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou pouco afeito aos elogios, e por outro lado vejo as críticas sempre pelo lado demasiado humano que infelizmente carregam: manifestações verbalizadas da inveja, da admiração inconfessada, da tentativa de punição do outro pelo que o outro tem de excepcional. Assim sei que, para grande parte dos que me lêem até aqui, estarei fazendo uma auto-glorificação desprezível, me engrandecendo ao contar o que fiz - quando na verdade quero apenas exemplificar alguns conceitos através de exemplos pessoais e não de idéias abstratas. Mas mesmo assim me nomearão "Narciso" e eu recorrerei ao abstrato de uma frase que não queria usar, com Stendhal dizendo "já vivi o suficiente para saber que a diferença provoca o ódio", enfim... As pedras dos egos serão lançadas com exatidão geométrica de qualquer jeito - e a história, aqui, tem que continuar, apesar delas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guardei o arranjo - os originais, que fizera em folhas enormes e à mão, usando o velho método "pré-programas-de-editoração-em-que-se-ouve-tudo", ou seja, piano, papel, lápis e borracha. Um ano se passou e recebo um telefonema inusitado. Era a coordenadora e professora de piano da Universidade de Brasília, cujo nome irão perdoar-me a falta de não lembrar, e que era irmã do Irineu, o compositor da peça que eu orquestrara. Ela estava com a orquestração em mãos quando falava comigo:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Seu trabalho é completamente novo, nunca vi uma orquestração assim. O Sr. - ela certamente supounha que eu tivesse uns cinquenta anos e não os vinte e oito reais de então - fez uma coisa realmente nova com a música popular e queremos contratá-lo para os cursos livres de verão aqui da Universidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estremeci. Não me sentia sinceramente preparado para teorizar o que era em verdade pura intuição musical pessoal - não via isso como tendo valor para se tornar um todo sistêmico e orientador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fico lisonjeado com o convite, mas eu sou na verdade um mero cancionista popular, um artista que faz uma arte não acadêmica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo bem - disse ela - os outros músicos que estarão dividindo os cursos com você também são: o Hermeto Paschoal e o Nelson Ayres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estremeci duplamente... Eu dividiria, aos vinte e poucos anos, meus "ensinamentos" musicais com os destes dois reconhecidos talentos que dominavam por completo a técnica da música instrumental brasileira, e seus fãs-discípulos seriam meus alunos. O que teria eu para dizer de efetivamente "referendado" sobre a metaleira escrita num arranjo de um mestre do jazz ? Fui objetivamente impedoso:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cara senhora X, vou lhe contar a verdade - toda a informação nova que a senhora viu na minha orquestração é, na verdade, derivativa. Não é inovadora de jeito nenhum. Tudo vem de Berlioz, Mahler e até de Berio. Claro que eu não copiei passagens deles, antes, pensei como eles pensariam e dentro das ousadias deles, ousei mais um tanto. Nisso, fui contra os manuaizinhos de orquestração americanos insossos e óbvios como uma terça de picardia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas é isso mesmo que eu vi no que você fez ! Ninguém pensa assim ou usa estes referenciais dessa forma tão realizada. Olhe, eu entendo que talvez o que nós pagamos aqui não seja o que você esteja acostumado a receber pelo seu tipo de trabalho...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estremeci de novo porque sabia que era mais uma grana de que eu precisava...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Seria quatro mil dólares, mais a estadia e transporte até aqui. Seu compromisso é o de dar aulas semanais e intensivas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sabe, preciso pensar, pois tenho compromissos aqui com a Cultura de São Bernardo - e tinha mesmo. Posso lhe dar essa resposta depois ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro, o Sr. fique à vontade. Tudo isso é para janeiro, e as contratações serão feitas antes, mas ainda haverá tempo. Obrigada e nos falamos na sequência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neguei a proposta para mim mesmo e ao mesmo tempo quedei-me tentado. Por partes, então, pensei em sua realização. Os alunos iriam avidamente exigir um "método". Minha intuição não é metódica - teria, portanto, que sentar e escrever um. Impossível, pela falta de tempo. Hipótese segunda: me utilizaria de algum método clássico, talvez do Korsakov, e fingiria que estaria ensinando quando na verdade o estava lendo junto com os alunos. Não, essa canalhice pedagógica que vira tantas vezes decididamente me enojava. Mas os dólares quitariam a dívida de meu palio azul escuro. Sem saber o que fazer, liguei para uma de minhas "amimusas", trompetista da Banda Lira de Mauá, e perguntei, sabendo de antemão do espírito pragmático feminino que animaria a resposta dela:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Lu, o que você acha dessa história, eu devo ir ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Se você não for, Lu - e ela se chamava, por uma ironia dialética, Luciana... - , eu nem falo mais com você...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não fui de fato, mas continuei falando com ela. Dei uma desculpa de "trabalho excessivo", e, hoje sei perfeitamente disso, por covardia espiritual declinei do convite. Essa foi uma das tantas "oportunidades" que Luciano, "o narciso-egocêntrico-megalomaníaco-dr. fausto-etc." perdeu na vida. A graça disso tudo - devemos rir de tudo, não é ?- é que meus detratores, no mesmíssimo lugar, não só aceitariam como fariam disso estamparia de camisetas, telas de proteção de micros, negrito e caixa alta em currículos, blogs e por aí vai. Mas minha sinceridade artística falou mais alto, e eu sabia que seria mais útil beijando a linda trompetista dos olhos puxadinhos do que dizendo francamente aos meus hipotéticos alunos de Brasília: "- querem saber como soa uma flauta dobrada com o violino em oitava, à maneira de Berlioz ? Querem a fórmula de como escrever pizzicatos como acompanhamento de uma melodia infinita que se desenha timbristicamente, especialidade de Herr Mahler ? Pois bem, vamos ler Lorca e ouvir o que Glenn Gould faz com Bach e nos livrarmos de uma vez por todas dessas asfixiantes escolinhas de vocês. Daí poderemos começar a orquestrar - como uma criança monta, cola e destrói seu mundo simbólico. Sabendo que somos criadores e destruidores cruéis, só assim teremos a estrutura humana para entender um tutti - sentir na pele a massa orquestral e seu furor olímpico" Obviamente eu seria idolatrado, e, ao mesmo tempo, pediriam a minha cabeça na reitoria. Diante dessas duas detestáveis hipóteses - não queria ser ídolo de ninguém e nem ir para o patíbulo, sendo no fundo estas duas possibilidades a mesma reação sob véus diferentes - preferi ficar com o colo da morena musa de Mauá, ouvindo o CD dos "Quadros de Uma Exposição", que ela tocava com Banda e que eu dera de presente para ela - usufruindo da fina arte da orquestração do habílissimo chevalier Ravel...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: escrevi demasiado, e fui narrativo excessivamente. Mas o fiz por um motivo pessoal específico e que há muito tempo engulo calado: o fato de me chamarem obstinadamente de "poeta", como se a música em minhas mãos fosse uma simples veleidade a não ser levada a sério. O nonsense disso tudo se torna óvio pelo que escrevi até aqui: não virei um "músico prático" - e existe algo no mundo de hoje que não esteja sob o signo repulsivo da "praticidade" ? - porque simplesmente não quis. Meu futuro nesta área - como "intérprete", vamos dizer assim - era francamente promissor, como atestam os episódios que narrei aqui. Mas é simples: minha única musa indica a criação, o salto, o sopro e a trangressão. Não me interessam violináceos, escalabros, pianismos e sua prole, mas a liberdade e o trânsito febril. A arte para mim nunca foi motivo de PODER, não foi o substituto do meu falo nem mesmo minha intercambiável vã mercadoria. Mantive-me neste "castelo de pureza" deliberadamente, para evitar a contaminação dos "doutos", "especialistas" e "práticos". Decide-me quem seria o público de minhas canções: "ninguém", em primeiro lugar. Depois, o franco desperdício e o aviltamento sistemático como forma de ascese: poemas para menininhas, canções para putas e tirações de sarro filtrantes. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pois ao me chamarem de poeta, esquecem-se - ou não sabem, melhor dizendo - que no princípio de nossa greco-cultura, música e poesia eram uma coisa só. Me chamando de rapsodo, fazem sem saber um grande elogio da síntese que eu tento fazer. E já ouvi pseudo-desdéms e confusas definições do tipo "maior letrista da geração" e "poeta", "poeta", "poeta", "poeta"... Tudo bem, meus amigos, vocês me convenceram disto - estou escrevendo um longo poema lírico que já tem trinta páginas, e trabalho nele com profunda leveza. Só peço o seguinte então aos senhores: como músicos que são, façam o mesmo: quero dizer, se são nomeados "maestros", que empunhem uma batuta, rejam um grupo instrumental de peso e façam arranjos para mais do que um grupo de MPB - eu, o "poeta", paradoxalmente creio ter sido um dos únicos a ter feito isso... - se denominam-se compositores, criem um "corpo" de uma "opus", alguma coisa naquilo que criam que diga assim: isto aqui "sou eu", e não SubJobim ou Gonzagão de Feira de Informática. Em outras palavras digam, ao se dizerem "eu", "Tempo", e se insiram sem medo do bicho-papão das técnicas frígidas e sem idolatrias ao cadáveres iluminados. Bem, eu faço isso sistematicamente - eu, o precário poeta... - e, se os resultados são medíocres, a intenção não é - e mais uma vez o tempo julgará meu julgamento, minha obra, minha carne e salvará do pó aquilo que reluz. Por que, então, me preocuparei com a perfeição ? Estou afoito para dizer coisas belas e demoníacas, e o Tempo me observa com sua ampulheta de infinitos gigas na mão, com seus olhos fechados...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Pound, o velho Ezra, para arrematar - coda per tutti:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(fragmento do Canto 81, via irmãos Campos, Pignatari , Mário Faustino e Grünewald&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Mas ter feito em lugar de não fazer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;isto não é vaidade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Ter, como decência, batido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Para que um Blunt abrisse&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Ter colhido no ar a tradição mais viva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;ou num belo olho antigo a flama inconquistada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Isto não é vaidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Aqui, o erro todo consiste em não ter feito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Todo: na timidez que vacilou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;....é como diria Seu Jorge: vacilão ! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS2: a foto do post é de minha antiga e referida "amimusa".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-1103708968399355614?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/1103708968399355614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/dar-uma-canja.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1103708968399355614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1103708968399355614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/dar-uma-canja.html' title='...dar uma canja...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SYXGrG42ZyI/AAAAAAAAAH4/n25Fwu_gHv0/s72-c/lu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2998929574118590891</id><published>2009-01-26T06:38:00.000-08:00</published><updated>2009-01-26T07:55:09.407-08:00</updated><title type='text'>...mamãe...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SX3bmwCT2wI/AAAAAAAAAHw/o12sImMAN3Q/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295630195633675010" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 314px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SX3bmwCT2wI/AAAAAAAAAHw/o12sImMAN3Q/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Creio que o mais heriditário dos traços, aquele que delineia com precisão as particularidades de uma família até o seu jeito de se separar, seja o HUMOR. Entenda-se aqui o humor não como sinônimo de estado de espírito, mas o humor como sendo a "forma que se ri" e "daquilo que se ri". Lembro-me quando apresentei os vídeos do Youtube que continham fragmentos do programa policial do jornalista (?) Alborguetti para minha mãe e irmão mais novo. Ela, de família tradicional italiana de São Bernardo e ex-gerente de compras; ele, biólogo formado, muito mais alto do que eu - nasci e só fiz isso, esquecendo-me de crescer na sequência - e com uma imensa frase de Nietzsche em alemão tatuada nas costas - filósofo de sua adoração, aliás. Pois bem, os três juntos diante da tela da Internet, tão diferentes nas posturas, hábitos, músculos e razões de ser, ríamos às gargalhadas amplas diante do humor noir do paranaense - Alborguetti aqui ainda merecerá um post, que farei em breve, decodificando-o. Escrevo isto porque nem todos acham graça das mesmas coisas, e não haverá traço mais distintivo no ser humano do que o humor. Quer saber quem é o homem ? Descubra do que ele ri - não aquilo com que se deplora. Porque o pranto já virou sociedade, sabe-se do que devemos ter pena, que um coração ferido oh oh oh sangrará para oh sempre oh oh el desdichado. Ao contrário, o humor é sempre arisco, ninguém o pega nas mãos e é tão mutável que transforma a sua concepção durante os vários períodos da História - mas a sua essência anárquica e subversiva permanece petulantemente intacta. Rimos das "Nuvens" de Aristófanes assim como das tiradas de Lorde Henry-Wilde ou da última piada de padaria sobre Obama. O humor é quase religioso em sua capacidade de redenção - e de fato o seria, não fosse o odor ambíguo de enxofre que o denuncia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recebi de minha mãe um e-mail contendo um desses detestáveis anexos que imediatamente deleto com desdém. Coisas nonsense como "correntes", mensagens edificantes, slides de países dos quais quero distância, panegíricos do Amor e outras fadinhas de resina virtual. Mas, dado o inusitado do fato - minha mãe não me manda habitualmente e-mails - resolvi abrir e caixinha de Pandora de dona Márcia e vi lá dentro - em ácida conserva - o afamado "humor" garcez-locoselliano: o chiste que não perdoa nada, a começar por si próprio; o riso que chicoteia a boa moça nossa alminha como a imaginamos mas, sobretudo, a completa incapacidade para o perdão que esse tipo de ironia possui. Dizendo de outra forma: do mais elementar "quanta" ao incomensurável espaço-tempo de uma galáxia, tudo se reduz à mó do riso, impiedosamente. Curioso que a Bíblia fala do Diabo - e assim também Lúcifer está em Dante e Milton - como "aquele que não se ri". Nietzsche, pelo avêsso do cristianismo mas surpreendentemte tocando-o nesse ponto, diz em seus livros que o Demo seria um tal "Espírito da Gravidade", tudo aquilo que pesa e que, mais uma vez, não se ri. Ridere, portanto, e que a ciência se torne alegre - mesmo que cinicamente doa. Reproduzo a seguir trechos escolhidos do texto do slide que mia mamma me mandou - uma verdadeira metalinguagem de sua maternidade, porque no texto ela se riu dessa sua "maternidade". Como uma mãe manda para o filho um cáustico catálogo das perversões de sua conduta ? Pois é, caro Mussum, só rindo mesmo...KKKKKKKKK:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;strong&gt;"TUDO O QUE SEMPRE PRECISEI SABER, APRENDI COM A MINHA MÃE, E COM TUDO ISSO ESTOU VIVO ATÉ HOJE. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe ensinou a valorizar o sorriso... "ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a RETIDÃO... "EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS... "SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO..."CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA CHORAR!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO..." FECHA A BOCA E COME!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou sobre a ANTECIPAÇÃO..."ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS..."OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO..."SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!" &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;(Essa é, como digitaria uma amiga minha, "Ótema")&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou MEDICINA..."PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou sobre GENÉTICA..."VOCÊ É IGUALZINHO AO TRASTE DO SEU PAI!"&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES..."TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou sobre JUSTIÇA..."UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou RELIGIÃO..."MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS.."SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff99ff;"&gt;&lt;span style="color:#cc66cc;"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou os NÚMEROS..."VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: existe cor mais maternal que o rosáceo das linhas acima ? A escolhi pensando no amor materno e no saldo devedor que ele nos lega...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2998929574118590891?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2998929574118590891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/mame.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2998929574118590891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2998929574118590891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/mame.html' title='...mamãe...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SX3bmwCT2wI/AAAAAAAAAHw/o12sImMAN3Q/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-9047537527684847846</id><published>2009-01-23T06:24:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T07:10:09.494-08:00</updated><title type='text'>...baudelíricos rios...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXnc87Wbu0I/AAAAAAAAAHg/xPjJay9lVwo/s1600-h/charles-baudelaire.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294505776232774466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXnc87Wbu0I/AAAAAAAAAHg/xPjJay9lVwo/s320/charles-baudelaire.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;p/ Nô Stopa e Mariana Redondo, amigas-musas...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;“.... ela aparecera: com um sol por trás, e uma lua adolescente aos seus pés”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;fora arrancado do longuíssimo sonho meu&lt;br /&gt;minado todo no interior da gruta lacrada                          &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;baterei em ti sem cólera&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;pela pedra que o mau coração de EVIAN pôs                       &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;e sem asco, como açouqueiro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;me vi no meio do amplo vale úmido&lt;br /&gt;único berço possível de caber esta minha lâmina sarracena                  &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;saciar meu Saara&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;de um metal que luzia ao sol sudestino&lt;br /&gt;entre os riscos e serpentes que os bananais expelem                       &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;manar as àguas da mágoa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;era uma capa de ouropéis intacta&lt;br /&gt;pisando a lama da barranceira que detinha a risada do Caos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então ela trouxe os meus olhos                                       &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;banha no vinho a melena à sua sorte&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;no cristal rosado de sua cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;víamos nós dois tristes e longos&lt;br /&gt;longas mãos, longas línguas e ruas                                                      &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;do covil&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;tomando o café frio da padoca da Brigadeiro                            &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;em tua pele de granito resvalou&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;em busca de palavras de consolo e outras dissolvidas no açúcar                       &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;e se esvaiu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o negror de um astra feroz ocupou o meio-fio&lt;br /&gt;e nos esquecemos                                                                       &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;que importa tua indiferença ?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;nos esquecemos &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;                                                              e a coroa, o coração, corado como a nêspera&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;...............&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: os fragmentos grafados e em côr marrom do lado esquerdo do poema são Baudelaire, traduzido numa conversa poética com o mesmo de três poemas diferentes. O próprio poema é um decalque sobre a poética baudelaireana - uma flaneurie sígnica e existencial.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PS2: foto do post - imagem de Monsieur Charles mexida.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-9047537527684847846?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/9047537527684847846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/baudelricos-rios.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/9047537527684847846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/9047537527684847846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/baudelricos-rios.html' title='...baudelíricos rios...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXnc87Wbu0I/AAAAAAAAAHg/xPjJay9lVwo/s72-c/charles-baudelaire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6517989963281217062</id><published>2009-01-20T04:24:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T05:05:17.097-08:00</updated><title type='text'>...miguxo-orkut - primeira parte...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXZwZ1iOp3I/AAAAAAAAAG4/CCW592E5Z1o/s1600-h/pagina_inicial_orkut.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293542001190283122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 248px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXZwZ1iOp3I/AAAAAAAAAG4/CCW592E5Z1o/s320/pagina_inicial_orkut.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“temos que pensar nos medias como se fossem, na órbita externa, uma espécie de código genético que comanda a mutação do real em hiper-real”. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“sou um homem ou uma máquina?”; “sou um homem ou um clone virtual?”; “como podemos ser humanos?”&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante anos observei, muito jocosamente e não sem participar por vezes empolgado da comédia que se desenrolava, daquilo que chamei de "o maravilhoso mundo novo do orkut". Como todas as estruturas hiperrais criadas pela pós-modernidade com o status oculto de "simulacro" - aquilo que substitui eufemisticamente o que "é" - o orkut, assim como seu irmãos de falatório/desabafos/intrigas/comunication/narcisismo adolescente/falsos ideários/fotos irreais/messages e por aí se deslinda a longa lista, veio, assim como seus parentes encouraçados pela pragmática perversa do "ter que se comunicar", para silenciar a alma humana em seus desvãos, ambigüidades e portanto, em sua profunda riqueza constitutiva. Todos se amam no mundo hiperreal e, quando odeiam, o fazem através de uma comunidade do tipo "Eu odeio X" ou "Eu odeio Y". Ora, nada mais falso em princípio: desde quando o ódio sincero - assim como o amor - é coletivo por nascimento ? Acaso não nasce primeiro da alma o sentimento que se difunde após no meio e daí toma a forma de um partido, horda, facção e que por sua vez se irmana à outros ódios SIMILARES mas nunca IGUAIS ? Parte sempre do indíduo o fogo sem freios e o hirsuto instinto de destruição, e desde nunca ele precisou de mais combustível para existir como entidade psico-social. O que vemos no orkut, então, é a identificação infantil - no mal sentido, porque como já nos disse Rilke as crianças são sagradas - com uma causa qualquer exposta feito um "verdade" em uma comunidade, onde o indíviduo "odeia x" sem absolutamente refletir sobre o fato - não há reflexão, apenas uma epitelial identificação projetiva quase instantânea com a imagem e os dizeres mínimos da comuninade, bastando para isso um click em "are you sure you want to join this community?" e em seguida um cândico "join": está feito, "odeio" com mais "X" pessoas que absolutamente desconheço - se são nobres, inadimplentes, religiosas, cardíacas, etc., não sei - e que formam um caldo humano aleatório e desconexo que se sustém unicamente pela fixação hipersimbólica na tela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já dissera anteriormente - gozei, e muito bem ejaculado, com o Or. Criei fakes desconstrutores, comuninades de 5 membros - porque canonicamente impopulares - cantei garotas de pouco espírito mas bonitinhas, fui expulso de comunidades, enlouqueci membros de outras, mudei meu perfil colocando inúmeras personae nele - Marlon Brando, Keats, Alborghetti, e tantos que até perdi a conta e as faces - já fui casado lá, bissexual, pai, autoritário ao extremo, xintoísta, pus fotos minhas vestido de mulher, de cueca tocando violino em um quarto adolescente, fazendo shows e tudo o mais que minha inquietude perante o monótono grita/dita. Mas fiz isso tudo para dizer O QUÊ ? E estendendo para o âmbito coletivo a inquietação que me consome, O QUÊ PESSOAS COMO EU, OU VOCÊ QUE ME LÊ, PROCURAM LÁ NA SALINHA ANIL DA AMIZADE ?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amizade ? Depuremos o termo: relacionamento ? Mais dois metros de profundidade no oceano: não se sentir o orfão que é ? Um pouco mais de metragem no mergulho, nós aguentaremos firmes: criar um TOTEM QUE RECONSTRUA NA TELA O CAOS DAS RELAÇÕES HUMANAS NA VIDA REAL ? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“a revolução contemporânea é a da incerteza”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;O brasileiro adora falar &amp;amp; falar, embora quase sempre não "diga" nada entre o que fala. Nélson Rodrigues dizia que o carioca fora o inventor da conversa fiada, e eu estendo esta premissa irônica para o brasileiro como um todo. Imaginem se Hegel tivesse nascido no Itaim Bibi e tivesse por ferramenta de trabalho esta arabesca "última flor do Lácio" ? A "Fenomenologia do Espírito" teria decerto 8.000 páginas, sem contar as 32.456 notas de rodapé e a bibliografia incluiria a receita de bolo de fubá que Friedrich degustara em seu coffee brake até o ebó necessário para a reativação e realização final de Deus na História, por mais que se queira a Razão em dialético (mas não alienado) troca-troca com a mesmíssima História. Um índio disse a Pero Vaz que Tupã era brasileiro, e então Hegel acatou o constructo geográfico-simbólico do antigo arborígene pondo a divindade num majestoso enredo de escola de samba ao lado de Spinoza, o "Espírito" e um ainda imberbe Marx, desfilando entre as peles morenas da cordial gente do povo. Por isso, estou com os Concretos, Pound, multipli-ideogramas, as putas e Donne e não abro: nada de Marquês de Sapucaí na hora da cinzelada final - dichten:condensare:o máximo com o mínimo. Pois para fazer o carnaval, é preciso a precisão única da lantejoula na fantasia - se não, nada brilhará, e o "Espírito" será turvado pela má concepção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“já que o mundo se encaminha para um delirante estado de coisas, devemos nos encaminhar para um ponto de vista delirante”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, afirmei que o brasileiro gosta de falar. Isso até duas décadas atrás, quando um scrap não definia o humor diário de um ser humano. Parou-se de falar, ou seja, de se utilizar a linguagem verbal - que é a linguagem social por excelência. Com esse logout espiritual, foi para a lixeira a intersubjetividade, porque quanto menos crescemos para fora em verbo menos aprofundamo-nos em nós mesmos com as raízes do real: o processo é sempre duplo - ao falar, exponho minha idéia e a recapturo transmutada dentro de mim. Se a mesma for manipulada por um interlocutor interessante, tanto melhor, pois minha idéia voltará a mim enriquecida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o fim do blá-blá-blá e em seu lugar o advento da tirania do "vamos logo ao assunto" que a falta de tempo dentro de um Tempo simbólico e bem maior traz, ficamos reduzidos aos grãos leves das palavras trituradas- e ao ar desértico que a alma humana adota para ser aceita na Horda Azulada. Há a construção de um mundo perverso e antinatural, onde o mínimo substitui o profundo e o significante é tido como enfadonho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;.......&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por tudo isso, eu pergunto ao "Espírito de Época": me add. como amigo ?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De minha vó, lá do ítalo-sepulcro onde jaz vendo o pão e o circo pegarem fogo, para mim: &lt;em&gt;"- Você reparou como alguns dos seus amici da Era Analógica sobreviveram ao tempo, ao passo que as amizades feitas na Era Tecnológica tem a certeza do vento ?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“já não consumimos coisas, mas somente signos”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;PS: todas as citações são do filósofo, fotógrafo, poeta e Ser Humano Baudrillard - que, por ser humano, abriu o bico. E foram, acintosamente, retiradas da Internet de um trabalho acadêmico alheio...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS2: muito, muitíssmo cuidado com o entendimento do termo "Simulacro", que virou um quase fetiche da crítica intelectualóide pós-moderna - e aqui lembremos que o próprio Baudrillard tinha horror ao termo "pós-moderno", que via como um vazio perturbador. Posta a questão, e como sei que o termo foi deturpado por concepções de filmes como "Matrix" - que B. repudiou enquanto representante de suas idéias - tentarei enumerar aqui para meus leitores aquilo que o "Simulacro" não é: 1) simulacro não é sinonímia de irreal ou fora da realidade, 2) pela própria definição de B. , seriam "mais reais que a realidade", ou seja, como a "realidade", estariam impregnados de signos, experiências, formas e etc. 3) dessa forma, de tal modo há um imbricamento - para B. perverso - entre o real e o hiper-real (é assim que se grafa o termo, fiz de outra forma no texto por conta de uma evidente ironia) que neste contemporâneo ponto da ordem social mundial  não se separa mais um do outro, estando a hiper-realidade - e seu filho fantasmático, o "Simulacro" - já incoporada no "Humano": no capital, no sexo (a pornografia é um exemplo de "sexo mais real que o próprio real", decalcando num exemplo prático aqui a proposição básica do próprio B.), na arte, na pedagogia, na política (aqui, acaso precisaremos de algum exemplo ilustrativo ? Toda uma campanha política não é já inteira regida pelo signo implacável da hiper-realidade ?), nos códigos, nas relações humanas e etc. Finalizando com B. "A simulação já não é mais a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: HIPER-REAL". Sinto aqui, com essa dissecação impiedosa da máquina mundi contemporânea feita por B., um frio polar me seduzir o espírito, vindo das salas iluminadas por velas iluministas do séc. XVIII,  e uma consequente entrega ao ópio fim-de-século do niilismo posterior. Não sou intelectual, nem catedrático ou qualquer coisa que o valha - como implica o título de meu blog, sou um simples "cancionista". Mas como artista então, posso dar voz ao que sinto e, mais eticamente, ao que sentem os que sentem ao redor, e daí dar-lhes de volta, em forma de canção - ou em forma "daquilo tudo que não virou canção", como o apregoado aqui neste blog - uma direção para seus sentidos, nunca uma resposta. Por isso, peço que atentem com carinho para o que a "Nova Teoria Francesa" diz - há exageros e gosto fanático pela explicação lá, mas, como dizia Nietzsche da França "onde estavam os grandes psicólogos", os senhores semi-enlouquecidos pelas mídias, hiper-pós-neo-liberalismo e pela História trespassada pelo raio-x da inteligência que corta, estes mesmo senhores tiveram a coragem de extrair o nervo doloroso do "real" e observá-lo sem tréguas: Lyotard, Derrida, Morin e CIA. Mesmo que não se concorde, repito, é salutar deixar-se acariciar pelo vento mediterrâneo dessas idéias - a mim, iluminam muito estádio sul-americano vazio de minha inteligência, e, principalmente, me estimulam, mesmo que pelo avêsso que o repúdio possa ser, a abraçar a realidade como uma criança abraça sua mãe... &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6517989963281217062?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6517989963281217062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/miguxo-orkut-primeira-parte.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6517989963281217062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6517989963281217062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/miguxo-orkut-primeira-parte.html' title='...miguxo-orkut - primeira parte...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXZwZ1iOp3I/AAAAAAAAAG4/CCW592E5Z1o/s72-c/pagina_inicial_orkut.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-5617221697670965714</id><published>2009-01-17T06:53:00.001-08:00</published><updated>2009-01-17T07:57:10.359-08:00</updated><title type='text'>...sobre ela...</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292291795690644082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXH_WTHa4nI/AAAAAAAAAGE/ZTRITNIIdS0/s320/thiago+amud+e+eu005.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;P/ Cecília Bernardes e Thiago Amud, que sempre souberam o que eu disse no que eu disse...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;                                              sobre ela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Minha música é uma crença cega na capacidade de dialogar da Raça Humana - ainda que o que se troque sejam disparos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música não se pretende exemplar, nem tampouco deseja escolas derivando de si. Minha música abre caminhos, aprofunda e alonga-os e logo em seguida põe em questão seus mais prezados valores - mas não se faz cega "prosélita" do caminho que perpetua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Por seu caráter Polimorfo, minha música silencia parcialmente seus códigos enquanto "mercadoria". Seu público alvo é a alma humana - portanto, inquantificável, não responviva às estatísticas, sem localização e absolutamente sempre no "singular".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- O público de minha música é portanto o "Um-Humano", o grande e solene vôo da águia que abandona sua sombra no sem sentido do vale abaixo e que vai, na alegria de sua força excedente, da alma individual (Psiquê) à Universal (Eros). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Entanto minha música quer o "Tudo" do "Humano", do bem falante canônico ao meretrício midiático. Ela sabe muito bem do poder da linguagem e da dinâmica retroativa do conteúdo, por isso pode flanar em francês e batucar cheia de dengo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música se sabe de segunda ordem, arte derivativa e menor, mas gosta de se iludir pensando que transcende com sua molecagem de fabro imaturo o passo retilíneo que a linguagem comumente possui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música está sempre em busca de um autor, pois a mão que a grafou hesita e a voz que lhe serviu de corpo tem olhos apenas para si.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música é, enfim, sempre concebida como um derradeiro Canto de Amor, e mesmo que ela se ponha a dizer "mênstruo", é amor; "Farmakon", é amor; "gregoriano", provavelmente tratar-se-á de amor. Que se avilte nos mais enlameados trajes, se dissipe na maré vermelha de um desesperado erotismo, profetize a morte dos Ídolos e mais cinicamente a matemática de sua putrefação, que se negue a cantar e abdique de todo espaço reconfortante do lirismo tecnicamente humanitário - ainda assim, será um Canto de Amor - o último apaixonado beijo na vagina da Vida antes que a Terra amortalhe e cesse todo o movimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música é minha Ética mais acabada - e engana-se quem a pressupõe uma veleidade estética enredada nos fios egóicos de meu Ser. Sabendo disto, não me procurem fora dela - darão com uma porta fechada, que se entreabrirá com dificuldade e de onde só se pode divisar, no ópio silencioso de (sua) escuridão interna, uma lua morta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;- Minha música sempre me salvou e me disse que haveria Redenção - mesmo que irreconhecida - e Transfiguração - que não só a permuta artificial dos isomorfismos da práxis. Ela soprou o mais argênteo canto em meus ouvidos lupinos e, em seguida, raptou o que cantara e o escondeu no Fundo do Céu/no Fundo de Mim - e desde então, como um visionário perpetuamente lúcido, outra coisa não faço que buscar o signo mortal e que se sabe findo deste para sempre "cantar"...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;PS: Escrevi isto como que atingido por uma raio, ao esperar um ônibus. Em estado de enlevação, numa ebriedade sígnica, pus tudo no papel sem pensar. Tentando ser fiel, pois, ao "estado" que me encontrei, não mudei nada do que escrevera então - portanto, me perdoem as possíveis hipérboles e transportes eufóricos que estados assim dão por resultado. Sendo fiel ao "espírito" da coisa, me furtei à sua análise cirúrgica posterior, e eis o texto aqui sem correções.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: O fragmento musical acima é uma canção em parceria com Thiago Amud, "Eclesiates Gnóstico" - poesia dele e música minha.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-5617221697670965714?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/5617221697670965714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/sobre-ela.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5617221697670965714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5617221697670965714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/sobre-ela.html' title='...sobre ela...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SXH_WTHa4nI/AAAAAAAAAGE/ZTRITNIIdS0/s72-c/thiago+amud+e+eu005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7676807659243990195</id><published>2009-01-13T03:45:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T07:33:56.593-08:00</updated><title type='text'>...o espelho sem nome...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWysh8vBH6I/AAAAAAAAAF8/aQTWfnNuREc/s1600-h/bozo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290793361492484002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWysh8vBH6I/AAAAAAAAAF8/aQTWfnNuREc/s320/bozo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Discutíamos outro dia, meu psicanalista e eu, sobre o imenso Narcisismo do Homem contemporâneo. Sua vaidade vazia que se projeta em um espelho fictício e ferozmente a(r)mado -porém, como toda projeção especular, apenas uma "representação" arbitrária.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o ser humano de hoje ama desenfreadamente esta imagem refletida, se esquecendo que é solúvel, não-pessoal e já previamente editada pela psique que a vê. Ou seja, é uma imagem "reformulada", em termos fotográficos "editada", onde cabem só as saliências das pretensas virtudes - que se vistas de perto, nada mais são que "exibição" do "poderio" de uma virtude, sua desavergonhada propaganda...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí a causa tão hipocritamente impressentida das explosões, atentados, agressões e atos desproporcionais ao meandro azul celeste da grande virtude individual do indivíduo que se diz civilizado. E tudo porque NÃO SE VÊ O LADO ESCURO DO MERETRÍCIO DA LUA, A SUJEIRA DE GERAÇÕES QUE SOBREVIVEU NA TOALHA DE MESA HERDADA ONDE SE DESMATERIALIZAM OS ALMOÇOS DE DOMINGO. NÃO SE TEM A CORAGEM DE LIVRA-SE DO ESPELHO PARA DAR UMA VOLTA SEM COMPROMISSO PELOS LABIRINTOS DE SUA PRÓPRIA ALMA...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De modo que se discute SEMPRE com personas, junguianamente falando. Sempre com máscaras: ou seja, uma arsenal bem composto de gestos, atitudes, opiniões - porém tudo, como já o dissera em outro post, PELA imaculada SUPERFÍCIE.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque o destino do discurso esteriotipado é não resistir à primeira intempérie do espírito, ser desarticulado pelas vagas indiferentes porém ESSENCIAIS do Inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos o que acontece quando um aparentemente insignificante país islâmico se propõe a fazer uma demonstração de sua força bélica para o Grande Falo Mundial, portando não sofisticadíssimos mísseis com meticulosa capacidade de localização de seu alvo, mas peles queimadas pelo sol do deserto, olhos negros de ressentimento/exclusão e o coração arrebatado pela fé em Alá. Há alguma surpresa que possamos hipocritamente continuar denominando "surpresa" após saber deste prévio "enredo" como o exposto aqui ? É impressionante a estupidez que o tão lúcido homem moderno tem em relação ao que se chama "força". Ela não está no tamanho, na potência, na forma ou na tradição guerreira. Não está nem sequer no acúmulo de potencialidades, como se fosse um manacial de energia contida. A "força" humana é, e sempre foi, uma súbita mudança de rota, uma aposta desmedida no imprevisto, um deslocar o discurso até as regiõs inóspitas e quase irrespiráveis da "a-moralidade" - leia-se aqui, SUSPENSÃO DOS VALORES ÉTICOS TEMPORAIS. Há um belo provérbio taoísta que diz que a força do galo de rinha está em seu olhar, e não em suas afiadas esporas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando contava com 13 anos, caiu em minhas mãos o suplemnto literário do jornal o Estado de São Paulo, que na época era quase um outro instigante micro-jornal dentro do corpo mais prosaico do Jornal oficial. Lembro-me com precisão do conteúdo da publicação: "Sigmund Freud e a Psicanálise". As Torres Gêmeas de meu Narciso saltitante e sempre aos seus olhos modelar ruíram sem piedade. Desde então, a Imago Dei que simploriamente carregava comigo como escudo para as minhas e as alheias imperfeições trincou. Um rachadura que começava pelos pés e se estendia como uma linha demarcatória em um mapa enovelou a Imagem feito uma sinuosa serpente - que no Éden não à toa se enrodilhava na Árvore da Sabedoria, ou seja, a mesma serpente que Javé deu a Moisés junto de um cajado e que tinha simbolicamente o poder de CURA - e Deus para mim começou a parecer suspeito - e muitíssimo. E via com suspeição o que se fazia In Nomine Dei com maior acuidade ainda: peca-se - arrepende-se - abso(r)lve-se. Ou seja, toda uma ética baseada, no fundo, na idéia do "pecado", e não da "virtude". Qual a consequência disto, já que falamos de uma forma de pensamento que subisiste ainda hoje como linha mestra de conduta ético-social ? Bem simples de se observar: o politicamente correto nada mais é do que uma simplificação ao estilo decálogo/informal do igualitarismo cristão - e não há nada mais imundo e inumano do que o politicamente correto. Onde se localizam na Natureza Humana os nichos onde se aninham o "político" e, mais grotescamente, o "correto" ? Então, levando esta fábula arcaica-pós-moderna adiante, as pessoas vão prodigamente se dando corteses tapinhas nas costas e por dentro correondo-se de inveja daquele que há pouco saudaram, ou se põe a comprar nababescamente para depois se meterem em uma posição imóvel diante de sua POSSE, à maneira de um Javé satisfeito de sua criação ao observá-la - e aí, nesse instante de glória do OBTIDO, lhes advém o incomôdo, enorme e ancestral VAZIO, que nem o mais potente prozac consegue atenuar - as profundezas do seu SER sangram como uma chuva indiferente, por todos os poros possíveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era este Vazio que me assombrara ao descobrir Freud. Porque o que minha mente infantil conseguira digerir do apinhado de matérias sobre o médico/poeta alemão era basicamente isso: nossas certezas são falhas e, no máximo, simbólicas, posto que há um mundo maior e de águas escuro/luminosas dentro de nós chamado INCONSCIENTE - e todos, absolutamente todos, estão submetidos à ele, do iluminado/eleito ao índio do Xingu, e temos portanto uma grande responsabilidade ética para conosco e com o próximo: "tentar" - pois nem Freud, nem Jung, nem Lacan, nem Klein, nem quem quer que seja garantiu o êxito do processo psicanalítico - "conversar" com a "besta" interna, estabelecer a demarcação de territórios psíquicos, saber até onde ela falará POR nós e DE nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, eu me pergunto, quem faz isso efetivamente hoje, mais de um século após a descoberta do Id ? A ironia pós-moderna é que sentamos de frente a máquinas sofiticadíssimas de comunicação humana e na essência respondemos ao estímulos ambientais como quase animais. Mas não há nada de anormal neste descompasso entre O QUE SE SABE e o QUE SE USA na vida humana. A física quântica é absolutamente ignorada nas escolas de ensino básico, as pessoas lêem avidamente livros de auto-ajuda repletos de conselhos amororos e ignoram o maior escrito moderno que Stendhal elaborou - quando perdidamente enamorado - sobre o tema. Há as Novas Ciências que aproximam a máquina do físico, o inanimado do pulsante - e este modo de concepção do real nem sequer tangencia a práxis da vida humana de hoje. Falo aqui principalmente do indivíduo que tem a condição intelectual de se "ilustrar" e se esquece que personalidade é algo que se cultiva - nem sempre com sucesso - a cada instante, pois cada um está preso à sua classe, cátedra, curso, disciplina, ordem, religião, profissão, métier e tudo aquilo que seja um bem posto e referendado "Fora de Si" que reorganize redentoramente, e mesmo que pura representação repetitiva, o "Dentro de Si".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não era apenas Freud quem fustigava meus idealismos dessorados. Outro autor na época me fascinava, por ser mais fácil de ler e possuir como ninguém a arte de filosofar sobre o signo do chiste. Era Voltaire, e eu me deleitava com seu libertário "Dicionário Filosófico". Via-se lá o homem iluminista de posse de seu imenso orgulho porque consciente - lembro-me aqui de Pascal, outro pai adolescente para mim: &lt;em&gt;"o universo inteiro pode vir para cima de mim e me esmagar, mas mesmo assim eu serei superior a ele, pois tenho CONSCIÊNCIA de que ele faz isso, e ele não"&lt;/em&gt; - e assim era a prosa voltariana. Recentemente fui criticado como sendo um "citador", e, de modo pejorativo, como "alguém que fala como um profesor da USP". Ora, quem me conhece sabe que poucos são tão anti-acadêmicos quanto eu - na época da universidade, consegui a proeza de discutir esteticamente - ou seja, questioná-los em seus pressupostos - com TODOS os meus professores. Todos, porém, nutriam grande simpatia por mim - e seria preciso que o mundo do "Peace and Love" lesse um pouquinho de Stendhal e Freud para saber que Ares e Afrodite formam um casal...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto tudo isso, daqui, diante da tela fria e trêmula de meu velho computador, vou tentar lembrar do Dicionário do grande francês - perdoem-me meus leitores o excesso de enxertos e a polissemia extrema, mas isso me lembra uma passagem no "ABC da Literatura" de Pound onde ele diz mais ou menos assim &lt;em&gt;"a Inglaterra foi um país que teve grande relevância para o pensamento do séc. XVIII - nos anos em que Voltaire esteve lá..."&lt;/em&gt; - Vou escrever aqui de minha lesa-memória, portanto, contando um conto e aumentando-o talvez até a estatura de um folhetim, mas as palavras dele diziam assim, a certa altura do seu Dicionário: " &lt;em&gt;Um dia assistia uma tragédia em companhia de um FILÓSOFO - note-se como Voltaire poupa os seus pares... - que disse da peça: - esta é uma obra bela ! Perguntei para ele então onde estava a "beleza" do que vira e ele me respondeu: - é que o autor obteve a FINALIDADE que pretendera. No dia seguinte, o FILÓSOFO tomou um purgante que foi muito eficaz, e eu disse "obteve a finalidade, portanto, temos aqui um PURGANTE BELO !"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: O decano pensador de nossas auriverdes auroras televisivas de nome Bozo, o Ungido, dizia - traduzindo do latim para o veículo midiático: "sempre rir, sempre rir - pra viver é melhor sempre rir..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS2: A imagem do post - e agora farei uso NA LINGUAGEM daquilo que mais gosto, ou seja, ME AUTOIRONIZAR - é do Bozo comendo a Vovó Mafalda. Ou melhor dizendo, no idioleto USPiano do qual estou contaminado, &lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;"uma figuração clownesca de porte televisivo inserida em uma indústria cultural destinada à manipulação do ideário infanto-juvenil que se forma ao recebê-la. Aqui, a encontramos em franca posição copular, de desabrido coito incestuoso com a Mater Geratrix de sua estirpe, num enlevo de excitação orgasmica que só se descobre interrompido quando uma personalidade - uma caricatural representação do Super-Ego - de nome "Garoto Juca" se interpõe e delata o transexualismo parafílico que a cena cabalmente engendra. Há de se notar que, não por acaso, é um jovem - ou seja, um ser desprovido de sapiência cumulativa e a priori em processo de suxuamento - quem delata o incesto-homossexual, que é perpretado entre um homem adulto travestido com cores grotescas e uma suposta anciã, que também é, por seu turno, homem. Ou seja, a aparição da criança denota a anulação da figura paterna incestuosa elaborada pelo palhaço sodomita, e a consequente punição simbólica imputada pelo olhar de soslaio que vítima do horrendo coito lança ao infinito - que é, por sua vez, uma representação introjetada/projetiva da "fase anal" que, por sua inquietude significante se dirige voraz até a boca, tornando-se abruptamente "oral" e terminando pela "sublimação" parcialmente redentora e em ascese libidinal em uma frase dita como que ao léu: "sempre rir..."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS3: Para os meus detratores, observem com que facilidade me desfaço do "discurso referente" que usei no post e brinco depois com ele. O dia em que não puder mais fazer isto - brincar, e, principalmente, COMIGO - certamente ninguém estará vendo mais NA ESSENCIA este Luciano aqui. Mandem jogá-lo ao mar e arranquem sua língua, então...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7676807659243990195?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7676807659243990195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/o-espelho-sem-nome.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7676807659243990195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7676807659243990195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/o-espelho-sem-nome.html' title='...o espelho sem nome...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWysh8vBH6I/AAAAAAAAAF8/aQTWfnNuREc/s72-c/bozo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-5771728149098617096</id><published>2009-01-11T04:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T12:31:59.218-08:00</updated><title type='text'>...J.C.Bach...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWn5KNRd-kI/AAAAAAAAAF0/Fdrp5yqKuXQ/s1600-h/Johann_Christian_Bach.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290033191080294978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 390px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWn5KNRd-kI/AAAAAAAAAF0/Fdrp5yqKuXQ/s400/Johann_Christian_Bach.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A música feita ne segunda metade do séc. XVIII na europa se resume, para as mãos simplistas e codificadoras dos manuais de história da música usuais, aos nomes de Haydn, Mozart e do primeiro Beethoven. Por vezes, algo de Boccherini e ainda a histórica "reforma da ópera" efetuada por Gluck em seu nobre "Orfeu e Eurídice". Não nos iludamos, porém: estas simplificações tem a vantagem de realçar as pinceladas fortes da tela então em análise - mas sempre deixam de lado matizes que, embora não tão preementes/significativas, tem sua contribuição estética precisa e não raro criativa no conjunto do Tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curioso tal exame enxuto não ocorrer no período romântico da música européia. Nele, destacam-se - pela minhas contas apressadas aqui - pelo menos uns cem compositores, de Von Weber ao "Grupo dos Cinco", de Bizet ao Ultra-Romantismo de Mahler, Bruckner e Richard Strauss, indo até mesmo aos últimos estertores da grande sinfonia nas mãos de um Sibelius.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas vejamos mais de perto o processo historiográfico que perpetuou essa concepção enxuta da música do séc. XVIII. Durante anos - e, em grande parte, ainda hoje - o modelo musical, o padrão artístico a priori da escuta, execução, postura, códigos musicais, foi o portentoso modus operandi romântico. Ou melhor - e aqui surge uma crítica que caberia em outro post - AQUILO QUE SE IMAGINA SER A DICÇÃO ROMÂNTICA, ou, delineando com mais acuidade o procedimento, a SIMPLIFICAÇÃO, O IDIOLETO/CACOETE DA ESCOLA ROMÂNTICA. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, as trompas reluzentes e contrabaixos dramáticos das orquestras beethovinianas, os fraques que referendam a postura pomposa e endeusada do regente/gênio, o espírito de reverência quase espiritual das platéias - que também prestam maior culto ao seu espírito próprio por estarem fruindo desta música de eleição ... - os vícios de interpretação detestáveis quando lendo obras de outras períodos - os legatos chorosos, os ralentandos anti-clímax com direito à ejaculação precoce, os "fffff" que demonstram exemplarmente como uma orquestra sinfônica pode servir de aparato bélico, as inúmeras incorreções que se ouvem em gravações, ou ao vivo, que vão desde entradas, dinâmicas, fraseados, tempos, notas erradas - que se devem ao fato de a música, por ser invarialvelmente "grande" em proporção de "vozes", deixa escapar as anotações precisas do compositor romântico, que as quer executadas exatamente como pensou. É curioso que a estética tida como a mais livre, mais desbregadamente expressiva, dê tão pouca margem de interpretação ao executante. Em uma partituta de Brahms ou Chopin, está tudo lá impresso - a grafia não é mais um testemunho, muito menos um mapa a se seguir, é antes a própria expressão meticulosamente "topográfica" de todos os caminhos sinuosos da Obra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me de ouvir criticamente várias versões da "Sinfonia Fantástica" de Berlioz e perceber que o primeiro movimento, a meu ver o verdadeiro "tour de fource" da obra, sempre é metodicamente massacrado pelas personas superleitoras dos regentes. As catalizadoras - em termos estruturais mesmo - melodias que aparecem neste movimento, por exemplo, são sempre tocadas de forma impessoalmente não cantabile. Me pergunto se Berlioz, que tinha por ídolo Gluck e as solenes melodias do classicismo francês - Méhul, Gossec - ficaria satisfeito ao ver o "di"-laceramento com ares de serial-killer da "idéia-fixa" da "Fantástica", e de suas irmãs de discurso melódico. Berlioz utiliza, inclusive sistematicamente, o que chama de "melodias intermitentes" - fragmentos melódicos que aparecem, comentam, percorrem marginalmente o discurso musical, e depois se esvaem para sempre. O que os maestros fazem com essas "melodias gotículas" demonstra exatamente a práxis de sua análise pré-execução da obra: munidos do já suprareferido arcabouço de maneirismos, tendo uma bíblia de traquejos cacarejantes do romantismo dentro de si, POUCO VÊEM DA OBRA EM SI, MAS TÃO SOMENTE OS CÓDIGOS EXTERNOS DECALCADOS NO EM SI, PROJETADOS SOBRE A OBRA. &lt;/div&gt;&lt;em&gt;.............&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A música é a alma da geometria" (Paul Claudel)&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;...............&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por conta talvez do cultivo sistemático do excesso e do fake-pós-moderno, faustoso e anacrônico, eu tenha minhas predileções musicais bem particulares - muitas vezes, antagônicas ao meu próprio espírito artístico. Pelo menos, na SUPERFÍCIE antagônicas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o caso de Johann Christian Bach - compositor de delicados/crepusculares concertos para piano - historicamente, os primeiros. Mozart o amava, e com ele aprendeu a ductilidade da melodia. Fiz para J.C.Bach, absorvido pela audição de sua música-Watteau de sombras sutis, um poemazinho - como lembrete/agradecimento:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;J.C. Bach (1735-1782)*&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;um acorde maior uma tríade com sétima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cadências de engano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enganas a Wolf, o amado por Deus e Murilo Mendes ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um século de perucas e de imperativos categóricos&lt;br /&gt;de librés&lt;br /&gt;de Tiepolos indecisos entre a linha azul&lt;br /&gt;e o poço que gesta Goya...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não te alcança meu pesado passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;metrônomo: 120&lt;br /&gt;(não fora inventado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in Londra&lt;br /&gt;- o irmão distante ao clavicórdio com Frederico da Prússia –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“the first movement is symphonic texture,&lt;br /&gt;a perfect example of Pre-Classical concert”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;compõe na língua corrente de toque correto e evanescente&lt;br /&gt;total franca tonal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kubrick grava seu “Barry Lyndon” à luz de velas&lt;br /&gt;a melodia cantabile ao piano&lt;br /&gt;e a Senhora Haebler fidelíssima em extrair ondas decorosas&lt;br /&gt;lápis-lazúli da pele de pérola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“pai, grande perda para o mundo da música”&lt;br /&gt;comenta W.A. triste em certa carta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez Boucher lasso pintando um boudoir obeso&lt;br /&gt;e Sade e Shandy para o futuro XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coda:&lt;br /&gt;e não te alcança meu pesado passo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;SBCampo, 4/7/2005.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;* Johann Christian Bach:&lt;/strong&gt; o filho mais novo de Johann Sebastian Bach, conhecido como “O Bach de Londres”, foi o único membro da família a dedicar-se à ópera. Rompeu assim com a longa tradição dos Bach, cuja atividade sempre estivera ligada à Igreja; e seguiu a trilha de seus dois grandes predecessores saxões, Haendel e Hasse, que tinham se tornado cultores da tradição operística italiana. “Lauro Machado Coelho, A Ópera Barroca Italiana, Ed. Cultrix”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: a pintura do post, de autor que não consegui identificar, é um retrato de J. C. Bach. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-5771728149098617096?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/5771728149098617096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/jcbach.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5771728149098617096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5771728149098617096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/jcbach.html' title='...J.C.Bach...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWn5KNRd-kI/AAAAAAAAAF0/Fdrp5yqKuXQ/s72-c/Johann_Christian_Bach.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4277298104769628447</id><published>2009-01-06T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-01-06T09:53:31.461-08:00</updated><title type='text'>...tropicanção...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWOZsw9uFHI/AAAAAAAAAFs/vdvuqWk_4s0/s1600-h/tropicalia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288239381800162418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWOZsw9uFHI/AAAAAAAAAFs/vdvuqWk_4s0/s400/tropicalia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Repe(n)sando&lt;/span&gt; (texto de 96)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tropicália foi a segunda grande síntese dos recursos estilísticos, possibilidades e alcance estético da canção popular brasileira ocorrida no séc. XX. Se concebermos a Década de Trinta como momento matricial, onde ocorreu a consolidação do gênero canção popular dentro dos parâmetros da então nascente “indústria da cultura”, a saber, canções compostas com uma minutagem previamente concebida para cantores que se tornavam astros da rádio recém instalada e mais toda uma geração de compositores, intérpretes, arranjadores, apresentadores de programas de rádio e etc., veremos o signo duplo que, desde seu suposto início - Noel Rosa, Sinhô e outros - acompanha a canção.&lt;br /&gt;Surge assim a “canção popular urbana”, um gênero difuso, difícil de definir por conta de seu hibridismo, de sua procedência múltipla de localizações, mas de elementar detecção enquanto um “gênero” artístico, encaixado mais exatamente no Brasil como antípoda da chamada “música erudita” - esta de procedência européia e encharcada de códigos oriundos de uma tradição de séculos. O fenômeno é tão complexo, que discussões intermináveis a respeito da real significação e validade da canção popular até hoje são desfiadas. Questiona-se o valor artístico da “música popularesca”, que o neo-marxismo da escola de Frankfurt reputa como meramente “gastronômico”, em verdade como um novo e codificado opiáceo concebido sob medida para o mundo contemporâneo, produzido em série pela indústria cultural com destino às massas esmagadas pela roda viva do Leviatã capitalista. A música “popularesca” funcionaria, então, como peça inserida nesta engrenagem de consumo, feita em conformidade a regras rígidas - onde entrariam posteriormente os conceitos de “informação e redundância”, emprestados às ciências da comunicação -, e encarada unicamente como “produto” que, passado o seu prazo de fruição - sempre superficial, alienante e enganoso na multiplicidade de recursos sedutores que o “artista” da indústria, seu produtor, dispõe - seria descartado, oportunamente jogado fora. Uma imitação de “Arte” que visa unicamente agradar ao ouvinte - porque assim, paradoxalmente, lhe é imposto pelo mercantilismo insaciável da gravadora, do selo e etc... - que está totalmente desconectada do compromisso de “evolução estética”, uma das finalidades da Arte, desde o grande “abre-alas” do Renascimento.&lt;br /&gt;Daí as teorias todas das supostas “linhas evolutivas”, aplicadas às artes gerais e à música popular brasileira em particular, e pela primeira vez, pelo poeta concretista Augusto de Campos e Caetano Veloso para explicar o “passo à frente” do tropicalismo. A evolução real, válida tanto para a poesia, quanto para as artes plásticas e a música, estaria na evolução da “linguagem”. Este conceito, ou melhor, este “parâmetro” estético esteve em voga mais precisamente desde a virada do séc. XIX, a partir de Mallarmé e todas as correntes literárias - e artísticas - que o sucederam buscaram afirmação ou negação desse pressuposto criativo. Breton e o surrealismo contra, em um primeiro momento, o cubismo a favor, como exemplos práticos. Na música, mais precisamente na música erudita, vemos, a partir de Beethoven a fixação da imagem do artista como criador individual que tem o domínio absoluto do ofício, da artesanía, de sua arte, estando portanto em condições de negá-la ou referendá-la, o que o leva, como questionamento básico de um indivíduo herdeiro de uma tradição, a um segundo passo, à contemporânea “angústia da influência”, que necessariamente o impele ao “desenvolvimento”, por outras vias inerentes e pouco exploradas, da linguagem, deixada em uma condição de máximo acabamento e esgotamento de todas as suas possibilidades por seus antecessores - no caso anteriormente citado de Beethoven, o Classicismo de Haydn e Mozart. Ora, sucede que a universalidade que se atribui ao gesto determinado de lidar de modo revolucionário com a linguagem está totalmente ligada ao processo individual do artista, que sempre opta, é subjetivo em sua escolha, portanto, e que dá à Arte “geral” a sua diretriz “individual”. Pensemos que noções básicas e correntes hoje em dia como “gesto”, “diferencial”, “marca”, “traço distintivo” e a mesma “originalidade” - e aqui o conceito poundiano, no fundo bipartido, de inventor-diluidor paga alto tributo - estavam na origem, conflitante, da arte moderna, mesmo antes de Beethoven, em Dante quiçá ou antes até: como alcançar o Universal através da própria dicção, de sua essência individual e especificamente humana ? - eis aí talvez o ideal básico da Arte como a entendemos modernamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Aura Amarga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gastaram-se vãs sutilezas a fim de se decidir se a fotografia era ou não arte, porém não se indagou antes se essa própria invenção não transformaria o caráter geral da arte”. Assim Walter Benjamim, no início da voga estética moderna, explicita o nó górdio do problema que, até hoje, agita os meios acadêmicos, intelectuais e artísticos, e de certa forma, a crítica de arte no Brasil: com qual instrumental analisarei eu, nesta época de fractais e multiculturalismo diário, a Arte ? Qual o procedimento válido de análise ? Crio eu mesmo, latino-americano, falando o português negro-índio o meu totem estético - “A gente escreve o que ouve - nunca o que houve” (um dos prefácios do Serafim, de Oswald) ?&lt;br /&gt;E este Totem inequívoco, necessariamente quer dizer livrar-se das “raízes” regionais em favor da língua franca da arte bem quista em Nova Iorque ou Colônia, descaipirizando-se ? A linha tênue, translúcida, dividindo a “macumba para turista” da “prata da casa” for export, onde fica ? E, indo mais longe nas indagações, em que medida o meu complexo de inferioridade terceiro-mundista me incita ao olhar desdenhoso e reprobatório ao que me cerca aqui, geograficamente, com seus cheiros, cores, formas e movimento tão distantes do “Grande Vidro” Duchampiano ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;............................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucidamente, Octavio Paz, o poeta-elo mais significativo a transpor Américas com seu ideário humanista, em artigo para o London Times Literary Supplement, trisca a seguinte fagulha: &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;“A esta altura, depois de mais de dois milênios de especulações estéticas, de Aristóteles a Heidegger, sofremos uma espécie de enjôo ideológico e já ninguém sabe ao certo o que significa realmente a palavra poesia. O mesmo acontece, no nível da política e da história, com o termo América Latina: é uma ou várias? Ou nenhuma? Talvez seja apenas um rótulo que, mais que nomear, oculta uma realidade em ebulição - alguma coisa que ainda não tem nome próprio porque também não conseguiu existência própria.”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;........................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inomear-se, indefinir-se – talvez seja este o Espírito do Tempo, que vemos incansavelmente cantar pelas ruas sua ladainha de vida e dissolução. Se “é”, transfigura-se. Se “muda”, petrifica-se por instantes para depois sucumbir outro aos ventos mutantes do tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;...........................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;re-Cito aqui Torquato Neto e Gil, voltando ao ponto de partida – a Terra Brasilis e suas trans-feiras modernas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Eu, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;brasileiro,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;confesso &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Minha culpa,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;meu degredo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pão seco de cada dia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Tropical melancolia &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Negra solidão....&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;PS: Seja Marginal Seja Herói - Hélio Oiticica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4277298104769628447?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4277298104769628447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/tropicano.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4277298104769628447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4277298104769628447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2009/01/tropicano.html' title='...tropicanção...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SWOZsw9uFHI/AAAAAAAAAFs/vdvuqWk_4s0/s72-c/tropicalia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6423555648418508032</id><published>2009-01-02T08:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T06:32:25.510-08:00</updated><title type='text'>...folle è ben che si crede...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SV5YG2YNhfI/AAAAAAAAAFc/wR7sLRMxepA/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286759887279064562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SV5YG2YNhfI/AAAAAAAAAFc/wR7sLRMxepA/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;P/ Thiago Amud, que vê vias de acesso também...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela tinha olhos laminares, que buscavam a alma alheia para dissecá-la como fosse um feixe de músculos. Mas não o fazia por cálculo - antes, por uma arte obscura, inerente ao seu ser selvagem, recuado - mas de pássaro então silencioso. Menina de subúrbio de São Bernardo, evangélica, leve e casualmente loira, tinha a musculatura rija, pernas que se firmavam no chão como se quisessem de alguma forma enraizar-se nele - para, logo depois, fugir puro capricho, num vôo despreocupado e libertador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Peguei no ar este vôo ansiado que ela arremessava como desejo sem peso várias vezes durante ensaios e aulas, e não à toa, soube anos depois que se tornara aeromoça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, não vou me lambuzar aqui com os açúcares da palavra - devo, como 'sujeito' ludens pós-moderno, fustigar meu mal-educado romantismo juvenil, que de muito Schubert, Álvares de Azevedo e coetâneos tatuou-me nos neurônios uma propalada "queda na transcendência", onde me flagro em transfigurantes contemplações arrebatadas sobre a superfície escorregadia do vácuo/vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela era bela, de uma beleza simplificada em um ideograma de traços levemente corados, e mais bela ainda era sua/minha imagem e a construção, pixel por pixel, de sua cor, sua linha precisa, desvelo de gestos, castos diálogos mínimos e, principalmente, o que eu desejava - bem mais que o fosse assim - seu "Ser". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;R. chegou certa tarde, acompanhada de sua amiga. Dezoito horas, e a tarde caía sonâmbula por entre as pesadas cortinas vermelhas do auditório amplo e cheirando a mofo. Estava cansado, e minutos antes delas se aproximarem, havia me encostado em uma cadeira de corino muito velha, alcançando com o braço a ponta da mesa, que serviu de apoio para meu cotovelo. Minha mão alisava monotonamente uma suada testa, acima de olhos costumeiramente vagantes. Foi aí que a música que saía do pequeno aparelho de som subitamente, como num susto gozoso, me capturou do mundo árido onde me dissipava. Era a ária &lt;em&gt;"folle è ben che si crede",&lt;/em&gt; do compositor seiscentista Tarquínio Merula, cantada com lindíssima acuidade e precisão prosódica por Montserrat Figueras. Eis aqui a canzone: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=tVE2ovf_osk"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=tVE2ovf_osk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Advertia-se na ária: "louco é aquele que crê", sendo ela toda uma longa admoestação sobre as consequências dos atos amorosos, e a forma, A/B, forma-canção, se encaixava com simplicidade eficaz no desenrolar da idéia - um lugar-comum na lírica universal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas havia uma beleza que trascendia o não da mensagem, e ela se dividia entre um encorajamento juvenil e uma amarga prudência. Sonhei-a então, a canção assim dividida e cosida, e nos vãos de sua costura, no decote tremente de sua linha melódica, por entre ele vi R. entrar pela sala, pisando muito rapidamente o carpete carcomido com seu tênis rosado. Um luz sutil pareceu envolver tudo, como se um elo muito secreto entre as coisas, entre o sangue e o inanimado, o eterno e o passageiro, o CD e a voz pequena de R., tudo fosse um deságuar somente, que se direcionava diretamente aos meus sentidos já subitamente despertos e, então, imersos num estado de solene felicidade. Assim, este silencioso e esquivo amor mostrou por minutos sua face de deidade como raras vezes em uma existência acontece: não concretizável porque raro espírito, não táctil porque composto de opostos muito distantes e sem pontes a uni-los, não passível de transcrição - como aqui tateando tento brutalmente retê-lo - por não se tratar de um sentimento isolável, particular, mas de uma alma imantada que atrai para si tudo o que de profundamente límpido desejamos, aquele "para sempre" de ficção deleitável em nós e que, num ínfimo instante, parece ser nosso próprio Ser que se expande numa grande, difusa explosão, sem violência ou som, que nos faz ser tudo e em tudo sermos puro espaço.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembro-me de R. com saudades sutis, dessas que cabem inteiras em uma gaveta sem trinco - que não se abre muito, pelo trabalho que dá. Mas Keats aqui sintetiza em pedra luminosa o que sinto difusamente - em sua "Urna Grega", quando diz, via Augusto de Campos, que:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A música seduz. Mas ainda é mais cara&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Se não se ouve. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dai-nos, flautas, vosso tom;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não para o ouvido. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dai-nos a canção mais rara,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;O supremo saber da música sem som:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Jovem cantor, não há como parar a dança,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;A flor não murcha, a árvore não se desnuda;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Amante afoito, se o teu beijo não alcança&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;A amada meta, não sou eu quem te lamente:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Se não chegas ao fim, ela também não muda,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;É sempre jovem e a amarás eternamente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;........................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;Deixo aqui mais Tarquínio Merula (1594 ou 1595 – 1665) , que foi organista e violinista na Cremona do séc. XVI, apesar de seu nome estar ligado à Escola Veneziana. É uma Chacona, e a interpretação é furiosa, de quase artificiosos atropelos melódicos, do grupo mais "pop" da "música antiga" de hoje, o "Giardino Armonico". Desconsiderem parcialmente o clip, MTVístico em demasia, e ouçam apenas a liberdade gestual/frasal com que esta música é feita. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=bHrZlpdlxp0"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=bHrZlpdlxp0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;PS: escrevi/ouvi esta arenga toda para a saudade de R. ir embora, mas ela não foi. Definitivamente, há momentos em que a catarse é uma farsa - ainda bem...&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6423555648418508032?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6423555648418508032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/folle-ben-che-si-crede.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6423555648418508032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6423555648418508032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/folle-ben-che-si-crede.html' title='...folle è ben che si crede...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SV5YG2YNhfI/AAAAAAAAAFc/wR7sLRMxepA/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8893685521505504301</id><published>2008-12-28T05:20:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T15:28:08.904-08:00</updated><title type='text'>...réveillon...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SVqbW1WYcNI/AAAAAAAAAFE/d6h6SqBxVEE/s1600-h/BXK19198_santos-2800.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285707929253081298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SVqbW1WYcNI/AAAAAAAAAFE/d6h6SqBxVEE/s320/BXK19198_santos-2800.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fora um Ano Novo comum, de beira de praia, no início dos anos dois mil. Santos repleta de gente, então recém urbanizada, dispunha suas velhas famílias pela calçada misturadas aos visitantes de branco que tomavam sorvetes sem pressa e passeavam entre bicicletas zonzas e casais que se beijavam recostados em coqueiros. Eu via a tudo com indiferença e absorto em minha longa e monótona lista de lembranças, comendo uma barra de chocolate quase derretido por completo nas mãos e com um bloquinho onde anotara coisas díspares: nomes de ruas, de livros, telefones de garotas que conhecera, poemas, idéias de canções... Foi então que fiz este poema, ou melhor, este exercício poético, tentando captar com ironia e sem paixão alguma o amplo cenário humano que a Santos, minutos após a virada do ano, exibia: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Reveillon Pulsões Centígrados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os carros corroendo-os a maresia&lt;br /&gt;e o dia desfocado no refletor marítimo&lt;br /&gt;no passeio comungo com íntimos joelhos&lt;br /&gt;e tops azuis dedicados ao rápido&lt;br /&gt;anguloso bipartir dos seios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sandálias pruridas flores esmagam mosquitos de vistas soslaias&lt;br /&gt;e nem olham pra trás o sinuoso avenir de um desejo&lt;br /&gt;que seja o flácido fluir falsamente rumo&lt;br /&gt;sinaleiro farol feriado que se stopize de suor ardendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o policial destinado ao equilíbrio da espécie&lt;br /&gt;mesmo que os andróginos em sua busca se estupidifiquem&lt;br /&gt;de cerveja&lt;br /&gt;que ópio de pesar maior haverá mais malícia&lt;br /&gt;em havaianas se perdendo ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il Poverello…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu manto e meu alimento em minha empunhadura&lt;br /&gt;em alguma alcunha agressiva me agradando&lt;br /&gt;passageira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8893685521505504301?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8893685521505504301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/rveillon.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8893685521505504301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8893685521505504301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/rveillon.html' title='...réveillon...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SVqbW1WYcNI/AAAAAAAAAFE/d6h6SqBxVEE/s72-c/BXK19198_santos-2800.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-879929235317018526</id><published>2008-12-27T16:00:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T08:30:51.667-08:00</updated><title type='text'>...pela superfície...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"...A solidão, o país estranho e a felicidade de uma embriaguês tardia e profunda encorajavam-no e persuadiam-no a deixar passar o mais estranhável sem timidez e enrubescimento, como de fato aconteceu..." (Thomas Mann, "A Morte em Veneza").&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;P/ Armando Lobo (de Mesquita) e Guy Corrêa, hóspedes perplexos, vulgares &amp;amp; sublimes.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284850364724397618" style="WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 158px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SVePaAh9xjI/AAAAAAAAAE8/zr0a9l7SGPA/s400/lei_seca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Pela superfície, todos dizem eu te amo. Pela superfície, constroem-se rígidos andaimes dignos e muito apreciados pelo bom gosto e profundidade e lâmina inconteste em atravessar razões e corações com sua saliva sangue cerveja anticoncepcional halls de menta vapores do Boticário deste inconteste amor. Pela superfície, todos votam contumazes o conquistado sufrágio universal pois que lutas renhidas bramidas clarinadas se deram para o termos, e agora ele nos têm. Pela superfície, polidas mãos se cumprimentam e se estendem e se misturam e se perguntam se polidas mãos são algo de confiável. Pela superfície, desvelam-se slogans longos de campanhas partidárias nunca terminadas e que não obstante propagam-se viróticas pelas consciências celulares, implodindo-as por dentro com sua alvura propagandística. Pela superfície, somos filhos de um mesmo perpétuo Pai, mas quando o barco afunda sabe-se que os ratos não tem modos e sua habilidade em farejar a tragédia iminente os faz mais adaptados ao meio social em que vivem, sendo seres que vivos por conhecerem as águias regras das quais se servem os lobos. Pela superfície, ama-se o próximo na distância medida em quilômetros de ressabiamentos e paredes sobre paredes de chumbos de "por quês ?" isolantes e mágoas ocres e próprias projeções desfocadas e nossa vontade de que sejamos o outro e nossa fúria de sermos mutantes na imagem especular eivada de microfissuras em que o próximo se apresenta - e, por pudor e corrosão, se afasta. Pela superfície, há os casamentos como símbolos esvaziados de orações e mãos mas prenhes de promessas curtas e tão rasas, quando um oceano do do intransferível espiritual deságua nas duas almas dois pombinhos dois até que a morte os separe e inunda as sombras sem fundo dos olhares em salas de espera de asseadas maternidades de espera. Pela superfície, vivem os poetas da maneira subversiva que podem, um modus vivendi que transita entre a adesão com poréns dolorosos de modos de operação e a subtração da linguagem erótica do Real para os confins de uma terra que é uma utopia atípica e pitoresca feita de si mesmo, si mesmo "quando" e si mesmo para "além de si". Pela superfície, escrevemos e cortamos os pulsos e cantamos e trepamos e guiamos nossos fiats e vamos aos supermercados e tentamos e tateamos e tememos e tomamos e o tanto cego tempo que nos circunda com sua plumagem de vozes perfaz um amplo círculo em torno do que secretamente desejamos sem fim e pousa em nosso caminho para dizer-nos sem ênfase alguma que "fizeste-o sim, e de bom e de belo - porém, pela superfície..." &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-879929235317018526?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/879929235317018526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/pela-superfcie.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/879929235317018526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/879929235317018526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/pela-superfcie.html' title='...pela superfície...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SVePaAh9xjI/AAAAAAAAAE8/zr0a9l7SGPA/s72-c/lei_seca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7567635489712532060</id><published>2008-12-20T03:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-29T02:30:20.476-08:00</updated><title type='text'>...Sh(a)ow...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUzhVXPfR9I/AAAAAAAAAE0/2dXszhVymQU/s1600-h/warhol-andy-beethoven-a-1987-2303648.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281844220131231698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUzhVXPfR9I/AAAAAAAAAE0/2dXszhVymQU/s400/warhol-andy-beethoven-a-1987-2303648.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;mozartrocksonataacordedesétimadedominanteCDindústriaculturalschumannfrankzappabondedo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;tigrãoformacançãocaetanoamáliarodriguesbluesescaladomdimschenkerhandelprincemillesdavisoboé&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;pizzicatodistorçãoondasenoidalcagekidabelhamantrasindianosnonasinfoniabluenotetônicamediaântic&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;acarlosgardelsambadebrequesidneymagalbatutapalhetaencordoamentomicrofoniarolaromaiorjazzh&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;andelsargentpepperseniomorriconeelviramadiganchicoalvessinfoniainacabadaaquecimentovocalhan&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;slickmaugostoarrebatamentotempestadeeímpetoteoriadosafetoasedaspaixõessinfoniafantásticacabo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;amplivozmaciaaveludadadocesensualagudasemfreioslancinanteomartelosemmestrehendrixmenudo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;codafraseperífrasecitaçãoparataxecolagembuenavistaafrolatinolatinosinfoniadosmilasagraçãoraciona&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;ismc´srayconnifpadremarcelorossipixinguinhaagudomédiograveacordededominantesubstitutaayredodecafo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;nismoestevereichtímpanosmelodiainfinitamúsicapuratonicoetinocoziriguidunpaixãosegundosãomateus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;color:#000000;"&gt;Devo rogar a meus leitores que não me culpem se o progresso da raça torna cada vez mais evidente que o crítico musical de classe média é a mais ridícula das instituições humanas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;Ingredientes: Massa: 3 colheres (sopa) de margarina 4 ovos (claras em neve) 2 xícaras de açúcar 1 copo de leite 6 colheres (sopa) de achocolatado 2 xícaras de farinha de trigo 1 colher (sopa) de fermento em pó Recheio: 9 colheres (sopa) de açúcar 8 colheres (sopa) de água 1 pacote de coco ralado (100 g) 1/2 lata de leite condensado Cobertura: 50 g de margarina sem sal 1 lata de leite condensado Chocolate em pó a gosto Chocolate granulado a gosto. Massa:Bata as claras em neve e reserve. Numa tigela coloque as gemas, a margarina e o açúcar. Bata até que a mistura fique esbranquiçada. Aos poucos acrescente os ingredientes secos já peneirados anteriormente, alternando com o leite.Recheio:Misture tudo e leve ao fogo até obter uma cocadinha mole.Cobertura:Coloque o chocolate em pó, o leite condensado e a margarina numa panela e leve ao fogo até que a cobertura solte levemente da panela. Espalhe sobre o bolo e salpique com chocolate granulado.1/2 kg de bacalhau 2 colheres (sopa) de leite-de-coco 1 colher (sopa) de gordura de coco 1 colher (sopa) de óleo 2 tomates 1 cebola batida Alho socado Salsa Cebolinha 2 pimentões picados 1 colher (sopa) de azeite dendê Pimenta. Ponha o bacalhau de molho na água fria por toda a noite. Tire as espinhas e as peles. Refogue-o com gordura de coco, o óleo e os demais temperos. Adicione o pimentão cortado em tiras. Quando estiver tudo cozido, adicione o leite-de-coco e o azeite. Deixe aquecer bem e tire do forno. E seu delicioso bacalhau com leite de coco estará pronto. 1 lagosta 1 vidro de cogumelos 2 colheres (sopa) de margarina 1/2 copo de molho branco 1/2 xícara (chá) de queijo fresco amassado Sal Farinha-de-rosca Queijo parmesão ralado 1/2 copo de vinho branco seco. Cozinhe a lagosta na água, sal, cebolinha e salsa. Deixe esfriar , separe em duas metades e tire toda a carne cuidadosamente. Corte a carne em pedaços. Refogue os pedaços de carne com os cogumelos e uma colher de margarina. Junte o molho branco, o queijo fresco amassado e o vinho branco. Prove o tempero. Recheie as duas partes da lagosta com essa mistura. Alise bem e passe por cima 1 colher de queijo derretido. Polvilhe com queijo ralado e farinha de rosca. Leve ao forno quente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;PS: A frase que serve de intermezzo e subdominante com sexta no texto é do autocrítico de música Bernard Shaw. A imagem distorcida, por sua vez, é de Ludwig Van por Andy W. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7567635489712532060?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7567635489712532060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/shaow.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7567635489712532060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7567635489712532060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/shaow.html' title='...Sh(a)ow...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUzhVXPfR9I/AAAAAAAAAE0/2dXszhVymQU/s72-c/warhol-andy-beethoven-a-1987-2303648.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4593926736878715962</id><published>2008-12-19T05:29:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T16:50:22.859-08:00</updated><title type='text'>... a cripta de cristal de Kristeva...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUrufCek-2I/AAAAAAAAAEk/5mRIFL_cDXk/s1600-h/julia_kristeva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281295730053806946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 191px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUrufCek-2I/AAAAAAAAAEk/5mRIFL_cDXk/s320/julia_kristeva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um olhar outro, de diferenças, é sempre iluminador. Assim a delicada, implacável lucidez de Júlia Kristeva, conhecida psicanalista, semióloga e escritora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O outro mulher, o outro psicanálise (Freud/Lacan/Klein), o outro maternidade imanentemente feminina, o grande Outro/Discurso que lançará um olhar de ângulos reveladores sobre o objeto específico, no caso a arte em geral - objetivo deste simplório blog.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponto de partida é o lancinante/lúcido livro, já clássico, de Kristeva, &lt;em&gt;"O sol negro - depressão e melancolia"&lt;/em&gt; - onde, para além da simples descrição e análise dos processos psíquicos do melancólico em geral, ela tenta - e muitas vezes, triunfa - estabelecer um nexo semântico entre a criação artística e um enorme e branco continente onde a alma humana se cristaliza chamado "depressão". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta pergunta/tese é clássica, e remonta ao raciocínio sistematizador de Aristóteles. No seu já exaurido de tanto que serviu de referência - e que apesar de tudo, não posso eu mesmo me furtar a me referir de novo - "Problema XXX, 1", ele diz, abrindo a questão num resumo: &lt;em&gt;"Por que todos os homens que foram homens de exceção, no que concerne à filosofia, à ciência do Estado, à poesia ou às artes, são manifestamente melancólicos (...) ?"&lt;/em&gt; para depois prosseguir, em seu raciocínio que alia efeitos do corpo (a bílis negra e sua manifestações, entre outros) ao da alma, com observações que tem ressonância nas últimas psicologias como: "(...) &lt;em&gt;Se o estado da mistura é completamente concentrado (a Bile, o vento), eles são melancólicos no mais alto nível&lt;/em&gt; - hoje, a psiquiatria diria "Depressão Grave" - , &lt;em&gt;mas se a concentração é um pouco atenuada, eis os seres de exceção&lt;/em&gt; - a "Depressão Leve", que clinicamente, por pesquisas recentes na área da neuro-psiquiatria, demonstra que torna os indivíduos mais contemplativos, internalizados, ou, como diz Kristeva em seu livro: "(...)&lt;em&gt; o retardamento motor do depressivo pode ser acompanhado, contrariamente a certas aparências de passividade e de retardamento motor, de um processo cognitivo acelerado e criativo, como testemunham os estudos relativos às associações muito singulares e inventivas que deprimidos produzem a partir de listas de palavras que lhe são submetidas(...)".&lt;/em&gt; Talvez, por conta de uma não-significância interna que paralisa e descentra o Eu, o fino fio que me resta do desejo procure avidamente, esteticamente - para me seduzir de fora - a palavra lúdica, a linguagem encantatória outra que si-mesmo, ainda que, como frisa Júlia em certa passagem, isto seja um "artifício", nem sempre exitoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, o trecho mais impressionante do livro é quando Kristeva analisa a obra da escritora francesa Marguerite Duras, sintomaticamente no último capítulo, como uma &lt;em&gt;"estética da inabilidade".&lt;/em&gt; E daí, parte para um amplo campo de visão do mundo pós-guerra e suas utopias ruptas. Sua lucidez é a um tempo implácavel e serena, não poupando qualquer resquício de esperança que alienante. Em suas palavras"&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;O Acontecimento, hoje, é a &lt;strong&gt;loucura humana.&lt;/strong&gt; A política faz parte dela, particularmente nos seus ataques mortais. A política não é, como para Hannah Arendt, &lt;strong&gt;o campo em que se manifesta a liberdade humana.&lt;/strong&gt; O mundo moderno, o mundo das guerras mundiais, o Terceiro Mundo, o mundo subterrânem da morte que nos influencia &lt;strong&gt;não tem o esplendor civilizador da urbe grega. &lt;/strong&gt;O campo político moderno é profundamente, totalitariamente social, nivelador, matador. Assim, a loucura é um espaço de individuação anti-social -&lt;/em&gt; aqui, Júlia ecoa Foucault e a antipsquiatria&lt;em&gt; -&lt;/em&gt; &lt;em&gt;apocalíptica e, paradoxalmente, livre. Diante dela, os acontecimentos políticos, exorbitantes e monstruosos - a invasão nazista, a exploração atômica - são reabsorvidos para só se medirem com a dor humana que eles provocam. No limite, na visão da dor moral, não existe hierarquia entre uma apaixonada amputada na França e uma japonesa queimada pelo átomo. Para essa ética e essa estética, preocupadas com a dor, &lt;strong&gt;o privado ridicularizado obtém uma dignidade grave que minoriza o público,&lt;/strong&gt; ao mesmo tempo que &lt;strong&gt;atribui à história a grandiosa responsabilidade de ser o disparador da doença da morte. &lt;/strong&gt;Com isto, a vida pública encontra-se gravemente tirada da realidade, enquanto &lt;strong&gt;a vida particular&lt;/strong&gt;, em compensação, &lt;strong&gt;acha-se agravada até ocupar todo o real e tornar caduca qualquer outra preocupação&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O novo mundo, forçosamente político, é irreal&lt;/span&gt;. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;(aqui, ela sintetiza impiedosamente, num golpe de esgrima, o hoje). Vivemos a realidade de um novo mundo doloroso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;E continua, citando um trecho de "O Amante", de Duras, onde diz:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;"A partir desse imperativo do mal-estar fundamental, &lt;strong&gt;os diferentes engajamentos políticos parecem se equivaler&lt;/strong&gt; e revelam sua estratégia de fuga e fraqueza mentirosa:' &lt;span style="color:#006600;"&gt;Colaboradores, os Fernandez. E eu, dois anos após a guerra, membro do PCF. A equivalência é absoluta, definitiva. É a mesma coisa, o mesmo grito de socorro, a mesma debilidade de julgamento, a mesma superstição, digamos, que consiste em &lt;strong&gt;acreditar na solução política do problema pessoal&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;'"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Não se deve subestimar o efeito do olhar de quem se dispôs a dissecar a dor, seja ela coletiva, de época ou individual. Este trabalho feito de mangas dobradas e manchado de sangue é sobretudo nobre, apesar de aparentar a princípio puro subjetivismo iconoclástico. Justamente não é o que sugere ser -&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;há um desejo imenso de recuperação do "humano", mas pela via única do que ELE É, e não do que se PRESSUPÕE QUE ELE SEJA. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;PS: Os negritos são todos meus, e a figura na foto do post é Júlia Kristeva.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4593926736878715962?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4593926736878715962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/cripta-de-cristal-de-kristeva.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4593926736878715962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4593926736878715962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/cripta-de-cristal-de-kristeva.html' title='... a cripta de cristal de Kristeva...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUrufCek-2I/AAAAAAAAAEk/5mRIFL_cDXk/s72-c/julia_kristeva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2481715899206197417</id><published>2008-12-16T03:12:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T04:57:14.542-08:00</updated><title type='text'>...canção brasileira (2)...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUek6S1QXUI/AAAAAAAAAEc/fGwC-crb-4M/s1600-h/gira-discos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280370409509772610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUek6S1QXUI/AAAAAAAAAEc/fGwC-crb-4M/s320/gira-discos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mais um trecho escolhido de meu livro oculto, &lt;em&gt;"A Canção Hoje"&lt;/em&gt;, que no dia em que meu fragmentado espírito resolver se aglutinar num todo estilístico coeso, vira à luz:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;línguas, linhagens, linhas, linguagens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A Tropicália caiu como um míssil de beleza às avessas na cultura cancionista brasileira, desde que se instaurou como o movimento mais importante (junto com a bossa nova) da segunda metade do século no Brasil. Pôs na mesa farta e lauta onde os sambas e choros e iê-iê-iês conviviam de forma concomitante, não obstante em aldeias distantes, o signo implacável e moderno da confluência. Reduziu distâncias, aquilatou valores sobre óticas carnavalescas, possibilitando, desta forma, uma visão mais ampla, de realidades plurais, nas dicções radicais até então ou regionalistas ou internacionalistas da canção.&lt;br /&gt;O abalo foi tão profundo que até hoje o movimento como um todo sofre críticas iradas, cegas, não obstante seus criadores já se tenham fixado como mestres reconhecidos na história da MPB, de reputação artística inquebrantável.&lt;br /&gt;E o cerne do pensamento tropicalista é a pluralidade, o convívio e imbricamento de linguagens em um todo que pode soar ora festivo, ora sentimental, ora profundamente crítico. Não havendo exclusão alguma em seu “corpo estético” - seja ela de teor ideológico (“nego me a folclorizar-me para compensar as dificuldades técnicas”), estético (“Chico Buarque continuava fazendo o que era belo, e nós também queríamos o feio”) ou comportamental (“é proibido proibir” e seus derivados) - as portas já um tantos gastas, plenas de clichês do final dos anos sessenta se abriram para as lufadas diversas – pense-se em contracultura, cinema marginal, - dos ventos confusos dos anos setenta.&lt;br /&gt;Neles, nestes 70 que marcam o retorno de Caetano e Gil do exílio, surgiram figuras importantes na canção brasileira, e delas pode depreender-se o conceito de dicção, de traços distintivos, que moldaram a conduta artística dos compositores e intérpretes, criando a marca, o selo, o estigma até, de cada um deles. Vemos um Raul Seixas e seus fãs-quase adeptos de seu rock místico e crítico, recheado de referências a sociedades alternativas e redenções via experiências extrasensoriais; seguimos o percurso harmônico modal de uma beleza longínqua de Elomar e seu sertão pré século XVIII; o entrosamento da dupla João Bosco e Aldir Blanc refinando e carioquizando a linguagem do samba e da música urbana do Rio, onde despontam casos de polícias, mal resolvidas ralações amorosas, favelas e subúrbios estonteados de calor e dramas. Houve espaço nestes tempos de consolidação definitiva da indústria cultural fonográfica, ainda, para os experimentalismos oriundos das vanguardas paulistas – notadamente da poesia concreta – na voz sussurogritante de Walter Franco, na realização do áspero potencial criativo – essencialmente satírico e metalinguístico – de Tom Zé; linguagens de linhagens da canção seguindo seu trilho, como no nordeste revitalizado desde o LP “Expresso 2222”, de Gil, mas curtido em melaço e em sol a pino por outras mãos, principalmente no sinuoso melodismo e na extrema concreção das delirantes letras de um Alceu Valença, na voz amarga de desterro de um Belchior, no rock pop repente de imagética surrealista de Zé Ramalho e outros tantos. E viu, ainda e logo ao final, no último quartel da década, o som saído da lira urbano-paulistana de personagens que viriam a integrar a assim denominada pela crítica “Vanguarda Paulista”, como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, mais os compositores Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik – que viriam tornar-se ambos importantes teóricos da canção brasileira - , e, por outro lado, o talento do maior lírico amoroso da canção contemporânea depois de Chico Buarque e Tom Jobim: Djavan, alagoano criador de imagens e ritmos alineares, influenciado pelos Beatles, num todo estupendamente belo, que hoje resulta, óbvio, largamente imitado por diluidores dolentes de plantão.&lt;br /&gt;Mas os anos oitenta foram os anos do Rock, e toda uma geração se formou ouvindo o que se produziu por aquele tempo. O rock e o pop de bandas como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Ira, e outras, mais especificamente compositores desde sempre interessantes como a figura de Lobão, anárquica e por isso isolada do painel geral da época, deram a tônica do que era avidamente ouvido pela juventude de então, consumida através das rádios, revistinhas de violão, discos e dos vídeos-clipes – que viriam a surgir, ainda que de forma precária em sua fatura, pela primeira vez no Brasil. Uma época já de configuração plena da indústria do disco - na lúcida constatação de Luiz Tatit - apontando para o olhar receptivo das “massas” identificáveis como tal, onde a curtição, o caráter puramente descartável e a ingenuidade dos temas e simplicidade temática e musical das canções da maioria das bandas fazia lembrar, mas apenas em parte, já que as mesmas pareciam desenvolver uma linguagem que, mesmo que muitas vezes simplória, já possuía nuanças de uma manifestação de cultura de massa autóctone, os anos do iê-iê-iê de Roberto e Erasmo Carlos. Não obstante extremamente produtivos por esta época, bastiões da chamada “MPB” eram considerados por membros destas bandas como “ultrapassados” e sua música tida como “música de velhos”. Chico Buarque lançou alguns dos melhores discos de sua carreira então, e seu prestígio em relação ao seu público fiel em nada esmaecia, o mesmo ocorrendo com Caetano e Gil – que aderiram em parte ao pop em seus discos “Velô” e “Realce”, seguindo ambos a orientação tropicalista da eterna deglutição das formas do tempo. “Clara Crocodilo”, “Tubarões Voadores” introduziam o dodecafonismo schoenberguiano na MPB, Itamar Assumpção com “Nego Dito”, “Sampa Midinight” e outros LPs exportava de maneira radical o barroco sonoro, a fala múltipla e rítmica da linguagem coloquial urbana refinadas nas usinas ultrasofisticadas da ourivesaria de Paulo Leminski e dos irmãos Campos. Djavan compõe algumas de suas melhores canções e marca de uma vez por todas o campo de atuação de seu estilo, e, muitos compositores de antes produzem indiferentes às tendências do mercado fonográfico de então, Paulinho da Viola, João Bosco, e outros estando entre os mais ativos.&lt;br /&gt;E, em paralelo, alheia ao samba, à metalinguagem ou às sétimas maiores, a juventude ouvia resoluta “eu quis dizer, você não quis me escutar...” ou “não tinha medo o tal João de santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu...”. Aqui, entretanto, faz-se necessário um longo “porém” reparador: apesar da aparente e perigosa homogeneidade da produção musical de então, as manifestações musicais do pop e do rock eram diferentes entre si e artistas insignificantes de verões descartáveis se misturavam à cancionistas dotados no gosto de quem ouvia toda a música “jovem” da época, e hoje o distanciamento histórico permite discernir o ouro de tolo da prata de lei legítima da legião de então.&lt;br /&gt;E daí, a importância de artistas como Renato Russo, o maior letrista da geração, nos termos de ser aquele que melhor traduziu as angústias e vazios e amores frágeis de uma geração pós abertura que se embriagava de coca-cola com vodka e experimentava o uso de drogas não mais como experiência mística de portas abertas para extrapercepções, mas por puro escapismo adolescente, um antídoto para o tédio causado por um completo esvaziamento existencial e uma subtração de ideologias que, de resto, pareceram desde sempre nunca existir.&lt;br /&gt;Esta geração “X” ouvia falar de Marx de longe, muito longe, como fosse ela toda o primeiro filho de um náufrago que se encontrasse em uma ilha esquecida do mundo e visse seus pais sobreviventes comentando entre si de cidades e civilizações e fizesse delas, em sua cabeça de primogênito lançado ao caos, conexões longínquas e principalmente desconectadas de todo um ideário que antes pulsava, preso às cordas de um varal discursivo – décadas de 50, 60 e 70 – nas mesas de bares, nas academias de humanidades, nas manifestações político-estudantis e, no nosso caso aqui, em letras de música.&lt;br /&gt;Nos quartos adolescentes dos 80 via-se a figura patética, imprimida em preto e branco e de olhar altivo mas sem direção de Che Guevara (cromo enigmático em sua ideologia mas que, em todo caso, lembrava algo “forte” comportamentalmente), sabia-se muito bem que Jimmy Hendrix e Janis Joplin eram mártires que se adequavam à causa imaterial dos sem causa definida, mas urgia junto à tudo isso a figura progressivamente andrógina, pateticamente transracial de Michael Jackson e a hipersexualidade de Madonna, em sua pretensa transposição na forma de espetáculo mundial das repressões e recalques femininos, já à altura basicamente inexistentes. Havia, porém, junto a esse altar informe, uma espécie de resignação geral ao fato de que eram todos iguais em seu comportamento, só poderiam ser assim, e suas vidas transcorreriam sem protestos explícitos ao establishment, rumando todos à conquista de um bom cargo em uma boa empresa em uma boa cidade em um país que, afinal de contas, não era de todo ruim, apesar de abrigar uma democracia confusa (para quem sabia o que era ser cidadão) e uma consequente disparidade de valores e patamares sócio-culturais.&lt;br /&gt;Mas tudo isso era observado pelo olhar de quintal sem história, entre araçás e bananeiras e mobiletes e tênis All Star, imberbes terceiromundistas ainda meio atordoados pelo neon das hiperproduções da grande indústria e pelo advento agora definitivo da televisão como principal meio de difusão de idéias que se sabiam, desde sempre, alheias aos conceitos locais. Talvez por este tempo se inicie por aqui a “cultura das imagens”, que já fora esboçada nos anos 60, teve o seu controle absoluto pela repressão dos 70 e nos 80 e como que se libertou, alçando vôo livre entre as estruturas puídas de mitos em retalhos e informação visual torrencial.&lt;br /&gt;Pois ocorre que uma parte do que se considera a nova geração da MPB se formou por este tempo ouvindo o que artistas como Cazuza e Lobão faziam, misturado aos sons norteadores de compositores como Luiz Melodia, Itamar Assumpção e Djavan, ainda acrescidos na mistura caracteres e pedrarias luminosas e mais longínquas como “Refavela”, “Muito”, “Construção”, “Urubu” , entre outros.&lt;br /&gt;De modo que, como fica óbvio constatar aqui, a tentativa pseudo-clínica de tentar discernir se um compositor jovem é mais “pop” que outro compositor também jovem, ou se aquele outro ainda se filia com mais justeza aos preceitos de uma límpida e imaculada “MPB”, resulta inútil e de toda maneira inócuo do ponto de vista histórico ou, o que é pior para quem precisa de sinalizações seguras, estético. Serve para rechear teses de críticos mais preocupados com a manutenção periódica de museus do que com o carnaval de hibridismo descontrolado que é bem característica de um período de transição como o nosso, e, mesmo, em uma outra dimensão de observação, traço distintivo do fenômeno da canção brasileira ao todo, em todos os tempos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2481715899206197417?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2481715899206197417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/cano-brasileira-2.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2481715899206197417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2481715899206197417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/cano-brasileira-2.html' title='...canção brasileira (2)...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUek6S1QXUI/AAAAAAAAAEc/fGwC-crb-4M/s72-c/gira-discos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8160711417267705219</id><published>2008-12-11T15:40:00.000-08:00</published><updated>2008-12-11T16:28:51.426-08:00</updated><title type='text'>...Cabral...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUGv_yJz3cI/AAAAAAAAAEM/cuAfyrgOEhU/s1600-h/joao_cabral.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278693748584472002" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 187px; CURSOR: hand; HEIGHT: 151px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUGv_yJz3cI/AAAAAAAAAEM/cuAfyrgOEhU/s320/joao_cabral.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Claro que trata-se de leitura obrigatória, e não há como desviar nosso próprio pobre ofício de seu lúcido percurso em busca da pedra precisa/preciosa. João Cabral é um "poeta afiador", no sentido em que todos nós amolamos nossas facas - escolas - na dureza límpida de sua poesia. É doloroso e sublime, mas necessário e logo vira sangue dentro da gente. Procuro uma palavra para tentar definir sua alma, e me ocorre apenas uma que, pela sonoridade e exuberância contida, lhe convêm - a palavra espanhola "artesania". A mesma de Góngora e Quevedo, artesania parecia ser o objetivo/objeto de João, ou seja, o dizer com o máximo de precisão, o quase escrever "coisa". Sonhava João com a palavra virando uma planta ressequida mas perene, duradoura em sua geometria de nervuras, uma planta do agreste, toda enegrecida de sol e tendo por virtude a sublime secura. Ele diz, resumindo muito cabralinamente sua obra em uma entrevista para Edla van Steen, que &lt;em&gt;"Talvez eu tenha um defeito, o de ver a poesia como uma arte. Deve ser causado pelo interesse que eu sempre tive pela pintura. Em geral, os poetas não vêem a poesia como um objeto, mas como um documento pessoal, e tentam traduzir um estado de espírito escrevendo. &lt;strong&gt;Ao passo que eu acho que se deve criar um objeto que contenha aquele estado de espírito" . &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Ou seja, a primazia da confecção do balaio exato que vá conter o que se deposite nele - e este depósito é precisamente pessoal. Há o gosto aqui pelo bem dito, ou melhor, pelo dizer completamente acabado do dito - suprema seta de João.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faço dele a lâmina de minha língua, mas não me irmano de João. É herético alguém que mexa com a palavra poetizável no Brasil dizer algo do gênero, mas minha sinceridade em relação às minhas fontes criadoras é incorruptível. Estou próximo de Jorge de Lima, Oswald, Murilo Mendes e da poesia concreta, mas não me tocam em absoluto Adélia Prado, Cecília Meireles, o Mário de Andrade poeta, e, heresia das heresias, muita coisa de Guimarães Rosa. Acho "O Recado do Morro" um atentado de beleza sanguínea, mas "Grandes Sertões" mais me intimida que excita a alma. Talvez seja por causa da pequenez dela, e sei dela dispersa e quase se liquefazendo, perdida em sua fantasmagoria barroca que só se expressa pela hiperbóle ou pela caricatura. Mas como posso trair qualquer coisa nesta vida como artista, menos aquilo que sou, e menos ainda aquilo que soa, digo sem pejo minhas filiações aqui. E ao mestre Cabral, dedico o seguinte humílimo repente:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;palavra de barro para João Cabral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falemos de palavras&lt;br /&gt;por impossível o certo das coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de lúcido&lt;br /&gt;sentir a cerda&lt;br /&gt;daquilo que ousa&lt;br /&gt;em torno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é muito grande o rio do destino&lt;br /&gt;grego por demais&lt;br /&gt;e nele posso escrever&lt;br /&gt;de minha pena&lt;br /&gt;apenas a palavra&lt;br /&gt;lousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a palavra&lt;br /&gt;empala-se&lt;br /&gt;pálida um termômetro&lt;br /&gt;no céu das vísceras&lt;br /&gt;um palácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos dediquemos a viver dos cabelos&lt;br /&gt;que pingam&lt;br /&gt;como as selvas vivem dos lobos&lt;br /&gt;leões leopardos&lt;br /&gt;e os milagres erigidos da leitura da lepra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;br /&gt;SBCampo, 4/7/2005.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8160711417267705219?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8160711417267705219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/cabral.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8160711417267705219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8160711417267705219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/cabral.html' title='...Cabral...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SUGv_yJz3cI/AAAAAAAAAEM/cuAfyrgOEhU/s72-c/joao_cabral.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4333994129954438156</id><published>2008-12-07T08:04:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T09:06:33.549-08:00</updated><title type='text'>...vó...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STwAoRm7OhI/AAAAAAAAAEE/LmozccPO3ik/s1600-h/quadro+orkut.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277093555292813842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STwAoRm7OhI/AAAAAAAAAEE/LmozccPO3ik/s320/quadro+orkut.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Hoje, cantei para ela. Fiz o que era ela em vida: canto. Outras características menos nobres e mais humanas se sobressaíam de seu caráter: a suave histeria, o gênio impulsivo mas nunca embrutecido, o sonho que vinha fácil de se ver, o apaixonamento ingênuo por coisas e fatos que de alguma forma fossem transcendência. Herdei dela, por quem basicamente fui criado, muitos destes traços, que se diluíram cantantes no poço de minha personalidade. Tornei-me habitante - muitas vezes convidado - da labiríntica alma da mulher, e eu mesmo me amoleci de sutilezas em contato com esta alma. Tornei o que se chama meio vulgarmente de "um homem feminino", e lembro dela me ensinando aos oito anos a receita de um bolo de cenoura toda a vez que me meto a compor uma canção. Os ingredientes sim, a receita e seu mapa de feitura, mas sobretudo a "mão" para a cozinha, o "truque" para dar certo, e estas nuances todas que são confessadas com implícita magia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queria ser cantora quando jovem, a família foi quem a proibiu. Restou outra família a construir sobre o futuro, então, e a história se estendeu até mim não sem violências, abandonos, surpresas e mais uma vez a palavra, "transcendência".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Duvido que minha avó soubesse o significado desta palavra, apesar de seus olhos muitas vezes eu flagrar quase partindo, ansiando por um mais além - vendo que que poderia ser, ou, mais artisticamente dito, deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Palavra complexa esta, que minha avó me deixou para desmontar. No original, surge do latim ascender e está ligada ao conceito de que Deus está fora da matéria. Pode ser, na Idade Média, uma Insígnia, estando perto da condição humana. Ou seja, a palavra vai se aproximando, unindo Ser e Infinito. Passamos então por Kant, Hume, mas o argumento hegeliano é o mais sedutor: conhecemos a fronteira entre nós e o transcendente - então, dessa forma, já transcendemos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toscamente me inserindo com o auxílio de algum saber mais contemporâneo, creio que minha noção - e mais do que noção, minha transcendência mesma - é simplesmente tudo aquilo não sou "eu". Estar quase lá, no pleno, no absoluto - isto é antes de tudo uma manifestação vital, que inunda a minha canção e diz o caminho de minhas estradas de dentro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de contar ou descrever meus sonhos, pois são estupidamente sem graça. São quase matemáticos de tão freudianos. Quer dizer, se sonhamos o que desejamos e reprimimos, então eu sou uma caricatura dessa premissa: vi um doce que não comi em uma festa, sonho com uma confeitaria; não disse o que deveria dizer para uma garota, esta aparece chorando quando sonho e por aí se multiplicam os exemplos. Mas alguns poucos sonhos que fogem ao traçado exposto foram muito vivos em mim, e deles resultaram canções e outras coisas. Uma delas foi um poema que fiz, justamente após ter sonhado com minha avó. O poema não é uma descrição literal do sonho, mas uma evocação crivada das imagens que tingiram-no. Ei-lo:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ourivesaria&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Wanda Ernesta Locoselli&lt;br /&gt;quem dizia: - sai da janela que o “monstro do vácuo” te pega !&lt;br /&gt;aos onze anos era meu vazio essa voz.&lt;br /&gt;hoje a vejo na última laje do prédio&lt;br /&gt;em uma cobertura gris e despoticamente ereta&lt;br /&gt;de visões granulares&lt;br /&gt;tão alta&lt;br /&gt;tão faminta da espécie humana !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mostra-me outros edifícios em redor&lt;br /&gt;todos classe-média sombras em enfático desfrute&lt;br /&gt;frios&lt;br /&gt;ninhos de vazio descarrilando vãos corretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pergunta:&lt;br /&gt;- Vó, há mais cômodos, camas ou quadros por aqui ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rigidez no triste rictus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não;&lt;br /&gt;talvez olhando naquela parede ao fundo&lt;br /&gt;mal acabamento rachadura umidade&lt;br /&gt;tábuas se desconjuntando farpas de mogno –&lt;br /&gt;olha pra lá que do vão das tábuas vê-se&lt;br /&gt;uma vizinha fazendo cooper&lt;br /&gt;andando em círculos penando séculos de metas obscurecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, a mulher não pára&lt;br /&gt;como a avó de Proust de pé contra a tempestade&lt;br /&gt;e há cercas, ciprestes e quaresmeiras em seu caminho&lt;br /&gt;mata atlântica televisor em horário de cinema “B”&lt;br /&gt;se deslocando&lt;br /&gt;se alongando na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silencio – hora de intervalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há uma sabedoria tão especular no percalço desses espectros!&lt;br /&gt;que já de antemão por eles engolidos&lt;br /&gt;urros rascantes de terra –&lt;br /&gt;e bem antes&lt;br /&gt;de toda lembrança lápide conselho canção de berço retângulo -&lt;br /&gt;que o silvo do silêncio limpa o granito da varanda de seu odor de fada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Wanda&lt;br /&gt;tão bonito o seu cômodo vazio&lt;br /&gt;olho para a altura&lt;br /&gt;- menino cuja aura ourivesaste –&lt;br /&gt;e nem propaganda é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e silencio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.......................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: o quadro acima exposto, retratando um engraxate no centro de São Bernardo, foi pintado por mim aos 14 anos, quando ia com minha avó até o curso de pintura. Ela também pintava lá, e passávamos as tardes de sábado nesta comunhão simples.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4333994129954438156?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4333994129954438156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/v.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4333994129954438156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4333994129954438156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/v.html' title='...vó...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STwAoRm7OhI/AAAAAAAAAEE/LmozccPO3ik/s72-c/quadro+orkut.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2107712582020749046</id><published>2008-12-05T04:01:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T16:13:53.692-08:00</updated><title type='text'>...simone guimarães...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STnDbihigkI/AAAAAAAAAD0/1MsZI26QqQ8/s1600-h/simoneaguape.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276463316332610114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 336px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STnDbihigkI/AAAAAAAAAD0/1MsZI26QqQ8/s400/simoneaguape.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“&lt;strong&gt;Simone Guimarães – Virada Pra Lua&lt;/strong&gt;” – CD &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Lua Discos, 2001 (13 canções, produzido pela autora e arranjos de Leandro Braga)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Compositora notadamente lírica, na linhagem de Joyce e Fátima Guedes, voz grave, quente, de intérprete, com influências do grupo do “Clube da Esquina”, em especial de Beto Guedes e Milton Nascimento – som entre a garganta flutuante e a cabeça. Essa “descendência artística” é também verificada nas harmonias e ritmos das canções de sua autoria espalhadas pelo CD, não obstante haja um seguro controle das “vozes do coração”, o que dá à Simone um bom gosto poético que evita possíveis excessos sentimentais.&lt;br /&gt;Nascida no interior de São Paulo, Simone é uma das melhores autoras de sua geração, qualidade esta revelada na maturidade desabrochada em cores fixas neste seu disco, &lt;strong&gt;“Virada pra Lua”,&lt;/strong&gt; terceiro da autora (“Cordas &amp;amp; Cordas”, nunca prensado; “Cirandeiro”, CD – Tiê Musical; “Aguapé”.)&lt;br /&gt;Muito bem cuidado em seus arranjos e em sua sonoridade geral, o CD se faz de canções notáveis: &lt;em&gt;“Imagem e Semelhança”,&lt;/em&gt; parceria dos novos Bena Lobo e Kiko Continentino com Milton Nascimento. &lt;em&gt;“Mas resta a pergunta do começo , tô tanto distante de ter sido feito à sua imagem e semelhança, Pai”, &lt;/em&gt;letra de religiosidade comovente, mineira, envolvida em uma melodia inquisitiva, uma pergunta que se reponde no todo da canção.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Porto de Araújo”,&lt;/em&gt; belíssima pérola de nuance caymmiana de Guinga com Paulo César Pinheiro, parece ter sido feita no jeitinho para a voz de Simone. Senão, escute-se &lt;em&gt;“(...) gola azul de lã / quem me acompanha mãe é Nanã...”&lt;/em&gt;, no timbre anasalado como o mormaço de uma manhã nublada e de despedidas sem volta. A faixa 6 é uma parceria de Simone com Kiko Continentino, &lt;em&gt;“Night-Club”,&lt;/em&gt; um bolero de rica textura melódica e harmônica, e hábil criação de ambientação imagística na letra de Simone &lt;em&gt;“Boa Noite meu amor/ Vejo a lua branca te levar/ vejo o mar brilhando em teu olhar, raios de luar/ uma festa, um Boulevard ?”&lt;/em&gt; . De Thomas Roth, a comovente gravação de &lt;em&gt;“Meu Coração”,&lt;/em&gt; faixa 8, canção que se adapta ao marítimo amor exaltado no CD todo, &lt;em&gt;“quando lançou nas águas do meu mar/ as águas do teu rio”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A canção seguinte &lt;em&gt;“Sertão das Águas (Dois)”,&lt;/em&gt; parceria com Yuri Popoff, retoma o viés dos outros CDs da autora, o caráter regional estilizado da música. A letra , de construção alinear, soma imagens “interioranas” com fragmentos de lendas e citações pessoais, como &lt;em&gt;“Já é bem noite, a lua no centro retrai/Cachinauhá la longe na mata se esvai/ pra gruta de Ali-Babá alimentar seus filhos”&lt;/em&gt;. A faixa 11 é a jóia do disco (junto da canção de Guinga), uma toada “caipira”, do talentoso compositor José Marcio Castro Alves. &lt;em&gt;“Cumbuca”&lt;/em&gt;, que diz que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Na cumbuca do peito eu garimpo um amor viajante&lt;br /&gt;Quem cavuca o cascalho nos rios é que encontra o brilhante”,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;de tristeza bem “brejeira”, entre o barroco e o prosaico, lembrando Mário de Andrade de &lt;em&gt;“quando da noite fez-se o açoite...etc”,&lt;/em&gt; mas mais sucinto, rascante:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“quem derruba um carvalho a machado aborta a gestante&lt;br /&gt;e meu peito é um jardim que floresce , é um amor circunstante....”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com seu arranjo de viola, violão de 7, e canto – é claro – em terças, dobrado pela própria voz de Simone, que também se encarrega dos vocais.&lt;br /&gt;Mas o que possa soar um lirismo em excesso ressoante umedecendo todo o CD, se desfaz de forma agressiva na faixa 12, “escrita-canto” automática, convulsionada, não linear, esmagando imagens surreais em um funk – milton, onde se põe um lirismo novo, um tom diferente no disco, apontando para um caminho novo (e muito interessante) que a autora buscou seguir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;links sobre ela:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/simone.guimaraes/index.html"&gt;http://www.mpbnet.com.br/musicos/simone.guimaraes/index.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/simone-guimaraes.asp"&gt;http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/simone-guimaraes.asp&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2107712582020749046?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2107712582020749046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/simone-guimares.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2107712582020749046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2107712582020749046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/12/simone-guimares.html' title='...simone guimarães...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/STnDbihigkI/AAAAAAAAAD0/1MsZI26QqQ8/s72-c/simoneaguape.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-5928973101587817417</id><published>2008-11-24T04:05:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T10:20:12.136-08:00</updated><title type='text'>...canção brasileira (1)...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Posto, aos poucos, o que já comecei anteriormente aqui no Blog - os capítulos esparsos do meu livro "A Canção Hoje", ainda em esboço/rascunhado. Trata-se do "capítulo dois" do mesmo:&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSqkxY6-wwI/AAAAAAAAADM/TtacJPsZXBw/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo23.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272207482200965890" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 132px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSqkxY6-wwI/AAAAAAAAADM/TtacJPsZXBw/s200/sem+t%C3%ADtulo23.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;rios, pontes e overdrives&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;“a ponte não é para ir nem pra voltar&lt;br /&gt;a ponte é somente atravessar&lt;br /&gt;navegar sobre as águas deste momento”&lt;br /&gt;“A Ponte” (Lenine/Bráulio Tavares)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Seria talvez excessivo falar em termos de uma pós MPB, no sentido em que a mesma teria se esgotado em todo o seu potencial de renovação e que carecesse de verdadeira novidade (informação) em sua produção. O que parece ter mudado, e essa idéia já aparece esboçada por nós neste livro - mas que, de resto, uma simples passada de olhos (ouvidos) no que se faz hoje na canção brasileira mostrará claramente àquele que queira ver sem passadismos caquéticos - é a própria noção de MPB. O que se discutirá aqui, com toda a amplitude que o assunto aborda, estará puramente ligado ao “fato” canção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rompimento do fronteiriço conceitual entre o “pop”, “rock”, “música internacional”, “música para dançar”, e definições afins, que se iniciou com a Tropicália e em obras de artistas como Jorge Ben e Jorge Mautner, é, longe de ser exceção à regra, seguramente a essência exata da canção brasileira: um flutuar inconstante e que capta neste flutuar as vozes, perspectivas e linhas de vários níveis, daquilo que se considera “alta cultura” àquilo que se tem bem assentado como “a cultura de massas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canção, nesta concepção, surge exata e mais escancaradamente como aquilo que sempre foi, adaptando-se às circunstâncias e indo ao encontro das necessidades sociais de onde resolveu se entrelaçar então, misturando-se à saliva e à garganta, à ideologia e ao suor de quem a inventa ou mais ainda, de quem a reproduz: os cantos de trabalho espalhados por quem colhe e vaqueja ainda por todo o Brasil; a música que se dança, cantarolada ao ouvido nos salões, em passos de xote e gafieira, ou nos balanços individais, no Rock`in Rio e nos barzinhos dos bairros urbanos; as ultra sofisticadas canções dos centros urbanos feitas e consumidas por universitários e por uma “elite” intelectual que tem por isso mesmo condições de discutir as mensagens formais e metalinguísticas que as mesmas contém; a aceitação, por parte de uma classe média recém instaurada, e pelas classes pobres das periferias, da chamada música brega – que tem suas variações mercadológicas com nomes como “romântico”, “sertanejo”, “new pagode” e outros – e que cumpre muito bem a sua função de complemento ou catarse das pequenas tragédias individuais, de projeção emocional do objeto amoroso, de identificação com o conteúdo simples, que fala de amores estereotipados, na forma a e no conteúdo e nas melodias até; e mesmo nas canções eruditas de séculos passados que se ouvem nos teatros de ópera e que cumprem a função de preencher um enredo dramático e ressaltar um caráter de um determinado personagem; a canção gospel, das novas igrejas protestantes e os pontos de orixá dos terreiros de candomblé e Umbanda; os jingles que estalam nas propagandas televisivas e que acabam por se desprender do produto ao qual estão vinculados e se tornam música de festa; as cantigas de roda, ainda sobreviventes e portadoras orais, em uma época predominantemente visual, de todo um antigo imaginário infantil; os gritos de torcidas as mais diversas em todo o país, pré-melódicos, incisivos, salientando quase que só a zona de atuação do nível da fala e muitas outras tantas formas assumidas, explícita ou implicitamente, pela canção, incluindo aí, ainda, tudo – ou quase tudo – aquilo que se faz na concepção do que se denomina “música instrumental brasileira”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vê-se, por esta breve exposição, que este caráter duvidoso, de caixeiro viajante mesmo, que a canção brasileira possui e as diversas funções que a mesma assume quando deslocada de seu contexto e encaixada em outro, bem diverso – sujeita, amplamente portanto, à apreciação de quem a ouve – é o próprio alimento da qual ela se nutre ou, antes, a matemática complexa de sua própria alma. Rompa-se esta seda transluzidia de significações, interrompa-se este vôo expansivo, reprima-se esta desmontagem de tamborins ou esta ou aquela pilhagem estilísticas e ver-se-á o definhamento de toda a força que a canção brasileira possui, e estas condições “biológicas” valendo sempre como o seu princípio construtivo, inalterável desde o seus primórdios, desde os tempos em que Domingos Caldas Barbosa, de alcunha árcade “Lereno”, seduzia a corte portuguesa no fim do séc. XVIII com sua mistura bem característica da buliçosa música que os negros faziam no Brasil colônia, bem acrescida das formas poéticas adquiridas no contato com a poesia culta européia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso lembrar aos cultores de paralisias estéticas de que o choro surge quando o “scotish”, ou melhor, o xote, se mistura ao lundu e ao batuque, abastardando-os sem pedir licença aos “sinhô”. A bossa-nova é a garota da Zona Sul carioca que vem trazendo e cantarolando no seu gingado que passa sincopado as harmonias guershinianas/impressionistas todo o lirismo dolente e as subdivisões rítmicas do samba de Ary Barroso, Geraldo Pereira e Cartola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saber o óbvio, de uma vez, que nunca fomos “puros”, e que essa mestiçagem amplamente mapeada por intelectuais como Gylberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Roger Bastide e outros nos traz a perpétua dança do polimorfismo comportamental, e tem até como produto mais puro, no âmbito maior da cultura brasileira, a sua canção popular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E saber ainda que em um período de transição em todos os níveis como este em que vivemos – com seu início crucial na década de 60 mas com sua plena configuração nos anos 80 e 90 - de caoticismo mundial, de informação mediada e hiperealidade, onde as culturas se misturam à revelia de toda possibilidade de discernimento e dosagem química prévia, onde as mais esdrúxulas combinações ou choques podem ter seu lugar e que a facilidade, rapidez e avidez mesma destas combinações e refrações nos impedem de adotar qualquer forma de postura estanque que possua um olhar rígido sobre a realidade, e que ainda o próprio conceito de realidade se alterou indo se instalar, não sem sua boa dose de angustiada ironia, no olhar de quem a observa - a pluralidade mesma desta época, que quer denominemos pós-moderna ou não, ao sofrer a tentativa branca, progressista, apriorística e de redução à um mínimo denominador comum torna-se presa de um primarismo absolutamente inepto, se não tendencioso, tendo discursos pessoais raivosos escondidos na manga de seus trunfos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que se julgar, falar e for divulgado sobre a canção brasileira das últimas duas décadas mais especificadamente, seja como material de teses acadêmicas ou resenhas em jornais, deve levar em conta estes dados sócio-culturais. O mundo internacionalizante e mal-compreendido da globalização é o norte ocultado em quase toda a produção cancionista recente, e um instrumental de análise que se furte ao fato histórico ao qual o sujeito está inserido, apesar de se saber a própria palavra história ser uma ironia conceitual, é incompleto. O homem contemporâneo (a) , brasileiro (a) , que procura hoje desenfreadamente o seu “espaço social” é exatamente a matéria prima – no espaço de seu “eu”, em que pesem ali as suas dúvidas pessoais, violências, transgressões de sentido, alinearidades de pensamento – da canção hoje, onde o compositor atento tirará seu húmus e por onde o crítico se pautará desde o princípio. O homem (mulher) agora, no corte transversal em que vive, meio “self” meio “sociedade”, homem cuja atitude individual é subitamente multiplicada por mil canais de difusão, este é o homem cantado – ou pelo menos, o que deveria ser – pela canção. E é também, principalmente, o homem que canta, a corda tensa de onde vem os confusos sons do tempo presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;“Posta porta à fora, a integração volta pela janela” (Umberto Eco)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: a foto acima é do overdrávico Chico Science, repentista saudoso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-5928973101587817417?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/5928973101587817417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cano-brasileira-1.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5928973101587817417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5928973101587817417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cano-brasileira-1.html' title='...canção brasileira (1)...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSqkxY6-wwI/AAAAAAAAADM/TtacJPsZXBw/s72-c/sem+t%C3%ADtulo23.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-4482910144759236985</id><published>2008-11-18T05:15:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T07:50:37.770-08:00</updated><title type='text'>...indesejada...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se não for a mais bela, o luto é a forma mais nobre do silêncio. Absoluto, mais que um minuto, uma vida inteira carregando esse um minuto ampliado indefinidamente. Nenhum poeta ou filósofo nunca a tangenciou, ao falar Dela, recompô-la em um arbitrário soneto, dissecando-a em uma longa teoria ontológica. Ela é a dama branca que se prostitui sem sexo visível na esquina, a coberta puída, roída de traças que cobre o corpo frio - transfigurando-o - na cama, a escuridão solene que embriaga e perpetua aos trancos o coma dessa embriaguêz. A maior de todas as metáforas, a que anula todas as outras com seu poder de síntese. Perverso esse resumo abrupto ? Talvez, mas não podemos nos esquecer que nossos ouvidos humanos não captam o ruído da queda, porque o estrondo do fim cega cantando. A mais límpida cantiga de roda soprada no pó, criando uma nuvem que se evola e a tudo resignifica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;"Si una urca se traga el oceano,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;qué espera un bajel luces en la gavia ?" (Góngora)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele era jovem ainda, como se diz sempre que Ela leva consigo adiantada. Seus quarenta e poucos anos, quiçá quase cinquenta. Queria tocar piano, a "polonaise heróica", para sua mãe. Também gostava de Pink Floyd, de rock progressivo e estava num processo de apaixonamento bêbado pela música que tateante fazia. Líamos o elegante Mikrokosmos de Bartók, as primeiras lições, e ele estudava nos tempos que dispunha para tal. E havia as longas conversas sobre a arte, as liberdades, as fulgurações, os desenhos, as espécies - tudo o que a Musa pode oferecer, de balsâmico e revelador. Ele era tradutor, trabalhava febrilmente à frente do computador por horas - mas tinha a inquietude errática que se constitui o fogo da sensibilidade genuinamente artística. Falava muito do piano, e recomendei a ele os concertos de Mozart como leitura obrigatória: linguagem perfeita &amp;amp; pathos, a mão do sinuoso joalheiro de Salzburgo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSLc90-SadI/AAAAAAAAADE/yO93pJlVJsQ/s1600-h/score.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270017468726929874" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 126px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSLc90-SadI/AAAAAAAAADE/yO93pJlVJsQ/s320/score.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não sei se ele chegou a ouvi-los - havia na Internet a possibilidade de baixá-los na íntegra. Meu aluno talvez tenha prescindido desse ritual de passagem em looping, que se dobra em si mesmo perpetuamente, chamado genericamente de "Arte". Essa dança sem linhas diante Dela, que o artista equaciona esperançoso em seu poder de transcendência. Mas não há possibilidade aqui, o piano se emudece entrópico, a iluminada sala se fecha, é a coda que tenta dizer ainda que a "linguagem há de nos salvar". Sombra&amp;amp;sombra&amp;amp;sombra. Um borrão negro na tela do computador, e a impossibilidade de traduzir qualquer outra coisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pois não será a vida um moinho louco que mastiga os acidentes e os traduz ? Tradução de todos e das coisas, essa é a nossa condição humana: por isso os equívocos semânticos, os falsos cognatos, as leituras chãs, as insuportáveis decepções de sentido. Meu querido amigo era sábio, e hoje jaz com Ela. Entendia que traduzir era o fio de Ariadne que clareia o chão onde pisamos não sem indisfarçada hesitação. Por sabê-lo, como homem de família e encantamento latente, era mais artista que eu - eu, apenas seu comentador. Quiçá agora, imerso no Tempo, terá todas as horas fundidas numa imensa partitura - e poderá tocar tranquilo a polonaise que eu um dia finalmente tocarei, sendo pó e luz. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-4482910144759236985?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/4482910144759236985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/indesejada.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4482910144759236985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/4482910144759236985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/indesejada.html' title='...indesejada...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSLc90-SadI/AAAAAAAAADE/yO93pJlVJsQ/s72-c/score.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-6855378247171164514</id><published>2008-11-17T04:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T15:35:25.176-08:00</updated><title type='text'>...canção ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSFuVenkkGI/AAAAAAAAAC8/gkhlBHY9Pwc/s1600-h/Marc%20Chagall,%20O%20Mito%20de%20Orfeu,%201977.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269614354275536994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSFuVenkkGI/AAAAAAAAAC8/gkhlBHY9Pwc/s320/Marc%2520Chagall,%2520O%2520Mito%2520de%2520Orfeu,%25201977.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A "canção" não me interessa mais...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas os iluminadores de palco precisos, os cenógrafos, os resenhistas de música de jornal que quase nunca entendem do que escrevem, as cantoras perdidas em seus repertórios anacrônicos, os crooners assumidos e rebarbativos, as capas de CDs que dizem avidamente, os compositores perdidos em suas torres (ou barracões de zinco ?) de marfim, o técnico de som que nunca acerta a medida sonora do que faz, a senhorinha que se senta na primeira fila e se escandaliza menos com o que vê que o universitário cheio de conceitos e sem nenhuma idéia na cabeça sentado logo atrás, o crítico de música perdido nos trópicos entre a Mas(sss) Media e o ideal de uma MPB imaculada, o violonista cheio de acordes novos, o baixista que sempre tocou em bandas de rock, o tecladista que crê que o jazz e suas derivações salvarão o mundo da música, o figurinista que veste de acordo com a tendência mais descolada, os teatros que recebem a festa e o caos, os técnicos de estúdio que sonham em ser eles mesmos artistas criadores, os letristas que querem fazer alta cultura em um fox noelino, os analistas dos artistas que seguram a onda de tanta rejeição, dúvida e desejos reativos, o Caetano Veloso que do alto de seus sessenta continua mais jovem que a maioria dos novos compositores aí na praça, a menina que se encherá de paixão pelo cantor e que se deitará com ele imaginando transar com a própria poiesis, o faxineiro do teatro que ouviu o show encabulado e mais encabulado ainda vem abraçar o artista dizendo que - "aquela música lembrou o som que se faz na sua terra", o quase-artista que chega depois do show com um caderninho de poemas adolescentes e mostra e dá alguns para você querendo ele mesmo formar um dueto com com a sua linguagem, o cartaz que mostra sua foto de frente como a de um galã óbvio de novela das oito, a diagramação de tudo que diz hora local data valor nome etc., a carência geral por ídolos que guiem mesmo que para o abismo as consciências desacostumadas com a saída de Deus da parada, e a canção, a canção-canção, a transcanção, a metacanção, a canção estilhaçada, bêbada de ópio e de olhos arregalados para o Mundo, a canção que dá dois passos para trás e se contempla, cheia de malícia e ironia, mas também os produtores escassos que acreditam que só podem gerenciar grandes artistas, e as secretárias perdidas desses produtores que não imaginam que "Águas de Março" já virou Academia, a moça triste que vivia calada e sorriu e a meninada que toda se assanhou, a indústria cultural porque é uma indústria e eu não sou operário e aí como é que fica ?, o meu coração que já disse necrosado de romantismo que só se expressa por necessário o auto-diálogo, os teoristas da canção que inventam maquinárias complexas de linguísticas e tais para analisarem um objeto tão pequeno e erradio e contingente chamado canção, as teses aliás de universidades que tratam um samba bum-bum bati bum-bum burumbum-bum como se fosse um soneto de Shakespeare, a vontade imensa de dizer algo pelas mãos da linguagem popular que signifique a suspensão momentânea das fronteiras artísticas, atingindo dessa forma o ouvido que quer ouvir o que ouvirá mas não sabe e não espera...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Canção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por que depois disso tudo&lt;br /&gt;me interessaria essa musa esquálida ?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"A imagem é uma tela de Chagall, o "Mito de Orfeu'"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-6855378247171164514?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/6855378247171164514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cano.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6855378247171164514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/6855378247171164514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cano.html' title='...canção ...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SSFuVenkkGI/AAAAAAAAAC8/gkhlBHY9Pwc/s72-c/Marc%2520Chagall,%2520O%2520Mito%2520de%2520Orfeu,%25201977.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7328868949690222503</id><published>2008-11-10T12:58:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T04:33:34.341-08:00</updated><title type='text'>...2008...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRik0bs49sI/AAAAAAAAACk/MJUSpnq9VOE/s1600-h/barak_obama.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267140984905987778" style="WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRik0bs49sI/AAAAAAAAACk/MJUSpnq9VOE/s320/barak_obama.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;...2008...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Foi uma longa campanha, mas, nesta noite, por causa do que nós fizemos neste dia, neste momento definidor, a mudança chegou à América", disse Obama, 47, a mais de 200 mil apoiadores que acompanharam sua festa da vitória no Grant Park, em Chicago.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;"&lt;em&gt;Now to begin -&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Why fear the end." (Robert Creeley)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;congratulações, Sr. Presidente&lt;br /&gt;- de um sulamericano cujo Pátria deflorada tem sua capital em Buenos Aires -&lt;br /&gt;eleito por mãos brancas &amp;amp; negras &amp;amp; amarelas &amp;amp; interraciais&lt;br /&gt;posto no trono marmóreo/olímpico por miragens planetárias&lt;br /&gt;e no entanto, Sr. Presidente, Wall Street está um inferno !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tua Pátria, a de Capote e Thoreau, está fartamente cantada em películas&lt;br /&gt;se fez inteira num romance de época onde o mocinho tinha salientes bíceps brilhantes&lt;br /&gt;e a heroína morria de fome ao sul do Equador - da mais singela e indecente fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, Wall Street está um inferno !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, quero aplaudir teu aplauso com sinceridade&lt;br /&gt;és o regente do olho do mundo, da foz cósmica, de Das Kapital&lt;br /&gt;e se faço uso da ironia como espelho, é para melhor a imagem ser escondida&lt;br /&gt;ocultada&lt;br /&gt;descosida&lt;br /&gt;ir à esmo...&lt;br /&gt;oh Pátria das expropriações assentadas sobre uma Bíblia escura em sua predestinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois do Grande Cogumelo não pode haver História Espiritual&lt;br /&gt;depois de Pearl Harbor e do presidente alvejado, nenhuma anedota&lt;br /&gt;tua Pátria vive um após que a lacera verticalmente&lt;br /&gt;do Mississipi ao Kansas, do Oregon ao Alaska&lt;br /&gt;andou muito mundo afora tua Pátria, Presidente, e seus pés se carcomeram no asfalto dos mares&lt;br /&gt;roídas as horas cinzas no zigue-zague de projéteis no Iraque.&lt;br /&gt;hoje, entanto, Wall Street está um inferno !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, contudo, tens alegria - como tua Pátria, ris, falas do futuro, palmilhando-o&lt;br /&gt;e teu discurso de posse é longo como a mística de Walt Disney&lt;br /&gt;cores, vejo-o apenas cores, que se mesclam e buscam avidamente a sílaba fixadora&lt;br /&gt;mas morrem no raiar de sua própria luz, no trilho do trem, nem vermelhas ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e Wall Street, um inferno !&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7328868949690222503?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7328868949690222503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/congratulaes-sr.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7328868949690222503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7328868949690222503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/congratulaes-sr.html' title='...2008...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRik0bs49sI/AAAAAAAAACk/MJUSpnq9VOE/s72-c/barak_obama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-1759668135485701970</id><published>2008-11-10T12:57:00.001-08:00</published><updated>2008-11-16T04:26:42.980-08:00</updated><title type='text'>...cirandinha versus Joelma em chamas...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SR8XjfIXhGI/AAAAAAAAACs/fskl192sbK0/s1600-h/donald.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268955987466224738" style="WIDTH: 138px; CURSOR: hand; HEIGHT: 192px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SR8XjfIXhGI/AAAAAAAAACs/fskl192sbK0/s320/donald.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Não: uma torre se erguerá do fundo do coração e eu estarei à borda"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Rilke, via Augusto de Campos)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há cartas que se leva por uma vida toda afora sem nunca se abrir, e cujo conteúdo, embora pressentido, nega-se que seja um abismo. Um inominável Sim, que arrasta sua sombra úmida pela alma e que tudo permeia, tudo precede. Jamais conversamos com este Sim - há mistérios demais que já de antemão sabemos, enigmas para os quais temos cegantes respostas, e sempre presente uma ausência branca a dissolver a palavra ordenadora. Em fevereiro de 1974 o edifício Joelma, em São Paulo, incendiou-se. Era sexta-feira, em pleno horário comercial, o prédio apinhado de gente e, evidentemente, foi uma catástrofe. Vez ou outra aparece em algum documentário a desesperada resignação de pessoas se jogando do alto do Joelma para morrerem mais rapidamente pela queda que pelos sopros cáusticos das chamas. Eu tinha dois anos, então, e minha memória pára aí. Meu tio, o terceiro filho da família de minha mãe, estava no Joelma, trabalhando. Morreu asfixiado no elevador, diz-se, mas nunca foi explicado por quê o seu caixão teve que ser lacrado no velório. Asfixias não deformam rostos nem desfiguram carnes. A família atônita, então, desmoronou: o pequeno lar sãobernardense, de afazeres próximos, de finais de semana em volta da mesa, de fuscas comprados com economias guardadas, de perfumes prosaicos da Avon, a família foi invadida pelo mesmo fogo indiferente que esquartejou o Joelma. Vivida da forma mais dramática possível, a morte de meu tio espalhou o seus gestos demolidores com precisão, enchendo minha mãe de revolta, minha avó de loucura e os demais parentes de uma difusa - mas inflexível - melancolia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tinha dois anos e meu tio me adorava, como de resto, toda a família. De uma hora para outra, sem que me desse conta do papel que assumiria, virei, com a morte dele, o depositário de todo o Caos que esmagava o espírito de meus parentes. Um a um vinham até mim e colocavam uma alegria quase maníaca - uma ponte de papel sobre o precipício - em minhas pequenas e mudas mãos, e pediam que eu brincasse com ela, a alegria, que a transubstanciasse. Foi então que precisei afoito de um pano de fundo, um ponto de fuga para a asfixia fria, mortal, que me era imposta, e esse lugar privilegiado de contenção e deslumbramento foi a canção. As cantigas da infância me levavam para um outro mundo, que, quimicamente, redefinia este próprio em outras linhas. Não, não se tratava de um mundo editado - eu assim não o sentia - mas de um "duplo", uma realidade - a mesma e outra - iluminada, cheia de significado - significado esse que o luto inconsolável dos adultos deglutira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele tinha bigodes fartos, uma cabeleira castanho escura que envolvia a cabeça com leveza, quase como se flutuasse em torno do crânio. Não lembro Dele que se foi, só da foto de seu casamento que minha avó guardava junto de seu desvario domesticado. Recordo-me, e bem, das canções: &lt;em&gt;o Mazzolin; "quando eu morrer, não quero choro nem vela..."; sereno, eu caio, eu caio; Marechiare; "os pastores desta aldeia..."&lt;/em&gt; e tantas outras. As aprendia rapidamente e ia para o portão da casa, onde havia um jardim com ervas baixas, e me pendurava nas grades dele para cantar. E cantava, sozinho, horas e horas - tendo atrás de mim o bafo quente, perturbador, do Caos. À sombra da voraz melancolia, eu dançava, rodava, dardejava longas melodias contra o tempo. Minha alegria era um diamante cosido - átomo por átomo - na trama confusa das vidas que são modeladas pela desgraça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É de minha infância que trago este olhar triste, de quem vê o inexorável incêndio da vida até que se desfaça ela inteira em pó. Um sentido trágico, "kitschmente" grego, perpassa minha obra musical - só que, como não lembro dos personagens, mas apenas das suas falas/canções, o Fado se evaporou no tempo passado e sobrou apenas o sentido, sonoramente falante. Fica aquela brancura sem nome por dentro, feito um enorme terreno baldio, um pátio de fábrica abandonado onde os cães de rua vão se aninhar. Ninguém ousa chegar perto deste alvor silencioso - por trás, há uma chama que arde sagrada, que destrói mas também clareia, e que é, com certeza, a razão primeva de eu ter me tornado artista. Saber que poderia estar, num átimo, no picadeiro artificioso da felicidade ou dentro do caixão lacrado Dele, apodrecendo sem ar - eis uma experiência humana quase insuportável. E por isso mesmo, bela, fecunda e plural. Porque desde meus dois anos de idade minha imaginação arde aguda, e eu sou desenfreado desejo de vida - flamante, um edifício que se destrói e se purifica, sem cessar. E que tem o mesmo olhar D´ele na foto que minha avó guardava - olhar que uma vez uma garota de fala suave mas incisiva chamou de "olhos de marinheiro, sempre pronto para partir". Talvez a grande sabedoria das mulheres esteja em ver a essência no detalhe. Que assim seja, meu Tio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-1759668135485701970?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/1759668135485701970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cirandinha-versus-joelma-em-chamas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1759668135485701970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1759668135485701970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/cirandinha-versus-joelma-em-chamas.html' title='...cirandinha versus Joelma em chamas...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SR8XjfIXhGI/AAAAAAAAACs/fskl192sbK0/s72-c/donald.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2321838719141407101</id><published>2008-11-08T11:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T05:30:03.681-08:00</updated><title type='text'>...Pã...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRX0Q-uP0hI/AAAAAAAAACc/9OgbNxRUSSg/s1600-h/romuloeremo2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266383911831720466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 98px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRX0Q-uP0hI/AAAAAAAAACc/9OgbNxRUSSg/s320/romuloeremo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele defendia as suas idéias, que incluíam o libertarismo de Godwin e a comunhão com a Natureza, como um possesso, em transe. Chamavam-no por isso de "Shelley, o louco". Quando criança, inventava histórias de fantasmas e, tal era o poder sugestivo de sua imaginação, se envolvia nelas como se se originassem da própria realidade - essa fronteira tão alargada, ironizada e suspensa pelos românticos, linguística e simbolicamente: linha tangível mas sem superfície chamada o "real". Quando na Universidade de Oxford, Shelley publica um folheto provocativo intitulado "A &lt;em&gt;Necessidade do Ateísmo",&lt;/em&gt; razão pela qual é expulso da instituição. Sua vida sentimental foi prototípica de sua geração: buscas e desencantos, volubilidade e ideação, tudo resumido em uma personalidade frágil, quase sempre arrebatada. Conhece Byron que, fugindo das acusações de incesto com sua irmã, vai instalar-se no mesmo hotel que ele. Shelley morre afogado no golfo de Spezia, numa violenta tempestade. Encontrado o corpo, em seu bolso havia uma cópia de um livro de Keats - seu grande contemporâneo também falecido prematuramente, que Shelley admirava e a quem dedicou sua obra-prima, "Adonais". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua poesia é essencialmente "fluência", como eram suas idéias, e de uma claridade que impressiona por não se negar a lançar luzes suaves, mas precisas, sobre o que diz. Poesia feita de sentidos e para os sentidos. A mitologia grega é usada por suas mãos com a mesma leveza, tornando íntimo e muito próximo o longíquo/histórico. Traduzi (tentei) de Shelley aqui o belo "Hino de Pã", um canto quase órfico saído da "doce flauta":&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Percy B. Shelley&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;(1792 —1822)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Hino de Pã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Das florestas e das altas terras&lt;br /&gt;vimos, vimos;&lt;br /&gt;das ilhas cingidas de rios&lt;br /&gt;onde as ondas ruidosas calam&lt;br /&gt;escutando minha doce flauta.&lt;br /&gt;O vento nos juncos e caniços,&lt;br /&gt;as abelhas nas flores do tomilho,&lt;br /&gt;os pássaros nos arbustos do mirto,&lt;br /&gt;a cigarra sobre os limoeiros,&lt;br /&gt;e os lagartos abaixo, na relva,&lt;br /&gt;tão silentes quanto o velho Tmolo* algum dia foi&lt;br /&gt;escutando minha doce flauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Peneus*, líquido, fluía&lt;br /&gt;e toda a escura Tempe* punha-se&lt;br /&gt;à sombra do Pelium*, que a cobria&lt;br /&gt;à luz do dia morrendo&lt;br /&gt;apressado pela minha doce flauta.&lt;br /&gt;Os Silenos, Silfos e Faunos&lt;br /&gt;e as ninfas dos bosques e das ondas,&lt;br /&gt;na borda de prados molhados de rios&lt;br /&gt;e nas cavernas orvalhadas,&lt;br /&gt;e todos que realmente assistiram e seguiram então&lt;br /&gt;silenciaram por amor, - como você agora, Apolo,&lt;br /&gt;invejando minha doce flauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Cantei as estrelas que dançam&lt;br /&gt;cantei a Terra labiríntica,&lt;br /&gt;e os céus, e as Grandes Guerras&lt;br /&gt;e amor, e morte, e nascimento.&lt;br /&gt;Mudei logo a melodia de minha flauta, -&lt;br /&gt;cantei como abaixo o vale de Ménalo*,&lt;br /&gt;persegui uma jovem, e me enredei nos juncos:&lt;br /&gt;assim, Deuses e homens, todos nos desiludimos;&lt;br /&gt;ele explode no peito, e logo sangramos.&lt;br /&gt;todos choraram – penso em ambos agora,&lt;br /&gt;se a inveja ou a idade não tivessem congelado o seu sangue&lt;br /&gt;ao prantear de minha doce flauta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;*Tmolo ou Tmolos é o deus das montanhas da mitologia grega. Foi um dos jurados na disputa musical entre Pã e Apolo.&lt;br /&gt;* Peneus é um rio da Tessália, Grécia.&lt;br /&gt;*Tempe é uma cidade grega.&lt;br /&gt;*Pelium é uma montanha também da Tessália, Grécia.&lt;br /&gt;*Ménalo é também o nome de uma cidade da Arcádia onde se prestava o culto ao deus Pã, mas também é o nome de três personagens da mitologia grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em duas versões diferentes do poema, a palavra Tempe vem assim: ou Temple, que significa Templo, ou Tempe, de significado supracitado. Optei pela última, já que Shelley cita a geografia grega no dito trecho do poema. Ele diz também “pippings” no plural, mas como se trata de uma flauta-de-pã, que possui vários tubos, entendi que “pippings” fosse a referência a eles, e não que Pã portasse vários instrumentos – daí a utilização de “flauta” no singular.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A imagem representa, em mármore, Pã perseguindo Siringe.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2321838719141407101?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2321838719141407101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/ele-defendia-as-suas-idias-que-incluam.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2321838719141407101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2321838719141407101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/ele-defendia-as-suas-idias-que-incluam.html' title='...Pã...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRX0Q-uP0hI/AAAAAAAAACc/9OgbNxRUSSg/s72-c/romuloeremo2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7405761958475457257</id><published>2008-11-06T13:45:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T09:13:04.858-08:00</updated><title type='text'>...da delicadeza dos gostos e das paixões...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265687727217277138" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRN7Fs7reNI/AAAAAAAAACU/Ey87xEoswdw/s320/metro-tunnel.jpg" border="0" /&gt;"Et j'ai vu ce que l´homme a cru voir. Os passos das pessoas em profusão na confusa hora do metrô. Ela não chegava, um tempo outro por dentro se abria. A iluminação gasta da estação dava a impressão de que a vida era assim - uma corrida feérica, animalesca e fútil, que desembocava numa catraca ruidosa, numa outra voz, de significado obscuro. Somente a aparição dela fendeu o dizer de faca do significado obscuro em mim. Ela vinha com um sorriso de desculpas pelo atraso, adoravelmente menina, carregando uma fada de cristal que havia comprado debaixo do braço. Mais luz por conta dela, saímos para a noite igualmente agitada da Estação Paraíso. Onde íamos não interessava, não naquela hora de secreto júbilo e mais secreta ainda tristeza. Irmãos, apontávamos as coisas pelo caminho, como se fossem continuidades de nós, de nosso bem-querer. Paramos diante de uma padaria, onde havia mesas espalhadas pela calçada e dentro dela. Gotas de chuva e o uivo da cumplicidade nos empurraram para dentro, e, sem demora, nos sentamos. - O que você vai querer, querida ? - Não sei, não estou com fome. Pede você. - Ah, eu não sei, também estou sem fome. - Que tal um açaí ? - Hum, aí eu vou querer também - Rs, eu pedi porque sabia que você gostava. Roxo e denso, cada colherada era dividida com o gosto bom de estar junto. Alegria nos olhos selvagens, irredutíveis. As covinhas do rosto dela realçavam uma luz agora viva, mais carnal que a do metrô, uma luz que brilha pequena, aguda. Celebração. Mudo ritual, que fazíamos como se colhêssemos frutos abundantes e que não cessavam de nascer. Lá fora a noite indiferente comentava o contorno de nossos desejos, que se desprendiam intensos mas elegantes, e contra a escuridão da janela entreaberta se afigurava o rosto dela, único perceber naquele momento, como se a vida toda fosse resumida à um preâmbulo daquele estar com ela. Nos beijamos, entregues e gozosamente assustados. Outros beijos se seguiram, não mais apaixonados, mas mais precisos - fomos afinando nossos beijos, e nos deliciando com as dificuldades desta afinação. Até que, naquela mesinha marrom e entre garçons curiosos, fomos quase o Outro - um si que se estende e deságua caudaloso no que até então parecia pura fantasmagoria. Este velho Outro-Si, que perseguimos vida afora e nomeamos por tanta religião e ideologia. Mas este Outro-Si alcançado, logo arrefece em plenitude e se esvai - uma chama de cristal. Sabíamos disso, por isso deu a hora, ela tinha que ir, chegar em casa, logo - rápido. Nos despedimos no metrô e sua sombra se afastou da minha como um imã saciado. A última coisa que vi foi seu sorriso fluoerescente, antes da porta do trem se fechar num estrépito. E o grande vão engoliu o trem bruscamente, levando-a consigo. Apoiei-me calmamente na escada rolante, com o braço esquerdo segurando minha bolsa, e deixei o movimento - dentro e fora de mim - me levar. Dentro, agora, cabia o mundo, e ele fora completamente devassado. Era diminuta luz..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Da delicadeza dos gostos e das paixões" é o título de um ensaio do empirista inglês David Hume.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7405761958475457257?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7405761958475457257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/et-jai-vu-ce-que-lhomme-cru-voir.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7405761958475457257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7405761958475457257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/et-jai-vu-ce-que-lhomme-cru-voir.html' title='...da delicadeza dos gostos e das paixões...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SRN7Fs7reNI/AAAAAAAAACU/Ey87xEoswdw/s72-c/metro-tunnel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7977850436205705290</id><published>2008-11-01T07:09:00.001-07:00</published><updated>2008-11-03T04:48:26.340-08:00</updated><title type='text'>...o Amor é lindo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Amor está difícil, é uma estrela simbolista, enigmática, sem prumo e retórica. Ama-se hoje como se vai ao shopping, se discute um teorema, frase sem sujeito - só predicado. A Dor então paira soberana sobre as almas quase-amantes, e o vazio mortal se faz sentir na falta de sentido que as relações - palavra tão fria - possuem. O Amor humano, nascido na Grécia e retocado na Roma faustosa/berço de Vênus, transubstanciado no séc. XII pela cortesia amorosa - quase um milagre afetivo surgido numa belicosa era - foi sendo preservado e relido durante os tempos. O Romantismo o retoma e criva-o de símbolos, que hoje, na modernidade, em sua maioria viraram clichês do transcendente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou médico e nem Flaubert, e o que posso fazer é compor, ver e gozar. E em minha luta contra Saturno, contra os prédios de vidro fumê indiferentes, contra a loucura rentável e absorvida pelo status, eu procuro as frestas de luz do mais além - nunca me esquecendo do Homem, meu ódio e minha razão de ser artista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jessica Fiorentino é a que quero. Vocês me oferecem muitas: Cicciolina, Silvia Saint, Mulher Melancia, Bruna do anúncio, Carol da rua Augusta, mas eu quero a Jessica. É menos famosa, mas seus seios são uma delícia para a luz sem freios de meus olhos escorregar. Aliás, em uma canção antiga eu dizia "como são puras as putas" e numa época de mulheres fálicas e carentes de um outro que nunca chega, eu me encho de vida real e proclamo "viva as putas !" e me delicio cantando alegremente para elas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQxxf16j51I/AAAAAAAAACM/49KRHbKnMW4/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263706856351852370" style="WIDTH: 325px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQxxf16j51I/AAAAAAAAACM/49KRHbKnMW4/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;"Tu mettrais l´univers entier dans ta ruelle, Femme impure !" (Baudelaire)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;"Solo de Eduléia: Vem cá beleza ! Vem cá benzinho ! Vem cá ! Vamos fazer gostoso/ Quer fazer sacanagem/ Com uma brasileira ?" (Oswald de Andrade)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;"Não tem cinismo que diz: entre a santa e a meretriz / Só muda a forma com que as duas se arreganha" (Guinga/Aldir Blanc)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;As Puras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta que não me pariu, puta mais que a que me pôs aqui e hoje&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta que eu queria desde sempre e me fez ter meu pau como brinquedo de saber&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta palavra também, e deliciosa de se dizer assim: puta, puta, puta, puta...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta e sinonímias tais que cadela, vagabunda, umazinha qualquer, da vida, cachorra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta que acolhe os homens desesperados da sociedade, estes que a sociedade curra e deixa emasculados&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta no seu leito sagrado e suarento de tantos corpos estes homens vão se encontrar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta eles estarão lá meninos, motoboys sádicos, recalcados japoneses de multinacional em bandos, perdidos todos ou anjos caídos como eu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta eu quero você no meu coração apodrecido de romantismo adolescente, quero-a a artéria principal que leva não o sangue, mas o sêmem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta sim, faça que eu seja inteiro líquido seminal, pois alva é minha alma assim como a água que jorra quando sua boca roça o meu confuso brinquedo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta minha primeira namorada, masturbação de colégio, meu ver sentido a partir das linhas e ligas de sua intocável tez&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta ninguém a tange, é um fantasma do sexo aquilo que representa a sua voraz vulva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta mas, mesmo assim, é uma ponte para o sexo este fantasma, o sexo mesmo, o outro ser da incorporiedade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta dou-lhe o meu amor mais que meu pecado - você dissolve com a ávida língua todos os pecados &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta dou-lhe meu saber porque a vida pulsa em você e sempre muitas vidas se contorcem porque você as descontrói em seu absurdo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta digna, no colo, em mim, no vídeo ou numa reunião de família&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta que sei toda composta para se evolar e amante do ocaso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta eu aqui estou louvando você, escrevendo num jorro e sem pensar, fazendo a mimesis em palavras do que é estar aí&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Puta me aceite em sua toca de lupíneos, e me dê seu leite - puro e translúcido deleite de uma palavra soterrada chamada "Ela"...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: a foto maravilhosa do post é da própria supracitada Jessica Fiorentino.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7977850436205705290?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7977850436205705290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/o-amor-lindo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7977850436205705290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7977850436205705290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/11/o-amor-lindo.html' title='...o Amor é lindo...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQxxf16j51I/AAAAAAAAACM/49KRHbKnMW4/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-3956563351548970875</id><published>2008-10-28T06:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-28T06:12:54.710-07:00</updated><title type='text'>... os compositores de ossadas - os que não se riem...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQcPlA-cw8I/AAAAAAAAACE/Y6R5T5ZrDl0/s1600-h/elenco19.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262191818197222338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQcPlA-cw8I/AAAAAAAAACE/Y6R5T5ZrDl0/s400/elenco19.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fragmento de 2003, ainda muito pertinente creio eu, de um livro que engavetei por não entendê-lo ainda em sua dicção: "A Canção Hoje". Mas o trecho que vem a seguir tem o mérito de ao menos não diluir o que se quer dizer, após cirúrgica observação:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(.....)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das formas de análise que podem - e são - efetivamente utilizadas por compositores em seus hábitos de escuta, duas delas merecem nossa atenção e estudo mais acurado, pois parecem ser as duas formas mais comumente encontradas. Não esqueçamos que estamos nos referindo a compositores, uma espécie de ser cuja opinião estética sobre um trabalho que não o seu próprio irá resultar diretamente na maneira como o mesmo compõe e pensa a sua própria música.&lt;br /&gt;A primeira forma de análise existente - a mais comum – é a de se tomar como paradigma musical algum compositor que em alguma década da história da canção sintetizou em sua obra muitas tendências e que, por isso, tornou-se, de certa forma, um símbolo norteador: pensemos, como exemplo, em Tom Jobim e a década de 50. A partir, então, da decomposição deste parâmetro aquilatador - o que significa dizer que teremos, dividido em frações menores, a “melodia jobiniana”, a “harmonia jobiniana”, a “temática das letras jobiniana” e outras – o compositor, isolando a partícula estética da qual deseja se servir, faz amplo uso dela para o desvendamento de qualquer problema musical aparentemente insolúvel que se lhe apresente. Em outras palavras, peguemos uma parte da coisa - por exemplo, a melodia jobiniana. Ao ouvir qualquer melodia eu, como compositor fiel ao estilema escolhido, a julgarei pelo que a mesma possui de pontos de contato com o referencial jobiniano, ou seja, eu julgarei a melodia não por sua validade intrínseca, mas a partir do quanto a mesma se afasta ou se aproxima do meu referencial.&lt;br /&gt;Os enganos cometidos pelo artista que se serve deste tipo de análise são por demais conhecidos, por isso não caberia aqui a enumeração exaustiva dos mesmos. A título de exemplo das consequências desta limitada postura analítica, entretanto, ressalto como uma das mais perniciosas e fatais para um ser que pulsa graças à caleidoscópica realidade sonora que o cerca - que é o que lhe eriça a sensibilidade e o impulsiona – ser o achatamento da sensibilidade: o indivíduo cria para si mesmo uma espécie de “peneira auditiva” que, com o nobre propósito da separação consciente entre joio e trigo estéticos reterá , na trama comprometida de sua peneira, toda a espécie de beleza que não esteja então previamente registrada na memória musical do compositor. Tem-se a impressão que estes indivíduos ouvem apenas uma mesma e eterna melodia dentro de si – ou seja, ouvem o mundo de dentro para fora. O problema não percebido por eles é que o joio muitas vezes contrabandeia para o pão um amargor e uma informação nova que seria muito bem-vinda - o que seria a súbita e iluminada avenida aparecendo em muito beco sem saída no qual tantos talentosos criadores se confinam...&lt;br /&gt;É claro que uma segunda categoria de “jobinianos” pode ser encontrada até com mais facilidade que a primeira, a mais radical: a esta se aqui se chamará de “jobinianos de escolas derivadas”. Tudo o que há de Jobim na obra Buarquiana, Edu Lobiana, Gudiniana e etc., é tomado como paradigma agora, e a sensibilidade interna do compositor será eternamente moldada por essas “derivações”. O que não se percebe é que a “derivação” por parte de outros criadores nada mais é do que a soma do que “eu sou musicalmente” como Edu Lobo – se for o caso – ao que “foi musicalmente” Tom Jobim, e daí resultar o estilo de Edu Lobo. Afinal, ninguém inicia um estilo próprio a partir de um zero absoluto e desreferencializado, e muito daquela música que continua na obra já madura de um autor, quando olhada de perto, nada mais é do que estilização depurada de um autor que lhe serviu de estopim criativo quando jovem. O erro dos seguidores das “estilizações” é que os mesmos costumam colocar no lugar da equação que lhes é reservado aquilo que já está presente na fórmula originária: se Edu Lobo é 60% Edu Lobo ( ou seja, a música de seu pai Fernando, aquilo que ouviu na infância, etc.....................................) e os outros 40 % é Tom Jobim, o que os devoradores derivados fazem é reproduzir a fórmula literalmente, com pouco acréscimo criativo pessoal. A coisa toda talvez pudesse ser representada assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jobinianos Puros: Eu (o compositor) 10 % ou 20 % + Jobim ele próprio 90 % ou 80 % = 100% , a minha canção com pedigree.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jobinianos Derivados: Eu (o compositor) 10 % ou 20 % + [ 60 % Edu Lobo + 40 % Tom Jobim ] = 110 % (!) de música original, havendo uma luta constante destes incômodos 10 % querendo se aglutinar ao 100 % homogêneo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebam, relembrando o que antes foi dito, que o que atraiu o ouvido destes novos compositores para a obra de Edu Lobo foi o quanto a mesma tem de jobiniana. Daí, os outros 40 % de Edu Lobo na obra do mesmo serem aceitos ao todo, já que o “grosso” da composição é de qualidade inquestionável, é jobiniano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-3956563351548970875?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/3956563351548970875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/os-compositores-de-ossadas-os-que-no-se.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3956563351548970875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3956563351548970875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/os-compositores-de-ossadas-os-que-no-se.html' title='... os compositores de ossadas - os que não se riem...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQcPlA-cw8I/AAAAAAAAACE/Y6R5T5ZrDl0/s72-c/elenco19.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-8561906990475227811</id><published>2008-10-27T11:52:00.000-07:00</published><updated>2008-11-17T04:21:20.301-08:00</updated><title type='text'>...o anjo e o abjeto...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma praça decadente e úmida. Assim é a praça Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo, onde ela trabalhava, vendendo pastéis fritos na hora. O cheiro era nauseante, mas seu sorriso dissipava minha indisposição. Pequeno de não se ver quase esse sorriso, era dado com pinceladas muito finas, só a sombra da cor no quadro. Ela tinha 19 anos, era morena, baixa, magra, com os cabelos sempre mecanicamente presos. Infinitamente "in natura" ao se dar, esquecia a contenção que era o seu habitual, e voava com asas de aço. Um beijo miraculosamente objetivo, línguas e ar, e eu a chamava - pelo seu aspecto total - de "anjo". Esquecia-me com frequência de seu nome, mas "anjinha" sempre estava em minha boca. Morando discretamente com a mãe no subúrbio da cidade, ela, tão frágil, de uma delicadeza mortal, tinha uma tarefa ainda menos inspiradora que fritar pastéis: lavar o banheiro público todo dia antes da praça ser fechada - o que fazia junto de uma amiga loira, robusta e de sorriso flamejante. O serafim de mãos tão inexistentes lavava o mijo e os dejetos da cidade em trânsito perpétuo. Obviamente, perdi "anjo" de vista na vida. Obviamente também, tentei compor uma canção que fosse sua história - fiz a primeira parte dela, o resto, quedou-se incompleto. Não havia - na época - como representar quase clinicamente o anjo sujo de óleo de soja que eu sutilmente amava. A sílaba não encontrou cantar popular para tal. Elaborei, então, um texto que, dentre outros, projetei para estar em um possível livro sobre a cidade de São Bernardo - um livro composto por suas personagens. "Anjo" aparece aqui, no texto que segue, na única forma na qual consegui traduzir - tateante, pois - sua vida infeliz, lavrada na própria poesia perversa que a infelicidade pode produzir:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQYaoBb5ZLI/AAAAAAAAAB8/WJ37ijqmCqg/s1600-h/21.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261922489511535794" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQYaoBb5ZLI/AAAAAAAAAB8/WJ37ijqmCqg/s400/21.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Petit Ange&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acordada era mais fácil perceber a desconexão das ruas sem planejamento, ou melhor, de vulgar improviso urbanístico, segunda mão. Em sonhos a Cidade invadira o próprio espaço do inconsciente encharcando – liquefeita – todos os cantos da memória da sonhadora, uma água cinza-vermelha de luzes de artifícios elétricos sendo drenada do ar do quarto – a cidade se acocorava no teto, ao lado do joguinho de estrelas artificiais Star Fix, num canto do aposento – e garoando garoando garoando no amplo salão de um sono quente e inquieto.&lt;br /&gt;A praça coalhava-se de pombos cor de fuligem como folhas secas e detritos de madeira podre em suspensão. Petit Ange via a praça de seu vidro opaco: sua alma, quer dizer, seus afazeres em um fio de uma roca a fiar eterna. Petit Ange via a praça: vidro opaco: a janela que nunca abria de todo - de seu quarto minúsculo - que divisava um chafariz incrustado de pastilhas anos 50 verde-água - deveriam ser azuis sem o limo e o tempo cinzelador - dizendo para si mesma ao ver de cima o camelô armar um tabuleiro de cigarros para vender DVDs pirateados: - “meus afazeres em um fio de uma roca, a fiar eterna...”&lt;br /&gt;Petit Ange vendia pastel barato em uma feira de artesanato, e ganhava o suficiente para ser um tipo de morena avermelhada e desprovida de qualquer murmúrio de humor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Caracteres I (Pseudo-La Bruyére)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Certas mulheres têm como único trunfo uma espécie de gentileza – dir-se-ia quase noblésse – que revelam tão somente quando viram as costas para suas muralhas e trazem água de uma bilha insuspeita em seu coração. É quando a dureza se rompe, e elas são bem capazes de uma gentileza diminuta, mas tão brilhante e deliciosa, que fazem parecer clarinadas pomposas as delicadezas mais abundantes do comum do mundo feminino.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-8561906990475227811?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/8561906990475227811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-anjo-e-o-abjeto.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8561906990475227811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/8561906990475227811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-anjo-e-o-abjeto.html' title='...o anjo e o abjeto...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQYaoBb5ZLI/AAAAAAAAAB8/WJ37ijqmCqg/s72-c/21.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-5877547728165765768</id><published>2008-10-25T09:02:00.000-07:00</published><updated>2010-02-25T13:39:35.015-08:00</updated><title type='text'>...como diria Novalis...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQNphijKN3I/AAAAAAAAABc/OhoOg6N4eII/s1600-h/novalis-bueste.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261164814629746546" src="http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQNphijKN3I/AAAAAAAAABc/OhoOg6N4eII/s400/novalis-bueste.jpg" style="float: right; height: 160px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 120px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;i&gt;Novalis &amp;amp; Aforismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever por aforismos, elipticamente, remonta à Antiguidade Greco- Latina. Mas essa tradição do breve que concentra em si o significado teve sua vez em outras épocas, notadamente no primeiro romantismo alemão, com os irmãos Schlegel e, principalmente, com Georg Philipp Friedrich von Hardenberg (1772-1801), de nome poético Novalis. Supremo artífice em manusear sintaticamente o "transcendente", Novalis fascina e nutre nosso imaginário moderno com seu pensamento revolucionário/espiritual. Se não, como negar a atualidade estética e metafórica de algo como: "Só há um templo no mundo e é o corpo humano. Nada é mais sagrado que esta forma sublime. Inclinar-se diante de um homem é fazer homenagem a esta revelação na carne. Toca-se o céu quando se toca um corpo humano." Matéria como meio de vôo para um mais além, e dito diretamente da beira do sécc. XVIII !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rendendo homenagem e me apropriando de sua personae literária ao mesmo tempo, escrevo alguns aforismos que, se não chegam ao sublime/revelador dos de Novalis, servirão ao menos como exercícios de estilo, lúdicos porque lúcidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I - A Arte se vale da Representação, mas o representado se altera sensivelmente em contato com a linguagem que o transpõe, ao nível talvez até necessário da subversão... II - O que amo, amo por não possuir, mas por resoluto desconhecer, pela sombra que é luz encantatória - o que vale dizer que nunca pode/deve/sabe-se conhecer o objeto amado... III - A política, em sua configuração moderna e operandi, se assemelha à uma arte perversificadora - seus mecanismos, antes regidos por uma dúbia mas talvez necessária Ética-Própria, toda ela de Maquiavéis, agora se tornaram autônomos, como que desligados da Sociedade e do Indivíduo refletido no Coletivo - o que significa que a mesma acena como uma miragem onde se misturam fragmentos de ideologias agonizantes, mídia especificadamente calculada para reter na rede vagos sonhos de cidadania, a figura proliferada e indestrutível dum Pai/Mãe e etc., ou seja, um todo polimorfo essa Miragem que diz reger um Estado, mas que modernamente mais se acopla à ele como um parasita que o extenua, com sua burocracia entrópica e sua prefigurada corrupção, do que o conduz... IV - O que quer dizer que há uma auto-maquinaria chamada "política", com sua linguagem rupta e escorregadia, que existe no Mundo Moderno como um a priori condutor, ao qual nenhum partido, sigla, esquerdismo, centrismo ou endireitismo: ao qual nenhum estar "geográfico-idéia" pode se furtar... V - Pôs-se o bedelho nessa "vagina res", imediatamente se perverteu o ideário e este passou a falar pelas engrenagens gangrenadas e antisocialmente autônomas dela, a fantasmal Política... VI - A canção popular, assim como o cinema e a história em quadrinhos, é definitivamente uma Arte Menor - porque derivativa, diluidora, oriunda da necessidade de massificação e reprodução, uma Vênus Meretriz - mas mesmo assim uma Vênus, o que significa que se suspendermos por instantes o "juízo social", que tanto pode se confundir com o estético, poderemos vê-la como uma Arte viva, proclamadora e irressistível do agora, representante sem medos dos cotidianos e dos desvios deste, Arte que se sabe finda e datada porque embebida pelo aroma fenecedor do Seu Tempo - e portanto, suja e iluminada pelas horas erráticas desse tão seu Tempo... VII - O ódio talvez seja nosso sentimento primordial*, atômico - ódio por nascer, por viver, por estar em uma sociedade de estranhamentos organizados, pela frustração quase permanente como estado de Espírito, pelo Outro sempre um além-Mim - por isso as duas formas afetivas antitéticas deste sentimento, o Amor (1) - como Eros/Paixão - e o Amor (2) - como Pietas/Compaixão - serem não a anestesia deste ódio, nem a sua sublimação/anulação, mas sim uma linguagem que se constrói em paralelo ao Caos, uma teia que devotadamente tecemos sobre o abismo para capturar os estilhaços que nos separam por odiosos e que, tentativa que une artifício e verdade, tentamos juntar num todo amoroso/uno. Quando Cristo disse: "amai-vos uns aos outros como eu (a encarnação do Divino, a personificação do Perfeito, o Desde Sempre que fala) vos amei", estrategicamente anulava o ódio de uma horda bárbara que o povo de seu tempo possuía - e o nosso refina sadicamente - e sobre este ódio criava uma ponte onde a palavra "irmão" - meu igual e não mais meu outro e além - passeava seu estar próximo ao próximo... VIII - O Novo Testamento é um dos maiores - e eficazes - tratados de Ética escritos pela mão humana: lamentavelmente, as religiões que se apropriaram dele o utilizaram com os signos punitivos e simplificadores da regra vazia, do poder lastimável de um sacerdote ou da irrealidade mágica que por vezes dopa a mensagem tão profundamente humana do Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Ainda não conhecia o trabalho da fabulosa Dra. Melanie Klein sobre a Agressividade como motriz e a Pulsão de Morte - ela, que começa com Mel no nome, a "sublime açougueira", no dizer de Lacan - quando escrevi estes pensamentos, há tempos atrás. Foi Gisele, uma recente ex-namorada, estudante de psicologia, que me dizia um "kleiniano no viver e interagir", quem me despertou o interesse pela até então desconhecida, para minha diletância no assunto, "escola inglesa" da psi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS 2: mais Novalis: "Seja em que poesia for, o caos deve transparecer sob o véu cerrado da ordem."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-5877547728165765768?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/5877547728165765768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/como-diria-novalis.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5877547728165765768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/5877547728165765768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/como-diria-novalis.html' title='...como diria Novalis...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SQNphijKN3I/AAAAAAAAABc/OhoOg6N4eII/s72-c/novalis-bueste.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-7295449264155511728</id><published>2008-10-20T09:07:00.001-07:00</published><updated>2008-10-20T10:13:57.617-07:00</updated><title type='text'>...o cheiro de Deus...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPy8My_djSI/AAAAAAAAABM/O1Bl_Nj3Log/s1600-h/2C-%20william-blake-nabucodonosor-1795-londra-tate-gallery.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259285392894299426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPy8My_djSI/AAAAAAAAABM/O1Bl_Nj3Log/s400/2C-%2520william-blake-nabucodonosor-1795-londra-tate-gallery.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre a Arte se confrontou com a experiência - falha ou exitosa - de ser estância veicular da Idéia - para usar aqui um termo caro ao conhecimento estético desde sempre, em especial do simbolismo mallarmaico. E o sagrado nunca esteve de fora das representações da Arte, porque mantém com ele relações de "forma" congeniais: a organização mítica, a linguagem alusiva, a metáfora, etc. Schlegel dizia que "a verdadeira estética é a Cabala", e não foram poucos os que criaram analogias quase tangenciais entre o corpo estético e o divino, como se fosse possível uma suposta síntese de ambos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a Arte ocidental sempre foi laica. Desde Homero e sua linguagem de semideuses, até o pictórico e subversivo Blake, o máximo que a arte fez foi apontar para a Idéia de Deus. Por isso, tantos deuses particulares, antropomórficos, subjetivos, não transferíveis, aparecem na história da Arte ocidental. Obviamente, sabe-se que não é através da Arte que se chega até Deus, mas sim por meio da Fé. E esta tem que se converter em Idéia para se conformar aos ditames da organização artística, e aí o humano tem seu ponto limítrofe. Ou seja, se escuto uma cantata de Bach, sou levado até a contemplação - ou, dependendo da sensibiliade individual, ao êxtase - da Idéia de Deus, e nunca da coisa em si. Porque os caminhos da Arte apontam para dentro, para o subjetivo, e minha idéia-sentimento do sagrado se reconhecerá nesta que é fora de mim e está organizada de uma forma "Bela" - daí o religare profundamente humano que, aos olhos mais afoitos, soa como divino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que hoje as pessoas buscam o sagrado quando na verdade anseiam pela posse de sua própria Psique, isso bem sabem todas a Igrejas New-Evangélicas e todos os misticismos de boutique que pululam na sociedade do vídeo. Ganha-se muito dinheiro com a alienação - aqui entendida como conceito hegeliano mesmo de extravio de si mesmo -, o que em outras palavras pode ser entendido como desespero, carência, procura de um Pai ou Mãe, etc, todas estas sendo formas sintomáticas desta alienação. Já não se trata mais de perguntar se Deus está morto ou não - essa discussão não tem fim teológico ou sistêmico - mais de se perguntar onde a Idéia de Deus foi pousar sua pesada e erradia figura. Saber quem está lucrando, sonhando ou se evadindo com a Imago Dei, eis uma excelente proposição/seta para o artista - também ele - se apropriar, criar ou dissolver. Nunca se esquecendo que a Idéia só é alcançada através da linguagem artística e que esta, por sua vez, pode alterar substancialmente, num processo inverso, as próprias configurações da Idéia. A extrema erotização pela qual San Juan de la Cruz foi possuído ao escrever sobre o divino certamente lhe foi revelada pela própria linguagem no ato da concepção - ao remirar cada vez mais sua escrita com seu eu enlevado, mais a poesia corporificava o gozo extremo que seu corpo/alma - sem distinção em San Juan, sendo esta uma das forças de sua poética - sustentavam dentro de uma católica sensibilidade. Subversão óbvia dos parâmetros da ortodoxia religiosa, essa tensão entre linguagem e Idéia (Deus) resultou em jorros sensuais e lancinantes comunhões carnais como:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;" Oh cauterio suave !&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;oh regalada llaga (chaga)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;oh mano blanda ! oh toque delicado,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;que a vida eterna sabe,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e toda deuda apaga ! (deuda = culpa)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;matando, murte en vida la has trocado.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Oh lámparas de fuego,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;en cuyos resplandores&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;las profundas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;cavernas del sentido,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;que estaba oscuro y ciego,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;con extraños primores&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;calor y luz dan junto a su Querido !"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Calor e luz (se) dão junto ao seu Querido"&lt;/em&gt;. San Juan grafa "querido" em maíuscula, dando-lhe desta forma uma expressão pessoal e íntima que a palavra "querido" possui, ao mesmo tempo que a coloca-a na posição transcendente das palavras-símbolo em maísculo. Sublime junção do sacro e mais humano que o profano possui, desde sempre a arte maculou a Imagem de Deus - por isso, para o artista moderno, a crença é mais um objeto de expressão vinculado ao divino, do que algo autônomo, fechado em si mesmo. A alienação a qual aludi acima não é culpa do artista, mas cabe a ele de certa forma denunciá-la, representando-a. Expor a chagas da sociedade como outrora um El Greco expunha as de Cristo. E no profundo destas chagas, nas ruínas - como dizia Walter Benjamim - descobrir o transcendente, o mais além, a luz prometeica. Se Deus participará dos fins desta jornada, nem o mesmo poderá responder - a resposta pára nas rédeas nas mãos dos artistas. E estes, optam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: a imagem é uma tela de Blake, "Nabucodonosor", de 1795.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-7295449264155511728?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/7295449264155511728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-cheiro-de-deus.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7295449264155511728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/7295449264155511728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-cheiro-de-deus.html' title='...o cheiro de Deus...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPy8My_djSI/AAAAAAAAABM/O1Bl_Nj3Log/s72-c/2C-%2520william-blake-nabucodonosor-1795-londra-tate-gallery.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-633779809158597806</id><published>2008-10-19T09:39:00.001-07:00</published><updated>2008-10-27T12:53:34.452-07:00</updated><title type='text'>...o passional pulsional....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258935378833461682" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPt93TAaUbI/AAAAAAAAABE/T8ovlLKrdQE/s400/otelo_mata_desdemona.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Rapaz/adulto aparentemente sem problemas emocionais, simpático, jogador de futebol amador, sequestra garota - ex-namorada - e a sua amiga . O caso termina com a garota morta e a amiga ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia explora o sadismo espetaculoso dos expectadores da história como sempre, recontando a narrativa inúmeras vezes, repisando-a, adornando-a com detalhes que salientam o aparente ódio que motivou o ato do desequilibrado rapaz - como se quem visse tudo fosse pai ou mãe das vítimas. E as idéias e sentidos bóiam na superfície do real, como dejetos fósseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otelo, Iago e Desdêmona - para citar apenas o que já se disse, agora não na superfície. Então, como terminam sempre as histórias onde o amor ferido de morte se entrelaça como fios de arame farpado ao seu coetânio parceiro e contraface chamado "ódio" ? Uma mistura poderosamente caótica, onde o ato mortal - de aniquilamento do outro que possuo em mãos mas que paradoxalmente me possui - ronda com a impaciência aterradora de um predador faminto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polícia. Troca de Tiros. Coerção. Então, há mais descontrole e vingança desenfreada por parte da polícia do que o que já está acontecendo no drama per si ? Obviamente, enquanto a sociedade inteira - ou grande parte dela - nomeia o monstro, o delinquente, o cruel - que, em parte, seja, mas só em parte - o sequestrador e sua outra metade - a do humano rupto - a que deveria ser aventada e controlada, subjaz intacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor desse rapaz, que diz amar Eloá mesmo depois de matá-la. Um amor ensandecido, crivado de balas a queima roupa, evocando a subúrbios tristes, amor bruto, amor de rimar amor/dor. Este salto mortífero que o amor deu, e que se transformou numa história de loucura, quem acompanhará com um olhar neutro e subjetivo ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor e morte - desde a antiguidade copulam com avidez, antes mesmo das teorias dos instintos de Freud. Modernamente dizia Drummond, em trecho de poema, cujo título é "Necrológio dos desiludidos do amor":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;"...inútil você resistir&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;ou mesmo suicidar-se.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Não se mate, oh não se mate,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;reserve-se todo para &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;as bodas que ninguém sabe&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;quando virão,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;se é que virão..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ponto dolorosamente irônico do poema está na constatação de que as "bodas" são ineficazes, as outras bodas que não aquela única desejada - a que causa o estrangulamento amoroso. O "reserve-se" é quase um conselho redundante - o eu poético já está reservado, sufocado pela fixação no objeto amado. Mas Goethe, na história que talvez mais convenha ao caso Lindemberg/Eloá, em seu juvenil "Werther", sintetizava simbolicamente, páginas antes do desfecho que todos sabemos, o processo psiquíco do protagonista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;"Agosto, 18&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por que é que aquilo que faz a felicidade do homem acaba sendo, igualmente, a fonte de suas desgraças ? (...) Ah ! As grandes e raras calamidades deste mundo, as inundações que arrasam as nossas aldeias, os tremores de terra que engolem nossas cidades, nada disso me comove; o que me dilacera o coração é esta força destruidora oculta em toda a natureza, esta força que nada cria se não para destruir-se e destruir o que a cerca ao mesmo tempo (...)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar e destruir, imantados: Charlote/Werther - Eloá/Lindemberg. Por qual túnel escuro e ignoto passará a alma humana para se transmutar no seu indesejado avêsso ? E este avêsso, não existiria ele desde sempre como uma sombra negra, tingindo levemente o dia claro e sem fronteiras que Eros espelha ? Talvez fosse o caso de dar uma olhadinha na coxia da vida real, ou seja, a de Santo André e a das tragédias escritas, para tentar sabê-lo. E, quiçá, tarefa adicional e difícil, entedê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: A imagem do post é "Otelo mata Desdêmona" - desenho de Josiah Baydell. Séc. XVII.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-633779809158597806?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/633779809158597806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-passional-pulsional.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/633779809158597806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/633779809158597806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-passional-pulsional.html' title='...o passional pulsional....'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPt93TAaUbI/AAAAAAAAABE/T8ovlLKrdQE/s72-c/otelo_mata_desdemona.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-3073413458360042128</id><published>2008-10-16T06:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T12:55:41.998-07:00</updated><title type='text'>...o eu - pensar sem eiras...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257760992327968978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPdRxAWdKNI/AAAAAAAAAA8/k2uwMN0AZBA/s320/caspar%2520friedrich%25201.jpg" border="0" /&gt;Edgar Morin concluía elipticamente, numa pincelada, ao final de seu belo e pontual livro "A Cabeça Bem-Feita", que &lt;em&gt;"Uma grande parte, a parte mais importante, a mais rica, a mais ardorosa da vida social, vem da relações intersubjetivas. Cabe até dizer que o caráter intersubjetivo das interações no meio da sociedade, o qual tece a própria vida dessa sociedade, é fundamental. Para conhecer o que é humano, individual, interindividual e social, é preciso unir explicação e compreensão. (...) A sociedade não está entregue somente, sequer principalmente, a determinismos materiais; ela é um mecanismo de confronto/cooperação entre indivíduos sujeitos, entre 'nós' e os 'Eu'."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o eu está trespassado pelo "social", e o social brota das infinitas camadas sedimentares do sujeito, que é sempre único. Apesar de se afirmar (e de se ter que viver) - até por conta de uma estabilidade material-social - que somos "todos iguais". Perante ? Às leis, a Deus, à democracia, e todo esse descerramento de uma cortina que finda uma peça burlesca a que chamam neo-liberalismo democrático. Mas o barco está mais bêbado que nunca, e a alma, esta modeladora de minuetos neuronais, ri disso tudo e se esquiva. Ou explode, etnicamente e sobre a égide de uma moral religiosa, como um homem bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por um livre pensar que resolvemos, eu mais um grupo de jovens sociólogos, jornalistas, publicitários e etc. nos encontrar quinzenalmente para discutirmos temas, como quem flana e acerta o alvo, e desvia, e torna a tocar a pele e dialogicamente permite que todos os átomos se decomponham. Para celebrar nossos encontros, fiz de improviso uma oração: obviamente laica, e transbordantemente humana. Fiquei surpreso com isso, e descobri, refletindo sobre o ato da escolha da forma de expressão, que no final de tudo talvez eu tenha eternamente composto orações: minhas canções são assim, talvez pedidos de enlaces mútuos, religares tácteis, pedras atiradas para ver a fundura do transcendente, e a própria melodia que segue a longa estrada. Charles Rosen dizia sobre a primeira geração romântica da literatura anglo-saxã que eram estes poetas orfãos à luz do dia da Revolução Francesa, e que restauraram uma "religiosidade" destruída por esta apenas como "meio de expressão", "forma" e até ethos. Que a figura divina estava confusamente perdida, turvada, como de resto era como se fazia a arte de então. Como um romântico introjetado que sou - não sem um contra-ódio intenso por isso - fiz a referida prece, e a reproduzo aqui. E, como falei de romantismo, reproduzo a obra de um dos meus pintores favoritos, o visionário do (sobre) natural Caspar Friedrich, logo no começo do post. E segue a prece:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Oração ao livre pensamento&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Fazei com que tudo dentro de mim&lt;br /&gt;Que seja intra, âmago, ponto X&lt;br /&gt;Se desenlace dos preconceitos sérios&lt;br /&gt;Das armadilhas do médio-pensar&lt;br /&gt;Da superfície asfixiante do agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu não tenha outro pensamento que não o conectado a outro&lt;br /&gt;Outro, seja ele bêbado de um afeto lancinante&lt;br /&gt;Outro, se transfigure em carne que sonha seu após&lt;br /&gt;Outro, tudo aquilo que não me pertence e me invade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Deus está morto, resta-nos o homem em sua complexidade&lt;br /&gt;Em sua eterna queda e miséria irremovíveis&lt;br /&gt;E em sua grandeza de espelho fiel dos céus mais distantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai a sutileza, a nobreza, o sorriso sem eiras de Eros&lt;br /&gt;Para que possamos amorosamente criar caminhos&lt;br /&gt;Sobre o longo vale do humano&lt;br /&gt;Sombrio e de tantas línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazei, enfim, um edênico entendimento de almas&lt;br /&gt;Que se tocam com palavras para logo depois se dissiparem em ar&lt;br /&gt;Sopro este que nos preenche com o olhar leve daquilo que espraia-se em espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seja assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-3073413458360042128?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/3073413458360042128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-eu-pensar-sem-eiras.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3073413458360042128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/3073413458360042128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-eu-pensar-sem-eiras.html' title='...o eu - pensar sem eiras...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SPdRxAWdKNI/AAAAAAAAAA8/k2uwMN0AZBA/s72-c/caspar%2520friedrich%25201.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-1294636772570755322</id><published>2008-10-03T08:12:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T11:50:38.245-07:00</updated><title type='text'>...o boêmio voltou novamente...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Depois de um schubertiano e gris inverno, volto com minhas palavrinhas de sambista pós-moderno na Net. Difícil tarefa esta de falar, quando os ouvidos são moucos e poucos. Mas fala-se por hábito, estilo, profissão, desabafo, compulsão. E é um falar lançado ao longe este que traço aqui, pois não sei, na distância, quem estará me ouvindo - voarão de volta para mim mais palavras - words, words, words. Ou melhor, Words, Words, Words (o programa de computador). Ou melhor ainda, world, world, world. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O mundo me interessa, e só. O humano, e só. Que língua diamantina-longínqua esta a das metafísicas ! A metafísica é uma ave muito alva que voa em círculos concêntricos por volta da terra e só ocasionalmente pousa. Em qual local ? Só os visionários e transcendentes sabem. E estes são profetas da entropia - dizem o oco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Oh, se eu ao menos pudesse ter uma vida de sensações em vez de uma vida de pensamentos" , &lt;/em&gt;dizia comovido o grande lírico da poesia inglesa romântica, Keats. A palavra sensação - e suas ramificações, como afeto, sensibilidade, amorosidade - é quase um atentado existencial nos dias de hoje. Tempo de prozacs e vazios sepulcrais do Amor.... O homem-bomba legítimo do agora tem uma ogiva no lugar do coração - que nunca explode, é pura ameaça, sombra falante e de chumbo, sarça ardente que se inflama sem dizeres.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SOaOzZJloJI/AAAAAAAAAAs/N5IPGw294Cs/s1600-h/concreta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253043028949835922" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SOaOzZJloJI/AAAAAAAAAAs/N5IPGw294Cs/s320/concreta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os gigantes fazem falta, e a memória do Belo Coletivo está repleta deles, como num Paraíso atemporal. Penso neste momento no grande leão-marinho da translusa língua Haroldo de Campos. Alguém que traduziu com o mesmo pulso hábil e seguro a poesia russa e o trote majestoso da Ilíada, além de compor versos do mais autêntico apolíneo ethos ao voluteado-profundo barroco. Murilo Mendes dizia dele que se tratava de "uma força da natureza". É a mesma "fource" flaubertiana encarnada, e que fala, polemiza, abre caminhos e vence demanda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253043465697416210" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SOaPM0KU1BI/AAAAAAAAAA0/nji0EaTTj8Q/s320/haroldo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda muito jovem, me encontrei com Haroldo em sua casa, no sóbrio bairro paulista das Perdizes. Ele estava de posse de algumas letras e canções minhas e de mais alguns cadernos de gravuras de um amigo meu, o artista plástico Saulo Di Tarso. Também tinha em mãos um exemplar de um Manifesto que nós e outros artistas escrevemos, chamado "Verbo e Caos". Teve um interesse quase paternal por nós e por nossa obra jovem, lendo e olhando tudo com tanto cuidado que cheguei a ficar sem graça - nada escapou de sua visão de Quíron paulistano, e seus elogios, críticas, conselhos e observações foram das coisas mais preciosas que ouvi em minha vida. Valorizou o meu trabalho, quando sabia que sobravam arestas em sua feitura, e, sem exageros, me tratou como um poeta irmão. Tamanha generosidade intelectual só pode vir de quem tem muita terra percorrida dentro de si - não tive um terço dessa generosidade de grande parte de meus pares compositores jovens.Porém, isso me enche de alegria: saber que os grandes não só são humanos, mas, não raro, mais humanos que os humanos-medianos. Quando em 2003 Haroldo morreu, eu chorei, como quem perde algo muito belo e profundo. Os gigantes fazem falta, pois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Então, fiz uma canção chamada "Futurismo" que é toda ela uma referência - com interferências - ao poeta e ao seu delirante barco "verbivocovisual". Musiquei uma tradução sua, "Casa de Prazer", do poeta expressionista August Stramm, e pus música em um poema seu também: "Tenzone", onde utilizo séries webernianas e passagens da ópera "Lulu" de Alban Berg. Mas quero deixar aqui registrado um poema que fiz logo na ocasião da morte do poeta. Words, mas que será de nós sem elas ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;“não é poesia !”&lt;br /&gt;haste&lt;br /&gt;(poundpíndaroli-tai-po)&lt;br /&gt;forte&lt;br /&gt;incisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fecho o armário: sextante&lt;br /&gt;selva latina, prima parola&lt;br /&gt;Aufklärung, sangue em veias de cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste&lt;br /&gt;fuste&lt;br /&gt;(oswasldsousândrade)&lt;br /&gt;“a primeira na faixa da língua, a segunda, da linguagem”&lt;br /&gt;circuncisivo. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-1294636772570755322?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/1294636772570755322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-bomio-voltou-novamente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1294636772570755322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/1294636772570755322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2008/10/o-bomio-voltou-novamente.html' title='...o boêmio voltou novamente...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SOaOzZJloJI/AAAAAAAAAAs/N5IPGw294Cs/s72-c/concreta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-2478189173718140170</id><published>2007-06-22T20:45:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T11:51:06.463-07:00</updated><title type='text'>...sobre a mesma canção...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnybFsIQZMI/AAAAAAAAAAU/DtTU8W_q0CU/s1600-h/ismael.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079105001814516930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnybFsIQZMI/AAAAAAAAAAU/DtTU8W_q0CU/s320/ismael.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Conforme a Martha havia pedido, reparo um lapso. De 1995, "À Sombra do Café Nice" é uma canção composta em homenagem ao célebre “Café” do Rio de Janeiro, onde se encontravam grandes compositores e cantores da década de 30 como Francisco Alves, João de Barro, Noel Rosa, Ary Barroso e outros mais. A temática do necessário “religare” atual com a grande tradição do samba carioca, metaforicamente tratado em seus diversos matizes em frases como “a lua pastora”, de as “Pastorinhas” de Noel e João de Barro, “a chama se apaga” do samba “Agora é Cinza” da dupla Bide e Marçal, mais o artesanato puro do fazer poético das rodas de samba em “o certo brocado” e “passante, passista, farsante” e outros, será definida no meio da canção com a constatação de que “ Neste teu sambar – imagem do tempo - não interessa a Avenida”, tudo estando, no lirismo brasileiro de que está repleto o nosso samba, para além dos desfiles televisivos de carnaval e da atual pasteurização simplificadora da MPB. Pois, como já se sabe de velho e de tanta viração, “samba no morro não é samba: é batucada” A oração-evocação canto e falada do início põe em cena a personagem principal da canção: o Samba.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;À SOMBRA DO CAFÉ NICE&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(Luciano Garcez)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rio&lt;br /&gt;beira mar&lt;br /&gt;eu vejo as noites e os faróis&lt;br /&gt;procuro em tua tradição &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;o som so que é samba e luzir&lt;br /&gt;por que se quer que um samba comente&lt;br /&gt;que a face é difícil&lt;br /&gt;que a chama se apaga&lt;br /&gt;que o verso que a prosa&lt;br /&gt;que tudo intercala-se&lt;br /&gt;tempo e memória&lt;br /&gt;num só tamborim&lt;br /&gt;nas mãos de Ismael&lt;br /&gt;o belo e o triste e a nossa versão&lt;br /&gt;do tal lirismo brasileiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sombra do Café Nice&lt;br /&gt;dançamos embriagados&lt;br /&gt;partimos levando o dia em que o bumbo bateu&lt;br /&gt;e na calçada em que piso&lt;br /&gt;ou no momento em que dizes&lt;br /&gt;cantamos o mesmo e a esmo uma rosa se dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste teu sambar&lt;br /&gt;não interessa a avenida&lt;br /&gt;que em tudo há mais que a própria vida&lt;br /&gt;que em nada menos, morte alguma&lt;br /&gt;irá fazer com que se ausente&lt;br /&gt;a lua pastora&lt;br /&gt;o certo brocado&lt;br /&gt;o ponto de vista&lt;br /&gt;de um mero passante&lt;br /&gt;passista farsante&lt;br /&gt;num lúcido som&lt;br /&gt;teu bloco sutil&lt;br /&gt;me ensina o que diz e não diz teu amor&lt;br /&gt;sagrado em sábado&lt;br /&gt;Janeiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="center"&gt;.....................&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;A música está disponível no MySpace, em formato ainda caseiro e com letra antiga. É só copiar e colar:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://searchresults.myspace.com/index.cfm?fuseaction=music.search&amp;amp;searchtarget=tmusic&amp;amp;search_term=0&amp;amp;searchBoxID=HeaderWebResults&amp;amp;keywords=luciano%20garcez"&gt;http://searchresults.myspace.com/index.cfm?fuseaction=music.search&amp;amp;searchtarget=tmusic&amp;amp;search_term=0&amp;amp;searchBoxID=HeaderWebResults&amp;amp;keywords=luciano%20garcez&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Comprido feito um samba-enredo este endereço...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-2478189173718140170?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/2478189173718140170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2007/06/sobre-mesma-cano.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2478189173718140170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/2478189173718140170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2007/06/sobre-mesma-cano.html' title='...sobre a mesma canção...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnybFsIQZMI/AAAAAAAAAAU/DtTU8W_q0CU/s72-c/ismael.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5359529850072405975.post-625039748160408776</id><published>2007-06-21T12:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T11:51:47.894-07:00</updated><title type='text'>...sobre a canção...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnrZ-MIQZLI/AAAAAAAAAAM/AadycA4z-3A/s1600-h/polemica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078611192244626610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnrZ-MIQZLI/AAAAAAAAAAM/AadycA4z-3A/s320/polemica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Fiz esta canção, "À Sombra do Café Nice", há muito tempo, e creio que o tempo é muito e amplo e deita raízes no espaço até hoje - o tempo a que me refiro na letra e na música dela. Há uma tentativa de dialogar com a tradição através da tradução: vide o movimento que vai na canção da bossa até o refrão noelino. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;E o Café foi o Cristo Redentor disso. Foi um símbolo de uma época em que a música brasileira se formava, se cozinhava em fogo brando e lento. E saíam pelos becos, ruas e avenidas as valsas, marchas - de carnaval e de meio de ano. Em tudo diferente da pressa indiferente com que se compõe hoje em dia. À época, muita malandragem, plágios e afins, mas sobretudo, um ambiente REAL onde a música nascia e se perdia de tanto canto. Tom Zé já diz numa canção da década de 90 que ela, a canção, "quer se multiplicar/ na multidão única se tornar". Há multidões demais por trás do que se faz hoje em dia - dia que, por vezes e sem saber, é o de ontem&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5359529850072405975-625039748160408776?l=sombradocafenice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/feeds/625039748160408776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2007/06/sobre-cano.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/625039748160408776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5359529850072405975/posts/default/625039748160408776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sombradocafenice.blogspot.com/2007/06/sobre-cano.html' title='...sobre a canção...'/><author><name>À Sombra do Café Nice, por Luciano Garcez</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00838993287951823567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Y5US3wrm_Lk/SdTF434RyyI/AAAAAAAAAJ4/e8N61zqat40/S220/olho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Y5US3wrm_Lk/RnrZ-MIQZLI/AAAAAAAAAAM/AadycA4z-3A/s72-c/polemica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
